Os vereadores Cláudio Damião (PT) e Marcos Marins (PSD) denunciaram, na semana passada, as condições insalubres de uma área utilizada por servidores da Guarda Municipal dentro do Hospital Municipal Raul Sertã. Durante uma fiscalização de rotina, os parlamentares encontraram o quarto de descanso dos guardas tomado por fezes de pombo, paredes com mofo e sinais de falta de manutenção.
Segundo Damião, o espaço é utilizado por agentes que cumprem escalas na unidade hospitalar e as condições encontradas representam riscos à saúde dos servidores. “Não é possível que uma situação dessas passe despercebida. Os servidores merecem um ambiente digno e seguro para exercer suas funções”, afirmou.
Condições precárias
Ainda de acordo com Cláudio Damião, o quarto fica no último andar do hospital e é utilizado por cerca de 16 guardas municipais por turno. No local também estariam armazenados documentos da unidade de saúde.
“O espaço reservado para o descanso dos servidores que cumprem escalas no hospital é caso de polícia. Eu mesmo fiquei com medo de contrair qualquer tipo de doença. As fezes de pombo são altamente perigosas para a saúde humana. Imagina isso dentro de um hospital? Irei tomar as medidas que cabem ao trabalho como vereador. Não é possível que ninguém veja isso”, declarou.
Durante a vistoria, o parlamentar também identificou que o único extintor de incêndio encontrado no andar estava com a manutenção vencida. Após a fiscalização, o vereador informou que encaminhará a denúncia aos órgãos competentes e cobrará providências da administração municipal.
Medicamentos vencidos
Na fiscalização, o vereador Marcos Marins denunciou que duas salas do hospital estavam trancadas, cheias de caixas de papelão abertas com lixo químico perigoso e medicamentos vencidos há mais de três anos. Até remédios que foram doados pela Marinha estavam amontoados. “O cenário é de total ilegalidade: os remédios vencidos não estavam lacrados para descarte como exige a lei, gerando um risco sanitário”, observou Marins.
Em um vídeo postado em suas redes sociais, o vereador destacou: “Enquanto isso, falta remédio na UTI, na emergência, no repouso adulto e na ala infantil. Servidores e pacientes sofrem, enquanto parte do estoque está amontoado estragando.”
Indignado, o vereador Marcos Marins anunciou, na postagem que protocolou a denúncia no Ministério Público para a apuração judicial do caso. “A população merece respostas. Isso tudo não é normal. Quem autorizou essas compras? Qual a justificativa para essa quantidade? Por que esses medicamentos nunca chegaram aos pacientes?”, questiona Marins.
TAC prevê melhorias
A denúncia dos vereadores ocorre em meio à vigência de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em 2024, que prevê melhorias nas condições de trabalho dos servidores do Hospital Raul Sertã.
O caso reacende o debate sobre a infraestrutura oferecida aos profissionais que atuam na principal unidade pública de saúde de Nova Friburgo e sobre o cumprimento das medidas previstas no acordo.
O que diz a prefeitura
Procurada por A VOZ DA SERRA nesta segunda-feira, 22, a Prefeitura de Nova Friburgo, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que a área de descanso utilizada pelos guardas municipais já foi transferida para outro espaço e que a sala apontada na denúncia passou por limpeza.
A pasta esclareceu ainda que há farmacêutico de plantão 24 horas na unidade e que os equipamentos encontrados no local são considerados inservíveis, sem possibilidade de reparo, aguardando apenas os trâmites necessários para leilão e remoção.
Sobre os medicamentos vencidos identificados durante a fiscalização, a secretaria informou que os itens foram adquiridos pela própria unidade com base em estimativas de consumo que não se concretizaram. Segundo a pasta, como o hospital funciona de portas abertas e atende diversas especialidades, as compras são realizadas considerando a média de utilização dos últimos três anos.
A secretaria acrescentou que parte do material era composta por amostras grátis doadas pela Polícia Civil, que não podem ser utilizadas no atendimento público por determinação das normas sanitárias. Os medicamentos, segundo a nota, estavam armazenados em área segregada da estrutura hospitalar e aguardavam descarte por empresa especializada contratada pela prefeitura, em conformidade com as exigências legais e sanitárias.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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