A relação de irmandade entre friburguenses e suíços foi tema de um encontro na última quinta-feira, 23, do historiador suíço Martin Nicoulin - autor do livro “A gênese de Nova Friburgo” - com o prefeito Johnny Maycon (PL) e diretores da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio). O encontro foi intermediado pelo presidente das duas entidades, Braulio Rezende, amigo de Martin que o trouxe ao Brasil para tratar do relançamento da obra, pela editora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), previsto para meados de 2026.
Braulio lembrou que o livro, publicado em francês em 1976 e traduzido para o português na década de 1980, reconstituiu os primeiros anos de colonização da cidade e abriu caminho para uma série de iniciativas que estreitaram laços econômicos e culturais de Nova Friburgo com a Suíça. Entre ações que resultaram do sucesso do livro, ele destacou a vinda de um grupo de suíços à cidade e a criação do Instituto Fribourg-Nova Friburgo e da Associação Fribourg-Nova Friburgo, em 1977; a inauguração da Queijaria-Escola e da Chocolataria, em 1987; a ida de mais de 300 friburguenses à Suíça, em 1981; e a implantação da Casa Suíça, com o Memorial da Colonização Suíça, em 1996.
“Martin veio para cá no fim da década de 1960, para pesquisa de doutorado, ficou hospedado no Colégio Nova Friburgo e construiu uma rede de amigos que o ajudou no trabalho, formada, entre outras pessoas, pelas freiras da extinta Faculdade Santa Doroteia. Conheceu o ex-prefeito Heródoto Bento de Mello e o irmão dele, Ariosto, que viajou depois à Suíça e estabeleceu uma bonita parceria que gerou todo esse movimento em nosso município”, comentou Braulio, ressaltando episódios vividos pelo historiador na cidade e que contaram com mais dois importantes protagonistas, os irmãos Jayme e Raphael Jaccoud.
Ativo e com excelente memória aos 85 anos, Martin Nicoulin relatou detalhes sobre a elaboração do livro e revelou que procederá, para a reedição, a uma ampliação do conteúdo, com o acréscimo de fatos relevantes ocorridos posteriormente. Ele salientou a boa impressão deixada em seu país pela visita dos friburguenses em 1981 e opinou que o legado da aliança Fribourg-Nova Friburgo não pode ser descuidado, nem descaracterizado, por ter se tornado patrimônio da cidade.
“Eu me sinto fundador dessa mobilização para união dos nossos povos. Desejo que isso tudo continue. Devemos recordar e reforçar o que passou e olhar para o presente para projetar o futuro”, sublinhou ele, que recebeu o título de Cidadão Friburguense em 1974.
Homenagem prestada pelas entidades
Diretores da CDL e do Sincomércio homenagearam Martin Nicoulin na sede das entidades na manhã de sexta-feira, 24. Na ocasião, o historiador se emocionou especialmente em dois momentos: quando ganhou o livro “O comércio de Nova Friburgo: Histórias e personagens” e durante a exibição do filme “Reaproximação”.
O livro utilizou o acervo da CDL e do Sincomércio – documentos, atas, fotografias – para reviver memórias do comércio friburguense, com foco na atuação de empresários que contribuíram para o desenvolvimento das entidades e do município. Lançado em fevereiro, pela Editora Senac Rio, com apoio da Fecomércio RJ, guarda, em 352 páginas, mais de 500 fotos de arquivo. A pesquisa e o texto são da jornalista Simone Assad, assessora de imprensa da CDL e do Sincomércio.
Já o filme mostra depoimentos de Martin, na Suíça, e Heródoto, em Nova Friburgo, gravados pelo publicitário Alexandre Meinhardt em 2007. Os dois falaram sobre o surgimento da ideia e sobre como se dedicaram a conectar Nova Friburgo à Suíça, particularmente ao cantão de Fribourg, de onde, em 1819, saiu a maioria dos colonos com destino ao Brasil.

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