O Brasil voltou a registrar em setembro a maior taxa de inadimplência de aluguel dos últimos 16 meses. De acordo com o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, o índice chegou a 3,80%, ultrapassando o movimento de julho e agosto (3,76%) e mantendo a tendência de alta. Quando comparado com o mesmo período de 2024 (3,14%), a taxa subiu 0,66 ponto percentual, evidenciando o peso crescente do custo de vida e do endividamento das famílias.
A região Nordeste segue no topo do ranking nacional, com 5,97% de inadimplência, um aumento expressivo em relação aos 4,94% do mês anterior. O Norte aparece logo em seguida, com 4,86%, e o Centro-Oeste ocupa o terceiro lugar, com 3,49%.
Segundo Manoel Gonçalves, diretor de negócios do Grupo Superlógica, a elevação acende um sinal de alerta: “A nova alta preocupa em setembro, apesar de modesta, e mostra que muitas famílias seguem com o orçamento comprometido. É fundamental acompanhar de perto as projeções de inflação e de juros, pois esses fatores impactam diretamente a capacidade de pagamento dos inquilinos neste fim de ano.”
Reflexo na Serra
Em Nova Friburgo, a realidade não é diferente. Imobiliárias locais confirmam o aumento no número de atrasos no pagamento de aluguéis, tanto residenciais quanto comerciais. Embora o índice municipal não seja oficialmente medido, o movimento é perceptível.
A situação é sentida na pele por quem depende do aluguel, como Marcos Almeida, 38 anos, motorista de aplicativo, Ele divide uma casa de dois quartos com a esposa e o filho de 7 anos.
“O aluguel subiu de R$ 1.100 para R$ 1.250 neste ano. Eu até tento pagar em dia, mas quando o movimento cai, não tem milagre. Já atrasei dois meses seguidos e precisei pedir ajuda à família para regularizar”, conta Marcos. O motorista afirma que o aumento no custo de vida tem sido o principal vilão.
Faixas de aluguel e perfis mais afetados
No levantamento nacional, os imóveis de alta renda, com aluguel acima de R$ 13 mil, tiveram queda na inadimplência, passando de 7,02% em agosto para 5,70% em setembro. Já nas faixas mais populares, o cenário é mais preocupante.
Os imóveis residenciais de até R$ 1 mil registraram inadimplência de 5,96%, a segunda maior entre todas as faixas. Na prática, são justamente os que atingem famílias com menor renda, e que sentem com mais força o impacto da inflação.
Casas, apartamentos e imóveis comerciais
De acordo com o levantamento da Superlógica, os apartamentos apresentaram leve queda na inadimplência, de 2,58% em agosto para 2,45% em setembro. Já as casas tiveram uma redução mais significativa, de 4,27% para 3,84%. Por outro lado, os imóveis comerciais registraram aumento de 5,20% para 5,55% no último mês.
Essa tendência também é percebida em Nova Friburgo. Segundo uma imobiliária da cidade, os imóveis comerciais representam hoje quase 60% das negociações de cobrança em aberto.
Expectativas para o fim do ano
Com a aproximação das festas e o pagamento do 13º salário, o mercado imobiliário espera uma leve recuperação nos próximos meses. No entanto, especialistas alertam que o alívio pode ser temporário.
“Historicamente, dezembro e janeiro trazem uma melhora na inadimplência, mas é algo sazonal. Se o custo de vida continuar subindo, o problema pode voltar logo no início de 2026”, explica Gonçalves.
Para os locatários que enfrentam dificuldades, a orientação é buscar diálogo com os proprietários ou imobiliárias. Renegociar prazos e parcelar valores pode evitar ações judiciais e preservar o vínculo contratual.
Enquanto isso, famílias como a de Marcos seguem tentando equilibrar as contas em meio à instabilidade econômica. “A gente quer pagar tudo em dia, claro. Mas quando o dinheiro não dá, o jeito é negociar e torcer para as coisas melhorarem”, resume ele, num retrato que se repete em muitos lares friburguenses.
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Reportagem da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim

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