A conclusão das obras do Hospital de Oncologia Francisco Faria, na Ponte da Saudade, representa uma grande esperança para pacientes com câncer e seus familiares. No entanto, a construção da unidade de saúde, aguardada há anos pela população, tem sido marcada por atrasos, mudanças no projeto e sucessivos adiamentos na previsão de entrega.
Na última semana, A VOZ DA SERRA, mais uma vez, questionou o Governo do Estado do Rio de Janeiro sobre a demora na inauguração do tão esperado hospital e obteve como resposta, em nota da Secretaria estadual de Saúde (SES-RJ) que os processos licitatórios para a aquisição de equipamentos para o hospital já foram iniciados e seguem os trâmites legais previstos na legislação.
Ainda segundo a SES, a estrutura interna do prédio está concluída. Já a área externa, no momento, está com 80% da execução concluída. Restam apenas serviços de acabamento em alguns espaços adicionais como a brinquedoteca (destinada ao entretenimento dos filhos de pacientes durante a espera por atendimentos dos pais) e a lanchonete, que atualmente têm aproximadamente 70% das obras finalizadas. A nota informou também que o investimento total previsto para a unidade de saúde ultrapassa R$ 75 milhões, com expectativa de finalização no primeiro semestre deste ano, permitindo que o hospital entre em funcionamento logo após a conclusão das obras.
Um projeto marcado por interrupções
A saga da construção do hospital oncológico de Nova Friburgo começou em 2012, quando foi lançada a pedra fundamental do projeto. Desde então, a obra enfrentou uma série de obstáculos que contribuíram para o atraso na entrega.
Entre os problemas registrados ao longo dos anos estão paralisações, embargos, saques e até incêndios no local. A unidade está sendo instalada nas antigas dependências do Centro Adventista de Vida Saudável (Cavs), na Ponte da Saudade.
As intervenções para adaptação do espaço foram retomadas de forma definitiva apenas em 2022. Desde então, o cronograma de conclusão sofreu novas revisões.
Inicialmente, a previsão era de que a obra fosse entregue no fim de 2024. Posteriormente, o prazo foi adiado para o primeiro trimestre de 2025, mas novamente não foi cumprido devido a atrasos relacionados à instalação de equipamentos e adequações estruturais.
Debate político e incertezas
Em janeiro de 2025, o governador Cláudio Castro chegou a afirmar que as obras do hospital poderiam ser prejudicadas após os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à lei complementar 212, que institui o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
A proposta previa a renegociação de mais de R$ 760 bilhões em dívidas estaduais com a União. Cerca de 90% desse valor corresponde a débitos de quatro estados: Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Dois dias após o anúncio do veto, o governador visitou as obras do hospital em Nova Friburgo e declarou que a unidade seria concluída ainda naquele ano. O prazo, porém, não foi cumprido.
Estrutura
Quando estiver em funcionamento, o Hospital Oncológico Francisco Faria terá um perfil assistencial voltado ao atendimento de pacientes adultos com câncer. A unidade contará com 48 leitos de enfermaria, dez leitos de terapia intensiva e um centro cirúrgico com cinco salas.
O hospital também terá um centro de imagem equipado com aparelhos de ressonância magnética, tomografia, mamografia, raio X e ultrassonografia. Entre os serviços previstos também está o tratamento de radioterapia, considerado essencial no combate a diversos tipos de câncer.
Importância para a região
A conclusão do hospital é considerada fundamental para a Região Serrana. Atualmente, muitos pacientes de Nova Friburgo e cidades próximas precisam se deslocar para municípios como Rio de Janeiro, Niterói e Petrópolis para realizar consultas, exames e tratamentos especializados.
Essa realidade torna o acesso ao tratamento mais difícil, especialmente para pacientes em situação de vulnerabilidade ou que dependem do sistema público de saúde.
Avanços em outras regiões do estado
Enquanto o hospital friburguense ainda aguarda conclusão, outras regiões do estado já receberam novas unidades voltadas ao tratamento do câncer. No dia 11 de fevereiro deste ano, foi inaugurado o Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense, conhecido como Onco Baixada. A unidade é a primeira da região dedicada exclusivamente ao tratamento oncológico.
Com investimento de R$ 87,3 milhões, o hospital possui 12 mil metros quadrados e funciona ao lado do Rio Imagem Baixada. A estrutura tem capacidade para realizar até cinco mil atendimentos, 340 internações e 300 cirurgias por mês. O instituto conta com 100 leitos exclusivos para oncologia, sendo 81 de enfermaria, dez de UTI, oito de cuidados críticos e um de estabilização.
Segundo a SES, a unidade também contribuiu para zerar a fila de 162 pacientes que aguardavam a primeira consulta em mastologia oncológica na capital e na Baixada Fluminense, regiões que concentram grande demanda pelo serviço.
Esperança para pacientes friburguenses
Diante desse cenário, moradores de Nova Friburgo aguardam com expectativa a conclusão do Hospital do Câncer. Para muitos pacientes e familiares, a nova unidade representa não apenas a ampliação do acesso ao tratamento, mas também a possibilidade de receber cuidados médicos especializados mais perto de casa. Enquanto isso, os pacientes oncológicos têm que enfrentar viagens longas e desgastantes ao Rio de Janeiro e Teresópolis para submeterem-se a tratamentos, como quimio e radioterapias, além de exames de rotina.
A expectativa agora é de que o cronograma atual seja finalmente cumprido e que, após mais de uma década de espera, o hospital possa começar a atender a população da região.

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