Novas regras para drones entram em vigor em julho no Brasil

Pilotos terão a rotina alterada
sexta-feira, 19 de junho de 2026
por OVNI Drones, Especial para A VOZ DA SERRA (*)
Foto: Governo do Estado do Rio de Janeiro
Foto: Governo do Estado do Rio de Janeiro

A partir de 1º de julho, entram em vigor as novas regras do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) para operações com drones no Brasil. A atualização da Instrução de Comando da Aeronáutica (ICA 100-40 – Aeronaves Não Tripuladas e o Acesso ao Espaço Aéreo Brasileiro) traz mudanças importantes que afetam tanto profissionais quanto usuários recreativos.

A principal novidade é que todos os drones passarão a depender de autorização para acesso ao espaço aéreo brasileiro, independentemente do peso ou da finalidade do voo. Isso significa que até mesmo equipamentos extremamente populares, como os drones da categoria abaixo de 250 gramas, deixarão de possuir a dispensa que existia em determinadas situações.

 O que muda na prática

Até junho, muitos pilotos utilizavam drones leves em voos recreativos ou para produção de conteúdo sem necessidade de solicitação prévia junto ao sistema Sarpas, desde que respeitassem determinadas condições operacionais. Com a nova regulamentação, essa exceção deixa de existir.

Na prática, antes de realizar um voo, o operador deverá verificar as condições da área e, quando aplicável, solicitar autorização por meio do sistema oficial do Decea. A medida busca ampliar a segurança do espaço aéreo e criar um modelo único de gestão para todas as aeronaves não tripuladas.

A mudança afeta apenas empresas? Não.

As novas regras alcançam:

  • Pilotos recreativos;
  • Criadores de conteúdo;
  • Fotógrafos e videomakers;
  • Empresas de inspeção e mapeamento;
  • Operadores FPV;
  • Aeromodelistas;
  • Prestadores de serviços com drones.

Independentemente de o voo ser realizado por lazer ou atividade profissional, o acesso ao espaço aéreo passa a seguir os mesmos princípios de autorização previstos pela nova ICA 100-40.

Mais controle e organização

Embora a mudança tenha gerado preocupação entre muitos pilotos, o objetivo do Decea é consolidar em um único documento regras que antes estavam distribuídas em diferentes manuais e instruções. A nova ICA também incorpora conceitos voltados à futura integração dos drones com sistemas modernos de gerenciamento de tráfego aéreo, preparando o país para um cenário de crescimento do setor nos próximos anos. Além disso, algumas operações profissionais poderão se beneficiar de processos mais organizados e de novos mecanismos de planejamento operacional previstos pela regulamentação.

Um mercado que continua crescendo

Mesmo com regras mais rigorosas, especialistas apontam que o setor de drones segue em expansão no Brasil. A tecnologia já é utilizada em áreas como:

  • Produção audiovisual;
  • Turismo;
  • Engenharia;
  • Construção civil;
  • Agricultura;
  • Segurança;
  • Monitoramento ambiental;
  • Pesquisa científica.

Em regiões como a serra fluminense, os drones vêm sendo cada vez mais empregados para registrar paisagens, acompanhar obras, divulgar empreendimentos, apoiar ações ambientais e produzir conteúdo turístico de alta qualidade. Além disso, novas aplicações surgem a cada ano, ampliando as oportunidades para profissionais qualificados e empresas especializadas.

O que o piloto deve fazer agora

A recomendação é que os operadores busquem informação e se preparem com antecedência para a entrada em vigor das novas regras. Entre as principais orientações estão:

  • Manter a documentação atualizada;
  • Verificar a regularização do equipamento;
  • Conhecer o funcionamento do sistema Sarpas;
  • Planejar os voos com antecedência;
  • Acompanhar as publicações oficiais do Decea;
  • Buscar capacitação contínua sobre legislação e segurança operacional.

 Mais do que uma obrigação legal, voar dentro das normas contribui para a segurança de todos que compartilham o espaço aéreo brasileiro.

Capacitação: o primeiro passo para voar com segurança

Com a entrada em vigor das novas regras do Decea, torna-se ainda mais importante que pilotos iniciantes e experientes mantenham-se atualizados sobre legislação, segurança operacional e boas práticas de voo. Muitas das irregularidades registradas no setor não acontecem por má-fé dos operadores, mas sim por desconhecimento da legislação ou por falhas no planejamento das operações.

Por isso, investir em formação deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser uma necessidade para quem deseja utilizar drones de forma segura, responsável e profissional. Para quem deseja ingressar no setor ou aprimorar seus conhecimentos, uma excelente alternativa é o curso de operador de drone oferecido pelo Sest / Senat.

A formação aborda temas fundamentais para a atividade, como:

  • Legislação aplicada aos drones;
  • Segurança operacional;
  • Planejamento de missões;
  • Condições meteorológicas;
  • Responsabilidade do piloto;
  • Boas práticas de voo;
  • Aplicações profissionais da tecnologia.

Além do conteúdo teórico, os alunos têm contato com situações reais de operação e aprendem a compreender a importância do cumprimento das normas estabelecidas pelos órgãos reguladores. Em um mercado cada vez mais profissionalizado, a qualificação adequada pode representar a diferença entre um simples hobby e uma oportunidade concreta de geração de renda, empreendedorismo e desenvolvimento profissional.

Como destacam especialistas da área, o drone é apenas uma ferramenta. O verdadeiro diferencial está no conhecimento e na capacidade do operador de utilizá-la com segurança, responsabilidade e eficiência. "A tecnologia evolui rapidamente, mas a segurança e o conhecimento continuam sendo os melhores equipamentos que um piloto pode levar para o campo de voo."

Um novo momento para o setor

As mudanças que entram em vigor em julho representam um marco importante para a aviação não tripulada no Brasil. Embora exijam maior atenção dos operadores, as novas regras também contribuem para fortalecer a profissionalização do setor, aumentar a segurança das operações e preparar o país para um futuro em que drones estarão cada vez mais presentes em atividades econômicas, científicas e sociais.

Para quem já atua na área, é o momento de atualização. Para quem deseja começar, é a oportunidade ideal para ingressar no mercado da maneira correta, adquirindo conhecimento, experiência e respeito às normas que garantem a segurança de todos.

            (*) A OVNI Drones é uma empresa friburguense especializada em soluções com drones para produção audiovisual, inspeções e projetos especiais. A equipe é formada por profissionais com experiência acadêmica, tecnológica e operacional no setor

 

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