Peso das mochilas acende alerta para o comprometimento da coluna

Com a volta às aulas, atenção ao cuidado com a saúde das crianças é fundamental
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

 Entre os itens indispensáveis para os estudantes, a mochila merece atenção especial, já que o uso inadequado, seja pelo excesso de peso ou pela má regulagem, pode provocar dores nas costas e até problemas na coluna vertebral de crianças e adolescentes.

A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) recomenda que o peso da mochila não ultrapasse 10% do peso corporal do estudante. A orientação também é reforçada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e vale para crianças e jovens de 6 a 18 anos. Na prática, uma criança de 30 quilos, por exemplo, não deve carregar mais do que três quilos diariamente.

O uso contínuo de mochilas pesadas, especialmente em idades precoces, pode contribuir para o surgimento de dores nos ombros, no pescoço e na região lombar, além de favorecer alterações posturais ao longo do crescimento.

Escolha de acordo com a faixa etária

A atenção à faixa etária indicada pelo fabricante é um dos primeiros cuidados na hora de escolher a mochila escolar. Além de garantir maior durabilidade do produto, esse critério é fundamental para a segurança e o conforto da criança.

Até os 5 anos: modelos leves são os mais indicados. Para crianças maiores dessa faixa, mochilas com rodinhas podem ser uma boa alternativa. Lancheiras usadas nas costas também oferecem praticidade;

De 5 a 7 anos: recomenda-se o uso de kits de mochila, com preferência para as versões com rodinhas. Caso a opção seja pela mochila nas costas, o peso deve ser rigorosamente controlado;

Acima dos 8 anos: já é possível utilizar mochilas de costas, desde que estejam dentro das normas de segurança, com alças reforçadas e bom ajuste ao corpo;

Adolescentes: mochilas de um ombro só devem ser evitadas, pois concentram o peso de forma inadequada e podem causar danos à coluna.

Modelo ideal

Entre os principais critérios para a escolha da mochila escolar estão o tamanho e o peso do próprio acessório, que deve ser o mais leve possível — preferencialmente com até um quilo. Especialistas orientam que a mochila não seja excessivamente grande ou com muitos compartimentos, sobretudo para crianças menores, já que isso pode estimular o transporte de objetos desnecessários.

O tamanho ideal não deve ultrapassar a largura das costas da criança nem exceder cerca de cinco centímetros abaixo da linha da cintura. O cinto abdominal também é um item importante, pois ajuda a distribuir melhor o peso. As alças devem ser largas, acolchoadas e ter, no mínimo, quatro centímetros de largura.

As mochilas de rodinhas aparecem como uma alternativa eficiente, especialmente para os menores. Embora precisem ser carregadas em escadas ou terrenos irregulares, o tempo de exposição ao peso é menor, reduzindo os riscos à coluna.

Uso correto da mochila escolar

Para evitar problemas de saúde, especialistas reforçam algumas orientações básicas:

  • Não exceder 10% do peso corporal da criança;

  • Utilizar sempre as duas alças nos ombros;

  • Ajustar as tiras para que a mochila fique próxima ao corpo e cerca de cinco centímetros acima da cintura;

  • Organizar os materiais, posicionando os itens mais pesados no centro e próximos às costas;

  • Levar apenas o necessário para o dia;

  • Ao pegar peso, dobrar os joelhos, evitando inclinar o tronco.

Tipos de mochila

A mochila de costas é a mais tradicional e pode ser usada em qualquer idade, desde que respeitados o tamanho e o peso adequados. Já a mochila de rodinhas é indicada principalmente para crianças menores, pois reduz a sobrecarga nas costas. Alguns modelos combinam as duas funções, oferecendo mais versatilidade.

A mochila transversal, por sua vez, não é recomendada para o uso diário escolar, pois concentra o peso em um único ombro, aumentando o risco de dores e problemas ortopédicos.

A atenção a esses cuidados simples pode fazer a diferença na prevenção de dores e problemas posturais, contribuindo para um retorno às aulas mais saudável e seguro. 

 

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