A baixa produtividade na grande maioria dos setores econômicos é o principal problema que detém o crescimento do país, na opinião do cientista político Fernando Schüler, que proferiu a palestra “Gestão pública para um novo ciclo de confiança e eficiência” na noite de quarta-feira, 3, no teatro do Nova Friburgo Country Clube. O evento, realizado pelo Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) e pelo Senac RJ, com apoio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), encerrou as celebrações pelos 80 anos de A VOZ DA SERRA, completados em abril.
Fernando Schüler mostrou um gráfico para comprovar que os níveis de produtividade no Brasil vêm subindo desde 1995, mas aquém do ponto indispensável para um crescimento efetivo. Ele ressaltou que o mundo caminha na direção da abundância, que todavia depende da produtividade, lógica em que alguns países avançam em ritmo acelerado, enquanto outros ficam para trás.
“A produtividade leva as empresas e o país a produzirem mais, em menor quantidade de tempo e com menos recursos, e envolve tecnologia, que encolhe o custo dos produtos. Aqui, a tecnologia ainda se revela cara e a mão de obra, barata”, comentou.
Schüler também exibiu um estudo que prevê a tendência de aumento de carga tributária a 42,8% caso o Brasil não enfrente questões como aumento dos gastos com a Previdência e programas sociais, que, na visão dele, se devem especialmente ao envelhecimento da população. “Para financiar a saúde em um país mais velho, vamos demandar cada vez mais investimentos, o que onera o Estado e gera elevação de carga tributária”, frisou.
Citando a necessidade de uma reforma das instituições no Brasil, Fernando Schüler defendeu reservar para o poder público a regulação dos serviços, cuja execução, para ele, precisa estar sob responsabilidade do setor privado. Doutor em Filosofia e mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com pós-doutorado na Universidade de Columbia, Schüler criticou disparidades sociais, como, por exemplo, o valor dos supersalários na comparação com o pouco que ganha a massa de trabalhadores.
“Temos que pensar no legado, não no curto prazo. Discutir os problemas de cultura na política do país com o empresariado, nas comunidades, nas associações. Colocar os temas nas eleições do próximo ano”, destacou ele, que ao final da palestra respondeu a perguntas da plateia.
Na abertura do evento, o presidente do Sincomércio, Braulio Rezende, lembrou que há vários meses tentava, junto à Fecomércio RJ, entidade gestora do Senac RJ, trazer Schüler para falar com empresários de Nova Friburgo. Ele festejou a presença do cientista político na cidade.
Nesta quinta-feira, 4, as entidades promoveram no mesmo local a palestra sobre “Reforma tributária e seus impactos no setor de comércio e serviços”, com o tributarista Diego Fernandes Ximenes.




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