Feminicídios têm novo recorde no Brasil

Nova Friburgo, felizmente, mantém índices abaixo da média nacional
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
por Estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim
Foto: Freepik
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Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia em todo o país e supera o total de 2024, que até então havia sido o ano mais violento desde a criação da tipificação do crime.

Mesmo com dados ainda incompletos, já que os números de dezembro do Estado de São Paulo não foram totalmente atualizados, o cenário nacional é de crescimento contínuo. A taxa de feminicídios no Brasil permaneceu em 0,69 morte a cada 100 mil habitantes, índice que se repete desde 2022, evidenciando a dificuldade de reduzir a violência letal contra mulheres.

São Paulo é o estado que lidera em números absolutos, com 233 casos, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). Os crimes, em sua maioria, ocorrem no contexto de relações afetivas marcadas por histórico de ameaças, agressões e perseguições, muitas vezes ignoradas antes do desfecho fatal.

Crescimento de 316% em dez anos

O feminicídio passou a ser tipificado como crime em 2015. Naquele ano, foram registrados 535 casos. Em uma década, o aumento chegou a 316%, com 13.448 mulheres assassinadas pelo fato de serem mulheres. A média anual é de 1.345 crimes, sendo que os estados de São Paulo (com 1.774 casos), Minas Gerais (1.641) e Rio Grande do Sul (1.019) concentram os maiores números ao longo desses dez anos. 

Já Roraima (7), Amapá (9) e Acre (14) aparecem com os menores registros do Brasil. Quando analisada a taxa por 100 mil habitantes, Acre (1,58), Rondônia (1,43) e Mato Grosso (1,36) lideram o quesito menos feminicídios, enquanto Amazonas (0,46), Ceará e São Paulo (0,51) apresentam as menores taxas.

Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, os dados ainda são subestimados. Segundo ela, muitos crimes que deveriam ser classificados como feminicídio acabam registrados apenas como homicídio, o que compromete a consolidação do tipo penal e a real dimensão do problema. Em alguns estados, o feminicídio representa até 60% das mortes de mulheres; em outros, não chega a 20%.

Mudança na legislação endurece penas

Em outubro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova lei que endurece as penas para crimes de feminicídio e violência contra a mulher no Brasil. A pena mínima passou de 12 para 20 anos de prisão, podendo chegar a 40 anos.

O texto prevê aumento de pena em um terço quando a vítima estiver grávida ou até três meses após o parto, quando for menor de 14 anos ou maior de 60, ou ainda quando o crime ocorrer na presença de filhos ou pais da vítima. Apesar do endurecimento legal, especialistas alertam que a prevenção ainda é o maior desafio.

Nova Friburgo se destaca positivamente

Em contraste com o cenário nacional, Nova Friburgo apresenta dados que chamam atenção. Em 2025, não houve registro de feminicídio consumado no município, segundo dados locais. Em 2024, foi registrado um caso de feminicídio e três tentativas, segundo a Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher (Deam).

Considerando a taxa por 100 mil habitantes, Nova Friburgo registrou 0,5 feminicídio em 2024, abaixo da média do Estado do Rio de Janeiro, que ficou em 0,8. Em 2025, houve dois casos registrados no município, o que representa uma taxa de 1 por 100 mil habitantes, ainda próxima da média estadual.

Na capital fluminense, os números são mais elevados. Em 2024, o município do Rio de Janeiro registrou 51 feminicídios e 117 tentativas. Em 2025, foram 47 feminicídios e 103 tentativas, com taxa de 0,76 por 100 mil habitantes.

Especialistas destacam que a presença de uma rede estruturada de proteção à mulher em Nova Friburgo pode explicar os índices mais baixos. O município é o único da Região Serrana a contar simultaneamente com um Centro de Referência da Mulher (Crem) e uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Atuação da sociedade civil fortalece prevenção

Outro fator relevante é a atuação da Organização da Sociedade Civil Tecle Mulher. A instituição possui titulação de Oscip pelo Ministério da Justiça, é certificada como Utilidade Pública Municipal e integra a Rede de Serviços do Disque 180.

Criada em 2008, a Tecle Mulher oferece gratuitamente apoio moral, orientação jurídica e encaminhamento a serviços especializados. A organização também realiza estudos e estatísticas sobre violência contra a mulher na Região Serrana e atua em ações educativas junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, escolas, universidades, comércio e clubes de serviço.

Entre 2024 e 2025, a instituição participou de projetos de prevenção em municípios como Bom Jardim, Cantagalo, Cordeiro, Duas Barras, Nova Friburgo e Santa Maria Madalena, reforçando a importância de políticas integradas.

Como denunciar

Casos de violência contra a mulher devem ser denunciados imediatamente. Em situações de emergência, o telefone é o 190, da Polícia Militar. A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas pelo Disque 180 e pelo WhatsApp (61) 9610-0180.

Em Nova Friburgo, a Deam funciona anexo à 151ª DP, na Avenida Presidente Costa e Silva, na Vila Nova. O telefone é (22) 2533-4023.

 

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