O número de adolescentes de 16 e 17 anos que, mesmo não tendo a obrigatoriedade, tiraram o título de eleitor para participar das eleições gerais deste ano, em outubro, deve ser o menor dos últimos anos no Brasil. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), analisados pelo Instituto Lamparina e pelo movimento Girl Up Brasil, apontam que a participação dessa faixa etária caiu significativamente em comparação aos pleitos anteriores.
Em Friburgo, 154,3 mil eleitores irão às urnas em outubro escolher o presidente da República, governador, senadores, deputados federais e estaduais
A projeção indica que entre 1,44 milhão e 1,6 milhão de jovens dessa idade solicitaram o documento até o fim do prazo para emissão do título, encerrado nesta quarta-feira, 6. O número representa cerca de 27,6% da população brasileira de adolescentes de 16 e 17 anos, abaixo dos percentuais registrados em 2014 (33,7%), 2018 (31%) e 2022 (41,2%).
Entre os estados brasileiros, Rio de Janeiro e São Paulo aparecem com os menores índices de participação proporcional de jovens eleitores do país. Enquanto estados das regiões Norte e Nordeste registram maior adesão entre adolescentes, o Sudeste demonstra um cenário de afastamento político dessa parcela da população.
Especialistas apontam que diversos fatores podem explicar a redução do interesse dos adolescentes pelo processo eleitoral, como o descrédito na política, a falta de incentivo dentro das escolas e até mesmo o excesso de informações nas redes sociais, muitas vezes acompanhado de desinformação e polarização.
Em Nova Friburgo
Nesta quinta-feira, 7, a redação de A VOZ DA SERRA entrou em contato com os cartórios das zonas eleitorais de Nova Friburgo (26ª e 222ª ZEs) para obter informações sobre quantos adolescentes de 16 e 17 anos emitiram o título de eleitor no município neste ano, mas essa totalização ainda não havia sido concluída até o fechamento desta edição.
Embora o voto seja facultativo para jovens de 16 e 17 anos, a emissão do título representa um primeiro contato com a participação democrática. Em anos anteriores, campanhas nas redes sociais, mobilização de artistas e influenciadores e ações de conscientização ajudaram a impulsionar o número de novos eleitores adolescentes, especialmente em 2022.
Desinteresse com a política
A redução da participação juvenil nas eleições levanta um alerta sobre o envolvimento das novas gerações nas decisões políticas do país. Para especialistas, estimular o debate sobre cidadania e democracia nas escolas e nos espaços sociais pode ser fundamental para aproximar os adolescentes da vida pública e do exercício do voto.
Mobilização
Devido à baixa adesão dos jovens pela política, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), junto com o TSE, anunciou que manterá ativa uma campanha para aumentar o número de jovens que queiram exercer seu direito ao voto. A mobilização é formada por um conjunto de campanhas permanentes nas redes sociais, ações em escolas e até “gincanas digitais” voltada aos Núcleos de Cidadania do Adolescente (NUCAs).
A proposta é premiar grupos que consigam aumentar proporcionalmente o número de jovens com título de eleitor nos próximos pleitos, e também incentivar a produção de conteúdos sobre o tema.
As eleições deste ano
Este ano os brasileiros irão às urnas no dia 4 de outubro para escolher os novos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Para presidente e governador, poderá haver segundo turno, caso o primeiro colocado para estes dois cargos não obtenha 50% dos votos mais um. Neste caso, os eleitores deverão voltar às urnas no último domingo de outubro, dia 25. Em Nova Friburgo irão às urnas este ano 154,3 mil eleitores.
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