Junho é um dos meses mais aguardados pelos brasileiros. As festas juninas tomam conta das cidades, enquanto a Copa do Mundo movimenta torcedores em reuniões familiares, festas e celebrações. No entanto, o que representa alegria para muitas pessoas pode ser motivo de sofrimento para milhares de animais domésticos.
O uso de fogos de artifício e outros artefatos sonoros durante as comemorações acende um alerta entre veterinários e entidades de proteção animal. O barulho das explosões pode desencadear crises de ansiedade, pânico, acidentes e até agravar problemas de saúde nos pets.
Cães, gatos, aves e outros animais possuem uma audição muito mais sensível do que a dos humanos. Por isso, sons considerados suportáveis para as pessoas podem ser extremamente assustadores para eles.
Reações além do medo
O impacto dos fogos não se resume ao susto momentâneo. Especialistas explicam que o ruído acontece de forma repentina, sem que o animal consiga prever quando ocorrerá a próxima explosão. A situação gera um estado de alerta constante, aumentando os níveis de estresse e ansiedade.
Além do som, os clarões produzidos pelos fogos também contribuem para o desconforto. Em muitos casos, os animais tentam fugir, podendo sofrer quedas, colisões, ferimentos e até se perderem de seus tutores.
Os atendimentos veterinários relacionados ao medo provocado pelos fogos costumam aumentar em períodos de grandes comemorações. Entre os sintomas estão tremores, salivação excessiva, falta de apetite, taquicardia, vocalização intensa e comportamento agressivo ou apático.
Em situações mais graves, entre animais idosos ou com doenças cardíacas e respiratórias, o estresse extremo pode levar a complicações severas e até ao óbito.
Como proteger os pets
A principal recomendação dos especialistas é investir na prevenção. Preparar o ambiente antes do início das comemorações pode reduzir significativamente o sofrimento dos animais. Uma das orientações é manter portas, janelas e cortinas fechadas, diminuindo a entrada dos ruídos externos e dos flashes luminosos. Criar um espaço confortável e protegido também ajuda o animal a se sentir mais seguro.
Outra medida é utilizar sons ambientes, como televisão ligada em volume moderado, ventiladores ou músicas suaves, para ajudar a mascarar os ruídos dos fogos.
Os tutores também devem respeitar o comportamento natural dos pets. Muitos procuram locais menores e mais fechados para se esconder. Nesses casos, não é recomendado forçar a saída do esconderijo.
Manter por perto objetos familiares, como cobertores, brinquedos e caminhas, pode proporcionar conforto durante os momentos de maior tensão. Em alguns casos, produtos específicos, como difusores de feromônios sintéticos e protetores auriculares desenvolvidos para animais, também podem auxiliar. Demonstrar presença e acolhimento ajuda a reduzir a sensação de insegurança.
Um debate sobre o bem-estar animal
A discussão sobre os impactos dos fogos de artifício tem ganhado força nos últimos anos. Além dos animais domésticos, a fauna silvestre também sofre consequências. Aves podem abandonar ninhos, perder filhotes e sofrer acidentes durante tentativas de fuga provocadas pelo medo das explosões.
Diante desse cenário, campanhas de conscientização defendem a substituição dos fogos com estampido por versões silenciosas, capazes de manter o aspecto visual das celebrações sem provocar sofrimento aos animais.

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