Mudanças na correção da redação geram críticas e dúvidas entre candidatos

Documentos indicam alterações em orientações dadas aos corretores, apesar de negativa oficial do Inep
segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freepik
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Desde a divulgação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, em 16 de janeiro, estudantes de todo o país passaram a relatar nas redes sociais queda significativa no desempenho na redação, parte decisiva do exame. Documentos ligados ao Ministério da Educação (MEC), divulgados nesta semana pela Agência Brasil, apontam mudanças nas orientações de correção, ainda que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) negue oficialmente alterações nos parâmetros de avaliação.

Segundo professores e corretores ouvidos pela reportagem, as instruções repassadas à banca tornaram alguns critérios mais rígidos e outros mais subjetivos, o que teria impactado o resultado de candidatos que, em edições anteriores, alcançavam notas acima de 900 pontos e neste ano ficaram na faixa dos 700.

A redação do Enem é avaliada com base em cinco competências, cada uma valendo até 200 pontos, totalizando mil pontos. Embora a estrutura geral tenha sido mantida, três diferenças principais foram identificadas nas orientações de 2025.

 

Repertório sociocultural passa a pesar mais

 

Uma das mudanças mais relevantes diz respeito ao uso de repertório sociocultural, referências externas como autores, obras ou fatos históricos, analisado principalmente nas competências 2 e 3. Em 2024, a exigência de citar repertórios pertinentes já existia, e o Manual do Candidato reforçou, em setembro de 2025, o combate às chamadas citações genéricas ou “repertórios de bolso”. 

Contudo, novas orientações enviadas posteriormente aos corretores estabeleceram que avaliações negativas sobre esse aspecto poderiam impactar duas competências simultaneamente, e não apenas uma.

Na prática, especialistas apontam que a penalização dupla teria ampliado o peso dessa avaliação na nota final, tornando-se uma possível explicação para a queda inesperada nos resultados de muitos estudantes.

 

Critérios de coesão textual ficam mais subjetivos


Outra alteração apontada nos documentos está relacionada à competência 4, que avalia o uso de mecanismos linguísticos de coesão textual, como conectivos entre parágrafos e dentro deles. Até 2024, havia critérios quantitativos claros para a nota máxima, como a obrigatoriedade de utilizar operadores argumentativos em determinados momentos do texto. Em 2025, esses parâmetros numéricos deixaram de constar no quadro-resumo, sendo substituídos por classificações mais abertas, como presença “regular”, “constante” ou “expressiva” de elementos coesivos. (Agência Brasil)

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