Pesquisa da OAB-RJ revela: 67% das advogadas vítimas de violência não denunciam agressores

Levantamento foi divulgado nesta segunda-feira, dia da Advogada
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freepik
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Uma pesquisa realizada pela Ouvidoria da Mulher, da Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), constatou que 67,7% das advogadas que foram vítimas de violência, física ou psicológica, não denunciaram os seus agressores. O levantamento ‘Ser Advogada Não me Salva’ contou com a participação de 989 profissionais do Direito e foi divulgado nesta segunda-feira, 15, Dia da Advogada.

A OAB-RJ disponibilizou temporariamente em seu portal na internet (www.oabrj.org.br) um questionário com 17 perguntas sobre violência contra a mulher advogada. A pesquisa apontou que 78,6% das advogadas que participaram voluntariamente do levantamento já sofreram algum tipo de violência.

A violência psicológica foi o tipo mais recorrente, atingindo 85,3% das vítimas. Os principais agressores apontados pelas vítimas foram parceiros ou ex-parceiros (37,9%) e colegas de profissão (17,2%). Entre as participantes, 97,1% se declararam mulheres cisgênero, sendo as faixas etárias mais atingidas as de 35 a 45 anos (36,5%) e 25 a 35 anos (23,5%). Quase metade das advogadas (49,7%) reside na capital fluminense.

“Infelizmente, o nosso estado ainda ocupa o segundo lugar no país em casos de violência contra a mulher. É urgente que o poder público priorize o enfrentamento deste sério problema social e nós, como ponte com a população, vamos lutar por isso”, destacou a presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio.

Diante dos primeiros resultados da pesquisa, a Ouvidoria da Mulher começa a fazer um levantamento para identificar cerca de 500 mulheres que aceitaram conversar com a equipe da Ouvidoria. Segundo Andréa Tinoco, ouvidora da Mulher da OAB-RJ, o objetivo é oferecer apoio, estruturar políticas internas de prevenção, orientação e conscientização, criando um ambiente mais seguro e acolhedor para as advogadas.

“Nosso compromisso é transformar esses números em políticas que garantam um exercício profissional livre de qualquer forma de violência e discriminação. A escuta ativa das advogadas será o eixo central dessa construção”, disse.

 

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