A Operação Lei Seca completou 18 anos de atuação no combate à embriaguez ao volante nesta sexta-feira, 19. Por ocasião do aniversário, o Governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou que vai ampliar o número de equipes da Operação, principalmente nos períodos de maior índice de alcoolemia (fins de semana e feriadões), tanto no Grande Rio, como também no interior. No último fim de semana, a Operação atuou também em Nova Friburgo, quando flagrou 23 motoristas dirigindo sob efeito de bebida alcoólica.
O reforço marca uma nova etapa do programa, que receberá 27 novos policiais, permitindo a criação de seis novas equipes de fiscalização e aumentando a presença da Operação Lei Seca em todo o território fluminense. Com a chegada dos novos agentes, a Operação passa a realizar até 14 ações de fiscalização simultâneas, garantindo uma cobertura ainda maior em pontos estratégicos e de grande circulação de motoristas em todas as regiões do estado.
O primeiro dia de atuação das novas equipes (última quinta-feira, 18) foi marcado por uma grande ação integrada de fiscalização e educação para o trânsito, celebrando os 18 anos da Lei Seca, criada por uma legislação federal que transformou a segurança viária no país.
A megaoperação contou com a participação de três equipes de fiscalização e três de educação atuando em uma ação conjunta de fiscalização e conscientização, reforçando o caráter preventivo da Operação Lei Seca. As demais equipes foram distribuídas em outros pontos estratégicos do Rio de Janeiro, ampliando o alcance do programa em diferentes regiões do estado.
Além da fiscalização dos condutores, equipes de educação formadas por agentes PCDs (Pessoas com Deficiência), vítimas de acidentes de trânsito, promoveram atividades de conscientização sobre os riscos da perigosa e trágica combinação entre álcool e direção. Por meio de relatos reais e experiências de vida, esses profissionais ajudam a sensibilizar motoristas e passageiros sobre a importância de escolhas responsáveis para a preservação de vidas.
Uma trajetória de êxitos
Ao longo de sua trajetória, a Operação Lei Seca do Rio se consolidou como uma das principais políticas públicas de segurança viária do Brasil. Desde o início das ações de fiscalização, em 2009, até o último dia 9, por exemplo, a Lei Seca realizou 43.857 operações, abordou 4.967.398 condutores, registrou 1.191.003 infrações e identificou 371.893 casos de alcoolemia.
Na área de educação para o trânsito, desenvolvida desde 2011, foram promovidas 8.674 ações educativas, alcançando 884.941 pessoas. Além disso, foram realizadas 4.853 palestras, que impactaram diretamente 230.165 participantes em escolas, empresas, instituições e espaços públicos.
Mortes no trânsito por causa da ingestão de álcool caíram quase 20% em 14 anos
A taxa de mortes no trânsito relacionadas com o consumo de bebida alcoólica caiu 19,5% no Brasil entre 2010 e 2024. A análise, divulgada nesta sexta-feira, 19, Dia Nacional da Lei Seca, foi feita pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), referência nacional no tema.
Em 2010, segundo o levantamento, foram registradas 15 mil mortes nas vias brasileiras causadas por embriaguez ao volante. Em 2024, foram 13.075. No entanto, o estudo pondera que a quantidade voltou a subir a partir de 2020 (quando 11.600 pessoas perderam a vida).
Segundo a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, a Lei Seca é uma legislação que serve de referência para o mundo ao reduzir os acidentes de trânsito e salvar vidas no Brasil. “Essa redução foi da ordem de mais de 30%, desde que a lei surgiu (em 2008) até os últimos anos”, afirmou Mariana. Ela concorda, no entanto, que há uma perda de fôlego em vista de “novos desafios”. A Lei Seca começou a apresentar menor eficiência, conforme revelam os números.
“A gente vinha observando uma curva constante de queda até 2019, e a partir daí a taxa de mortes começou a crescer depois da pandemia”, acrescentou. Mariana explica que isso ocorreu porque, embora a fiscalização tenha aumentado nos últimos anos, as formas de burlar também ficaram cada vez mais sofisticadas. “As pessoas conseguem se comunicar, usar aplicativos e saber onde estão acontecendo as fiscalizações”.
Impunidades
Além disso, ela lamenta que prevalece na população um senso de que é possível passar impune pela Lei Seca. Para conter isso, defende a intensificação das ações de fiscalização, o acesso a atendimento de emergência e as ações de prevenção que alcancem especialmente o público masculino (o que mais morre no trânsito).
De acordo com a Cisa, a partir de 2019, o uso de álcool é responsável por 36,6% das ocorrências no trânsito entre os homens e 26,3% entre as mulheres. “O maior perfil de risco afetado pelas mortes são os homens jovens”. Um problema é que a fiscalização convive com limitações, como o número de operações com uso de bafômetros e o aumento da frota e de acidentes com motocicletas.
Sensibilização
A coordenadora do Cisa recomenda que, para sensibilizar a sociedade a não beber e dirigir, as campanhas precisam ficar mais estratégicas. "É preciso ir além dos anúncios “de choque”. O que funcionaria, na sua opinião, seria combinar educação, esclarecimento e percepção de risco real das pessoas. “A pessoa precisa acreditar que vai ser fiscalizada e que vai ser punida”, sustenta.
Os dados mostram que a maior parte das infrações acontecem nos finais de semana e durante a madrugada. Por isso, um caminho seria promover a cultura de alternativas viáveis, como o transporte noturno e acessível, e os aplicativos de carona. “Quando a gente só sensibiliza, mas também não traz alternativa, ficamos com o limite claro”, pontua Mariana Thibes.
Ranking nacional
De acordo com a Cisa, 18 estados apresentaram taxa de mortes por 100 mil habitantes superior à média nacional (6,2) nos últimos anos, como o Tocantins (13,4), Piauí (12,1) e Mato Grosso (11,1). Em relação às internações, 16 estados têm taxa superior. As maiores são no Espírito Santo, Pará e Acre.
(Com informações da Agência Brasil)

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