“Essa data mexe comigo”, diz responsável pela capela de Santo Antônio em 2011

Padre Leão ainda se emociona e diz que foi o povo de Nova Friburgo que recuperou a capela e reconstruiu a cidade
sexta-feira, 08 de janeiro de 2021
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Padre Leão diante da capela recuperada (Fotos: Henrique Pinheiro)
Padre Leão diante da capela recuperada (Fotos: Henrique Pinheiro)

 

Uma das imagens mais marcantes da tragédia de 2011 e que rodou o mundo é a tomada aérea da Praça do Suspiro em que é possível ver um imenso amontoado de terra e lama que deslizaram da encosta ao fundo da Capela de Santo Antônio. O Morro da Cruz cedeu em diversas partes e a avalanche tomou conta do local, destruindo carros, o anfiteatro e parte da igreja.

“Essa data mexe comigo”. Dez anos depois, a lembrança ainda é marcante para o padre Antônio Leão Ferreira, que era o responsável pela capela em 2011. Ao sair de casa na manhã de 12 de janeiro daquele ano o religioso nos contou que durante a madrugada viu o transbordo do Rio Bengalas, mas não sabia que iria encontrar lama, dois carros dentro da igreja e um cenário de destruição. Foram necessários dois anos para reconstruir a capela.

“Ela se tornou símbolo da reconstrução da cidade. O mundo todo voltou seus olhares para a capela de Santo Antônio. Foi o povo de Nova Friburgo que recuperou a capela e reconstruiu a cidade. Se hoje a capela está de pé é porque foi reconstruída pelos friburguenses e com dinheiro de friburguenses. Tivemos muitos empresários que foram amigos e fizeram a diferença com doações para que a paróquia fosse reconstruída. A mão de Deus reconstruiu nossa cidade através das mãos humanas de cada friburguense”, lembrou o padre. Ainda naquele ano, foi possível celebrar uma missa, mas de maneira improvisada. “Aconteceu do lado de fora da capela, no dia de Santo Antônio. Foi feita sem som, sem nada, só no gogó”, lembrou.  

Emocionado, o padre Leão lembrou que ele foi um dos sacerdotes a atuar na linha de frente na recuperação da capela e na ajuda às milhares de famílias atingidas. O padre fez questão de elogiar os trabalhos da PM e do Corpo de Bombeiros no resgate e preservação de vidas. Também lembrou com carinho dos voluntários que levavam doações aos moradores de regiões isoladas e que passavam necessidade.

“Eu fui uma das pessoas que ficaram à frente da tragédia, junto com a prefeitura e o Corpo de Bombeiros, que fez um trabalho impecável. O então bispo Dom Edney Gouvêa Mattoso transferiu a sede episcopal para o Colégio N.S. das Dores e lá fizemos campanha de doação de roupas e alimentos. Um grupo de jipeiros pegava esses materiais e conseguiam levar para localidades isoladas. A Coca-cola doou duas carretas com água e diversas bebidas”, recordou. 

“Teve um dia em que falaram para mim que não tinha mais comida. Chamei dois jipeiros e fomos à igreja Comunidade Cristã. Meus irmãos evangélicos nos ajudaram muito. Enchemos dois carros com alimentos até que chegassem as doações da campanha. Foi uma união de todos e muito bonita”, disse.  

 

 

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