Paratleta friburguense será tema de documentário beneficiado pela Lei Aldir Blanc

Filme contará a paixão pela natação segundo Rodrigo Garcia, que fez história conseguindo cumprir maratonas aquáticas
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra
Rodrigo Garcia com a medalha e amigos na premiação, em 2017
Rodrigo Garcia com a medalha e amigos na premiação, em 2017

Entre os projetos da categoria A (R$ 50 mil reais) da Lei Aldir Blanc para a Região Serrana, está o documentário "No Mar". O filme contará a relação do paratleta friburguense Rodrigo Garcia com a natação e será rodado nas praias do Rio e em Nova Friburgo. 

Nos últimos anos Rodrigo cumpriu maratonas aquáticas em lugares como o Rio Negro, o Rio São Francisco e a Baía da Ilha Grande. Algumas com até seis horas de duração.

A produção do filme será de Yan Muniz, a direção de fotografia de Christian Costa, e o roteiro será do próprio Rodrigo. A direção será de Clara Linhart, que, tão logo a pandemia acabe, rodará, em Lumiar, seu filme "Os Sapos". A obra conta com interesse de grandes canais de filmes, e as tratativas são para um grande elenco.

Como mostrou A VOZ DA SERRA há três anos, em reportagem de Vinicius Gastin, em dezembro de 2017 Rodrigo escreveu mais um capítulo inesquecível na sua própria biografia, que automaticamente torna-se referência para qualquer pessoa. Desta vez o desafio superado foi a prova Rio Negro Challenge, em Manaus, no Amazonas, e seus 8,5 quilômetros na lendária Travessia Almirante Tamandaré. Para derrubar quaisquer dificuldades e paradigmas, Rodrigo levou exatas três horas e 35 minutos. Mais do que isso: fez história ao se tornar a primeira pessoa com deficiência a completar o percurso.

“Cheguei no pelotão do final, mas realizei um sonho. Fiz quatro quilômetros com conforto e tranquilidade, e depois apertei aos poucos nos quatro quilômetros finais. Os últimos dois quilômetros foram de águas agitadas, o que deu emoção à prova. Cumpri uma distância que poucas pessoas fazem no Rio Negro, um dos mais simbólicos do Brasil”, descreveu.

O percurso batizado como Travessia Almirante Tamandaré teve a largada realizada próximo à Ponta do Camaleão e chegada à Praia da Ponta Negra. A exigência física da prova é tão grande que cada atleta obrigatoriamente levou um guia para acompanhá-lo durante a competição, de caiaque ou stand up paddle. A água é turva, quente, e difícil de flutuar, o que torna tudo mais difícil e valoriza ainda mais o feito de Rodrigo Garcia.

Para cumprir a missão e se transformar na primeira pessoa com deficiência e o primeiro friburguense a disputar esta prova, Rodrigo enfrentou uma rotina de treinos específica, cumprindo um programa de treinos diários de quatro mil metros na piscina do Educandário Miosótis.

Cumprir o programa de atividades para participar da prova foi algo simples para quem jamais fez do encurtamento congênito na perna esquerda, que o obrigou a aprender a andar aos 14 meses já usando uma ortoprótese, um impedimento para praticar esportes como futebol, natação, boxe, tênis e outras atividades para pessoas com ou sem deficiência. A trajetória de Rodrigo no mundo esportivo começa aos 14 anos, quando se tornou paratleta. Em um período de aproximadamente seis anos, portanto até os 20 anos, foram muitas as conquistas e premiações.

Logo no primeiro ano, com apenas uma hora e 40 minutos de natação, atingiu a marca dos seis quilômetros, e alcançou diversas premiações nacionais e regionais. Outro momento marcante foi a conquista de várias medalhas nos I Jogos Paradesportivos Brasileiros, realizados em Goiânia, dentre tantas outras competições que preenchem o currículo de Rodrigo.

Depois de um tempo sem praticar atividades, retornou à modalidade aos poucos em 2015, desta vez, mantendo o foco na natação. Geralmente desafiando a própria resistência, percorrendo cidades e águas brasileiras, em busca de reafirmar a si próprio a sua capacidade de superar as limitações. Rodrigo Garcia voltou às competições em 2016, quando disputou provas curtas de mil metros no mar, duas provas médias de três mil metros em Brasília e Manaus e uma prova de 12 quilômetros no Rio São Francisco, mas que tem equivalência de seis quilômetros, por conta da correnteza a favor.

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TAGS: natacao