Escolas avançam na substituição de plásticos descartáveis

Enquanto isso, a reciclagem continua sendo um desafio de toda a população fluminense
segunda-feira, 30 de março de 2026
por Laís Lima*
Foto: Freepik
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A redução do uso de plásticos descartáveis ganhou um novo capítulo no Estado do Rio de Janeiro com a sanção, na semana passada, da lei 11.142/26, que determina a substituição progressiva desses materiais nas escolas das redes pública estadual e privada de ensino. A medida reforça a necessidade de repensar hábitos de consumo e chama atenção para um problema que vai além das escolas: a reciclagem do plástico ainda é um desafio global que depende da participação de toda a sociedade.

Em Friburgo, a coleta seletiva funciona de forma híbrida, com recolhimento porta a porta e contêineres destinados à recicláveis em pontos estratégicos
Substituição gradual nas escolas

De autoria original do deputado estadual Carlos Minc (PSB), a lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e sancionada pelo governo estadual. O texto estabelece metas graduais para a eliminação de itens de uso único, como copos, pratos, talheres, bandejas, canudos e materiais escolares.

As instituições de ensino deverão substituir 50% desses produtos no prazo de um ano, 75% em dois anos e alcançar 100% em até três anos. O cronograma inicial previa uma etapa mais rápida, com a troca de 25% já nos primeiros seis meses, mas esse trecho foi vetado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL), sob a justificativa de que seria necessário mais tempo para planejamento técnico e orçamentário das escolas.

Em Nova Friburgo

Na cidade, a Secretaria Municipal de Educação informou nesta segunda-feira, 30, em nota, que a legislação não se aplica diretamente à rede municipal, já que contempla apenas escolas estaduais e particulares. Ainda assim, o tema reforça discussões locais sobre sustentabilidade e descarte correto de resíduos também nas escolas municipais.

Ainda segundo a prefeitura, a coleta seletiva no município funciona de forma híbrida, com recolhimento porta a porta e contêineres destinados à recicláveis em pontos estratégicos, como as praças Dermeval Barbosa Moreira e Getúlio Vargas, no Centro. A proposta é ampliar esse sistema, facilitando o acesso da população e incentivando a adesão à separação correta do lixo.

Brasil no cenário internacional

No âmbito nacional, o Brasil foi escolhido como ponto de partida de um projeto internacional de combate à poluição plástica, liderado pela Fundação Ellen MacArthur. A iniciativa busca transformar a lógica de produção, consumo e reaproveitamento de embalagens, inserindo o país em uma estratégia global de economia circular.

O alerta é preocupante: milhões de toneladas de plástico são descartadas nos oceanos todos os anos e, sefor mantido o ritmo atual, a projeção é de que, até 2050, haja mais plástico do que peixes nos mares.

Por que reciclar é essencial

A reciclagem de plásticos é uma ferramenta fundamental para enfrentar esse cenário. Entre os principais benefícios está a redução da poluição ambiental, com menos resíduos enviados a aterros e oceanos, além da preservação da vida marinha.

O reaproveitamento também contribui para a conservação de recursos naturais, já que a produção a partir de material reciclado consome menos energia e água do que a fabricação com matéria-prima virgem. Outro ponto importante é o impacto econômico: o setor gera empregos, estimula a inovação e fortalece práticas sustentáveis.

Responsabilidade compartilhada

Apesar dos avanços em políticas públicas e iniciativas internacionais, especialistas reforçam que a mudança depende do engajamento coletivo. Atitudes simples, como evitar descartáveis, separar corretamente o lixo e aderir à coleta seletiva, fazem diferença.

A nova legislação nas escolas representa um passo importante, mas o desafio da reciclagem do plástico exige uma transformação mais ampla, que começa no cotidiano de cada cidadão.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim
 

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