Ana Luísa Rocha
A nutrição como aliada da fertilidade
Para a nutricionista Ana Luísa Rocha, a própria estação oferece alimentos que fortalecem a saúde hormonal. Frutas vermelhas como morangos, cerejas e amoras são ricas em antioxidantes, que protegem os óvulos do estresse oxidativo. Verduras como aspargos, rúcula e espinafre fornecem folato, fundamental para a fertilidade e para a saúde do bebê ainda na gestação.
As ervas frescas da estação, como manjericão e hortelã, auxiliam na digestão e no equilíbrio metabólico. Já as frutas cítricas, laranja, limão e tangerina, contribuem com vitamina C, essencial para a absorção do ferro e para a saúde dos vasos sanguíneos, o que favorece a irrigação uterina.
“Assim como a primavera desperta a vida na natureza, a alimentação colorida e rica em nutrientes desperta processos internos importantes para a fertilidade feminina”, afirma a especialista.
Autocuidado: cultivando a “primavera interna”
A primavera também inspira leveza e renovação, e isso pode ser traduzido em práticas de autocuidado que fortalecem corpo e mente para uma possível gestação. Atividades físicas suaves, como caminhadas, ioga ou dança, ajudam na circulação e reduzem o estresse. O sono regulado garante a recuperação do organismo e mantém os ciclos hormonais em equilíbrio.
Além disso, práticas como meditação e respiração consciente têm efeito positivo sobre a saúde reprodutiva, já que diminuem os níveis de cortisol, hormônio do estresse, que pode interferir na ovulação.
Entretanto, alguns hábitos devem ser evitados, especialmente para quem busca engravidar. O consumo excessivo de açúcar aumenta a resistência à insulina e favorece inflamações que dificultam a ovulação. Bebidas alcoólicas afetam a qualidade dos óvulos e reduzem as chances de concepção. Gorduras trans, presentes em ultraprocessados e fast food, prejudicam a função hormonal. O excesso de cafeína também pode comprometer a qualidade dos óvulos e a implantação do embrião.
Outro vilão moderno é o uso exagerado de telas à noite, que desregula a melatonina e interfere no ciclo hormonal. “Cuidar do corpo e da mente é como preparar o solo para que a semente floresça. A fertilidade depende desse equilíbrio”, reforça Ana Luísa.
Fertilidade além do biológico
A primavera não favorece apenas a fertilidade no sentido reprodutivo. A estação é também símbolo de abundância em outras áreas da vida. Muitas mulheres relatam aumento da criatividade, disposição para novos projetos, abertura para relacionamentos e até um florescimento da autoestima.
Esse movimento pode ser explicado tanto pela biologia quanto pela psicologia. O aumento da serotonina, hormônio ligado ao bem-estar, durante os dias mais ensolarados traz mais energia e motivação. Ao mesmo tempo, as cores vivas e a possibilidade de maior contato com a natureza despertam um senso de renovação e novas oportunidades.
“Na primavera, o corpo e a mente entram em sintonia com o ciclo natural da vida. É uma estação que convida à leveza, à esperança e ao florescimento interno e externo”, finaliza a nutricionista.
Um convite à renovação
Seja na agricultura dos antigos celtas, nos laboratórios de reprodução assistida ou nas práticas cotidianas de autocuidado, a primavera mantém sua força simbólica e real como estação da fertilidade. Mais do que o simples brotar das flores, é o período em que o corpo humano também encontra condições ideais para se renovar, gerar vida e abrir caminhos para novos começos. A primavera, afinal, é mais do que uma estação: é um convite para florescer.
Reportagem da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim

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