Operação tenta coibir visitação ao Pico da Caledônia

Mesmo após a ação, cerca de 120 pessoas passaram a noite no local, desrespeitando isolamento
segunda-feira, 27 de abril de 2020
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
 Operação tenta coibir visitação ao Pico da Caledônia

Menos de 24 horas após reportagem exclusiva de A VOZ DA SERRA sobre uma operação fiscalizatória da Guarda Civil Municipal de Nova Friburgo (GCMpara coibir o acesso de pessoas ao Pico da Caledônia - cuja visitação está proibida -, uma operação conjunta foi realizada no local no fim da noite do último sábado, 25, envolvendo o Parque Estadual dos Três Picos, Unidade de Policiamento Ambiental (Upam), 11ºBPM e Prefeitura de Nova Friburgo, por meio da Secretaria de Turismo, Defesa Civil e GCM.

O objetivo da operação foi conter a subida de visitantes e informar a população que, devido ao período de quarentena, as unidades de conservação estaduais estão fechadas à visitação. Segundo apurado por nossa equipe de reportagem, 45 pessoas foram abordadas na operação, entre elas moradores da localidade e visitantes. Todos foram informados sobre as determinações e orientados a retornarem às suas casas.   

“O Pico da Caledônia vem sofrendo com uma alta visitação, pessoas que acham que estão de férias, imprudentes, subindo até o pico com o objetivo de acampar, colocando em risco a natureza, as pessoas ao redor e a si mesmos. Estas operações estarão mais frequentes a partir de agora. Todos as pessoas encontradas infringindo as regras serão levadas para averiguação e, se constatados os delitos, serão penalizados na forma da lei”, alertou Mayara Barroso, gestora do Parque Estadual dos Três Picos.

"Não foi uma ação de repressão, mas de conscientização, para reforçar a necessidade do cumprimento dos decretos municipais. Através das denúncias via Ouvidoria e da reportagem de A VOZ DA SERRA, o Parque Estadual dos Três Picos nos propôs a ação e continuaremos monitorando e fiscalizando”, reforçou o secretário municipal de Turismo, Ricardo Reis, também presente na ação.

No entanto, logo após o término da operação, o Pico da Caledônia foi novamente invadido. Cerca de 120 pessoas passaram a noite de sábado para domingo no local. Vários acamparam e fizeram fogueiras, além de deixarem uma grande quantidade de lixo no local, que também está sendo alvo de vandalismo. Até as placas indicativas na entrada do parque foram arrancadas e jogadas no mato. Um completo desrespeito às orientações de isolamento social e, sobretudo, à natureza.

CEF pede ações mais enérgicas

Procuramos o Centro Excursionista Friburguense (CEF) para comentar a operação realizada no sábado no Pico da Caledônia que respondeu: “Infelizmente a maior parte dessas pessoas não são montanhistas de verdade. Praticar exercícios físicos é uma coisa, mas fazer o que estão fazendo lá em cima é um absurdo. Já que o objetivo é evitar aglomerações, acho que o apoio da PM fazendo incursões diárias seria muito importante. Acredito que essa situação só vai melhorar quando forem tomadas atitudes mais severas. Infelizmente, as pessoas só aprendem dessa forma”, declarou Cláudio Tardin, presidente do CEF.

Mutirão de limpeza

No último domingo, 26, dia seguinte à operação realizada no Pico da Caledônia, o grupo de voluntários Guardiões da Montanha promoveu um mutirão de limpeza no local – com autorização do Parque Estadual dos Três Picos e tomando todas as precauções. De acordo com o grupo, cerca de 100 quilos de lixo foram recolhidos.

“Uma grande quantidade de lixo foi recolhida, resultado do vandalismo sofrido por este ponto turístico de renome nacional. Em contraponto à depredação, a falta de respeito com a natureza e com a nossa cidade, fica este exemplo de cidadania de uma equipe que arregaçou as mangas na preservação de nosso patrimônio”, diz trecho de comunicado emitido pelos Guardiões da Montanha.

O que diz a Petrobras

Além da importância turística e ecológica, o Pico da Caledônia também abriga uma série de torres e antenas que auxiliam na comunicação de grande parte do interior do Estado, como as repetidoras das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, além de equipamentos de transmissão de dados da Petrobras, que é a responsável pelo espaço, e antenas das operadoras de telefonia Oi e Vivo e ainda a Marinha do Brasil.

O espaço ficou abandonado por alguns meses, mas após uma série de reportagens de A VOZ DA SERRA denunciando o problema, entre junho e julho do ano passado, a vigilância foi retomada pela Petrobras. Novamente procurada para comentar as recentes invasões e depredações no local, a empresa informou em nota que “a gestão de acesso ao Parque Estadual dos Três Picos não pertence a Petrobras”. No entanto, segundo apurado por nossa equipe, o serviço de vigilância mantido na entrada do Pico da Caledônia é mantido pela empresa.

 

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