As aglomerações, o uso intenso do celular e o aumento de pagamentos digitais criam o cenário perfeito para a ação de golpistas durante o carnaval. Em 2025, segundo a Serasa Experian, houve uma tentativa de fraude a cada 2,4 segundos nos dias de folia em todo o Brasil. Diferentemente dos furtos físicos, muitos desses crimes só são percebidos dias depois, quando a vítima confere o extrato bancário ou recebe cobranças indevidas.
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) recomenda que os foliões ajustem previamente os limites do Pix e dos cartões ao valor que pretendem gastar. A medida simples pode reduzir significativamente os prejuízos caso o celular ou o cartão caia em mãos erradas.
De acordo com a Serasa, as novas fraudes estão ligadas à busca por conexão e bateria. Um dos golpes mais comuns é o do wi-fi falso: redes com nomes genéricos, como “Carnaval Free” ou “Wi-Fi Bloco”, são criadas para capturar dados de quem se conecta, incluindo senhas e informações bancárias.
Wi-fi falso e armadilhas para o celular
A recomendação dos especialistas é evitar redes públicas desconhecidas e usar apenas a conexão móvel (4G ou 5G) durante a folia. Outra ameaça são os totens de carregamento USB em locais públicos, que podem ser usados para instalar programas maliciosos enquanto o aparelho carrega, já que a entrada USB transmite dados e energia ao mesmo tempo.
Pagamentos por aproximação também exigem atenção. A tecnologia NFC pode ser explorada quando criminosos aproximam maquininhas de bolsos e bolsas para realizar cobranças indevidas sem que a vítima perceba.
Advogados alertam que, geralmente, os criminosos se aproveitam do movimento intenso para aplicar fraudes que passam despercebidas. Um dos golpes mais comuns é a troca de cartões, quando o consumidor entrega o cartão ao vendedor, tem a senha observada e recebe outro cartão parecido
Troca de cartão e cuidado na hora de pagar
É melhor priorizar pagamentos por aproximação com cartão ou carteiras digitais, que exigem autenticação em duas etapas, como biometria ou reconhecimento facial. Também é importante conferir com atenção o valor exibido na maquininha antes de concluir qualquer compra.
Outro risco é o roubo de celular desbloqueado. Nesse caso, o criminoso pode realizar transações antes que a vítima consiga bloquear o aparelho. Por isso, ativar senha ou biometria no desbloqueio e definir limites de pagamento nos aplicativos do banco são medidas consideradas essenciais, especialmente durante o carnaval.
Entre os crimes mais comuns estão o esvaziamento de contas por transferências rápidas, pedidos de dinheiro feitos a contatos da vítima nas redes sociais e o chamado golpe do falso suporte técnico. Falhas básicas de segurança, como senhas fracas e ausência de autenticação em dois fatores, facilitam o acesso às contas.
A prevenção, segundo os especialistas, deve começar antes mesmo de sair de casa. Reduzir temporariamente os limites do Pix, ativar biometria, usar autenticação em dois fatores e manter senhas diferentes para o celular e para aplicativos bancários aumentam a proteção e ajudam os sistemas antifraude a identificar movimentações suspeitas.
Se o furto ou roubo acontecer, a orientação é agir rápido. Bloquear o aparelho, avisar o banco, registrar boletim de ocorrência e contestar as transações o quanto antes aumenta as chances de conter o prejuízo e recuperar valores.
Golpe da maquininha e recomendações da Febraban
A Febraban alerta que um dos crimes mais frequentes nesta época do ano é o “golpe da maquininha”. Nele, o golpista observa a digitação da senha e, ao devolver o cartão, faz a troca sem que a vítima perceba. Com o cartão e a senha, realiza compras indevidas em seguida.
A entidade orienta que o visor da maquininha mostre apenas asteriscos no campo da senha e que o cliente não conclua a compra se o display estiver danificado. Também é importante inserir pessoalmente o cartão e conferir se o cartão devolvido é realmente o seu.
Outra dica é sempre pedir o comprovante da transação ou conferir no aplicativo do banco ou por SMS se o valor debitado está correto, inclusive em pagamentos por aproximação. Personalizar o cartão e ajustar previamente os limites de gasto também ajudam a reduzir riscos.
Redobre os cuidados com o celular
Os cuidados devem ser redobrados com o celular, que não deve ser levado solto em bolsos ou bolsas em locais muito cheios. Em casos de roubo com o aparelho desbloqueado, criminosos podem acessar senhas salvas e tentar entrar no aplicativo bancário da vítima.
A Febraban reforça que os aplicativos dos bancos seguem padrões rigorosos de segurança e não há registros de invasão direta desses sistemas. Ainda assim, recomenda o uso do aplicativo Celular Seguro, do Ministério da Justiça, que permite bloquear rapidamente um aparelho perdido, furtado ou roubado.
Números preocupam e reforçam necessidade de prevenção
Dados da Associação de Defesa dos Direitos do Público (ADDP) indicam que, entre janeiro e setembro de 2025, foram registrados cerca de 28 milhões de golpes envolvendo o Pix e 2,7 milhões de compras online fraudulentas no Brasil. Para o advogado Francisco Gomes Junior, presidente da entidade, o carnaval reúne todos os fatores que favorecem a ação criminosa.
Ele recomenda que, em festas e blocos de rua, a pessoa leve um celular mais simples, com apenas o aplicativo do banco e um valor mínimo disponível, deixando o aparelho principal em casa. A estratégia reduz o impacto caso ocorra furto ou roubo. (Fonte: Agenda do Poder)

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