Maioria dos times no Rio deve retomar treinos, mas Frizão continua parado

Retorno do Carioca deve ocorrer em junho
terça-feira, 26 de maio de 2020
por Vinicius Gastin
Marcelo Crivella, prefeito do Rio, e Rubens Lopes, presidente da Ferj
Marcelo Crivella, prefeito do Rio, e Rubens Lopes, presidente da Ferj

O futebol no Rio de Janeiro já ensaia o retorno às atividades, inclusive com possíveis datas para a retomada do Campeonato Carioca. A tendência é que a maioria dos clubes do Estado retomem os treinamentos nesta terça-feira, 27, e assim façam uma espécie de mini pré-temporada até a metade do mês de que vem. Se nada for alterado, a ideia é recomeçar o Estadual da Série A no dia 14 de junho. Para o Friburguense, já garantido na Seletiva do ano que vem, o cenário pouco muda.

Com o cancelamento da Copa Rio, o Frizão ainda não possui calendário profissional definido. Como a questão das divisões de base (onde o Tricolor da Serra participaria de competições) ainda não foi resolvida, o clube não irá retomar os trabalhos de campo neste momento. Clubes como Botafogo e Fluminense, ainda reticentes com o atual cenário da pandemia, ainda resistem.

Uma reunião entre a prefeitura do Rio, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e clubes que disputam o Campeonato Carioca – exceto Botafogo e Fluminense - realizada no último domingo, 24, debateu o plano para a volta do futebol carioca. A mudança no panorama do Carioca começou com os testes dos clubes pequenos, realizados nos últimos dias, e passou por viagens a Brasília tanto do prefeito Marcelo Crivella quanto dos presidentes de Flamengo e Vasco. Eles se reuniram com o presidente da República, Jair Bolsonaro, que defende a volta dos jogos.

Crivella se reuniu com o comitê científico e não debateu sobre futebol - os membros ainda são contra o retorno de treinos e jogos -, mas se discutiu a preocupante situação de casos e mortes na cidade. O prefeito avisou aos clubes que o estado está no pico da curva e sugeriu a volta dos treinos no dia 8 de junho e dos jogos no dia 10 de julho, dando tempo para amenizar a crise sanitária.

Contudo, a vontade de clubes como Flamengo, Vasco e os de menor investimento, com apoio da Ferj, fez efeito e o prefeito cedeu. Os times pequenos que ainda disputam a competição rapidamente passaram a se organizar para retornarem aos treinos. 

A tendência é que voltem aos trabalhos presenciais ainda esta semana, com exames, treinos na academia e de preparação física de uma forma geral - assim como acontece em começo de temporada. Mas com a norma de respeitar os protocolos de segurança que ficaram definidos na reunião. Macaé, Volta Redonda e Resende precisam seguir decretos municipais para treinarem. O Boavista, que apesar de jogar em Saquarema, treina no Rio.

O Macaé havia divulgado nota antes mesmo de reunião, e deixou claro que pretendia voltar aos trabalhos após os exames rápidos para o novo coronavírus que foram feitos nesta segunda-feira, 25, como parte do protocolo do "Jogo Seguro", desenvolvido pela Ferj em parceria com os clubes e profissionais da área da saúde. 

Outra exceção é o Americano, com sede em Campos dos Goytacazes. A equipe, que já está salva e precisa somente cumprir tabela no grupo de descenso, precisará de uma autorização para treinar do município, que está com um decreto para "lockdown", somente com atividades essenciais funcionando. Até o fechamento desta edição, o Nova Iguaçu ainda aguardava para definir se retorna ou não aos treinos esta semana.

O restante dos times pequenos, Madureira, Bangu, Portuguesa e América (que está no grupo da morte) também têm sede na cidade do Rio de Janeiro e podem voltar aos treinos caso nada mude, conforme ficou acordado na reunião. 

Sindicato dos atletas

Após o encontro entre representantes de clubes e autoridades, Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio (Saferj), que se recupera após ter testado positivo para a Covid-19, se pronunciou através de nota. Ele manteve a posição de priorizar a segurança dos jogadores. 

“O sindicato mantém a posição de voltar aos treinamentos só com toda a segurança. Mas tem muitos atletas de clubes menores que querem voltar, até pela necessidade que estão passando. Essa reunião não foi para discutir uma volta, devem estar discutindo treinamentos, protocolos, mas acho que a gente deveria ter uma segurança do governo se pode ou não. Em um primeiro momento a gente não concorda, vamos ter de respeitar o desejo dos atletas, mas nós particularmente somos contra porque estamos vendo que a doença ainda não está sob controle e leva risco para eles”, destaca Sampaio. 

Medidas

O ensaio para o retorno do futebol, além do protocolo “Jogo Seguro”, conta também com um plano elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais do Governo do Estado do Rio de Janeiro para a retomada gradual das atividades em meio a pandemia de coronavírus. Dentre as medidas destacadas estão a lotação máxima de 50% da capacidade total dos estádios e distância mínima de dois metros entre os torcedores. 

Denominado "Pacto social pela saúde e pela economia do Estado do Rio de Janeiro”, o plano é dividido em três fases de retorno (bandeiras vermelha, amarela e verde), relacionadas diretamente a gatilhos como taxa de ocupação de leitos de UTIs e taxa de crescimento de novos casos de Covid-19 negativa. Com relação a eventos esportivos, há três fases. 

A da Bandeira Vermelha, por exemplo, mantém as arenas esportivas fechadas. Já na Bandeira Amarela, o funcionamento fica restrito, com lotação máxima de 50% da capacidade total dos estádios, distanciamento entre torcedores e medidas de higienização. No caso da Bandeira Verde, o funcionamento passa a ser permitido com recomendações de medidas de higiene e boas práticas.

 

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