Escola de Futebol Feminino é aposta para fortalecer a modalidade

CBF também promove o curso Características do Treinamento no Futebol Feminino do Brasil. Com aulas on-line, a atividade teve 130 inscritos na primeira turma
quarta-feira, 02 de setembro de 2020
por Vinicius Gastin
CBF e o olhar para o futebol feminino: esperança de dias melhores para a modalidade
CBF e o olhar para o futebol feminino: esperança de dias melhores para a modalidade

Apesar do sucesso, conquistas e de ter a melhor jogadora do mundo em todos os tempos, o futebol feminino ainda luta por maior espaço e valorização no Brasil. E um passo importante pode ter sido dado na busca pela qualificação das profissionais envolvidas nesta modalidade. A CBF lançou a Escola de Futebol Feminino, e para marcar a novidade, promove o curso Características do Treinamento no Futebol Feminino do Brasil.

Com aulas on-line, a atividade teve 130 inscritos na primeira turma e, entre os alunos, Tamires e Érika, atletas do Corinthians, e Daniela Alves, ex-jogadora da Seleção Brasileira e atual técnica do Corinthians Sub-17. De acordo com a entidade, o objetivo é deixar o processo mais acessível e também abrir o leque para quem esteja cursando as licenças.

“As licenças serão de treinador em futebol e continuará dessa forma. E dentro do programa das próprias licenças, nós colocaremos um foco no futebol feminino. Essa é a ideia da escola do futebol feminino. Além de programas específicos para a preparação física das atletas do feminino, nós teremos uma presença maior em todas as atividades da CBF Academy voltada ao futebol feminino. Então, um treinador de licença C ou B terá o número de hora de conteúdos ligado ao específico do futebol feminino maior do que ele tem agora. Para ser um treinador de licença C, você será um treinador seja para o futebol masculino ou para o futebol feminino. O foco no futebol feminino será maior”, afirmou o diretor da CBF Academy, Marco Dalpozzo.

A introdução ao universo da gestão e também do treinamento estão entre os objetivos da Escola de Futebol Feminino, e a CBF entende que o local servirá ainda como caminho para executar projetos para a modalidade dentro da CBF Academy, com cursos, debates, workshops e centros de estudo exclusivos. A entidade quer também o desenvolvimento de profissionais que buscam ingressar no futebol feminino e com isso, segundo a Confederação, promover uma mudança de realidade.

“A carreira de um jogador termina. Tendo a possibilidade de continuar no local pelo qual você tem paixão é uma oportunidade dos dois lados. Oportunidade para o atleta fazer sua transição e ter alguém que fornece a oportunidade de se formar ou na área técnica ou na de gestão criando uma carreira de mais longo prazo que não seja só a carreira de jogador todo mundo ganha com isso. Sentar na cadeira é parte fundamental de ser um bom formador, treinador”, completa o dirigente.

Entre os professores desse primeiro curso estão a técnica da seleção brasileira, Pia Sundhage, as auxiliares Lillie Person e Bia Vaz, Katherine Ferro, fisioterapeuta do Chanchung Dazhong (China) e Tathiana Parmigiano, ginecologista do Time Brasil e das seleções femininas de futebol. “A Pia acredita profundamente nessa profissionalização e com isso ganha mais qualidade em campo. Ela se dedica muito e é nossa grande parceira. Ela e as outras auxiliares que trabalham conosco são extremamente motivadas e nos dão conteúdo para desenvolver as aulas e toda parte pedagógica. Temos os melhores professores e especialistas voltados para a área do feminino”, conclui Dalpozzo.

O dirigente ainda não projeta um número de crescimento de profissionais envolvidos com o futebol feminino, mas vê a nova atividade como um passo a mais para o Brasil ser o melhor do mundo tanto no masculino quanto no feminino. “Por enquanto, estamos fazendo a primeira etapa. Abrimos o primeiro programa específico de treinamento técnico, físico específico para mulheres. E tivemos a grata experiência de ter mais pessoas se inscrevendo do que o previsto. O Brasil, no futebol, tem que ser o melhor do mundo. E isso significa profissionalizar quem trabalha com futebol”, observou.

Em Nova Friburgo, uma luta antiga

A luta das mulheres pelo fortalecimento do futebol feminino em Nova Friburgo já dura vários anos, desde a época do apogeu, passando pelo quase esquecimento até as tentativas mais recentes de resgate. Abnegadas como Liete Ramos, que durante anos coordenou uma escolinha de futebol no Cordoeira, também fez parceria com o Friburguense. O Projeto Renascer, no bairro Cordoeira, onde pouco mais de 20 meninas eram atendidas, foi uma nova alternativa.

O Nova Friburgo remontou a equipe feminina, que treina regularmente no CT do clube. No Stucky, em Riograndina e em outros locais também há esse trabalho, mas todos esbarram nas limitações impostas pela falta de incentivo.

Em 2019, a modalidade voltou a ser movimentada no distrito de São Pedro da Serra, com a promoção do 16º Torneio de Futebol Feminino. Oito equipes participaram da competição, organizada por Mary Guimarães com apoio da iniciativa privada, da Prefeitura de Nova Friburgo e do São Pedro Futebol Clube, onde aconteceram quatro jogos, envolvendo Panteras (time de Macaé de Cima), D’Salto na Área (Santo Antônio), Fênix (Saquarema), Águia de Ouro (Duas Barras), TPM (Saquarema), Meninas da Serra (Trajano de Moraes), Accel Futebol Clube (Rio de Janeiro) e Riograndina (Nova Friburgo).

Nesse contexto, alguns talentos resistem à falta de apoio e se destacam na modalidade. Larissa Freiman, por exemplo, é uma das principais apostas das categorias de base do Fluminense. Já Natane Vicente, com passagens por Bahia, Volta Redonda e Duque de Caxias, clube pelo qual disputou o Estadual e o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino de 2017, é presença constante na Taça das Favelas.

A friburguense já atuou por equipes de três comunidades diferentes, uma de Duque de Caxias, outra de Nova Iguaçu e outra de São Gonçalo, o Jardim Bom Retiro. Formada em Educação Física, Natane também atua como professora e treinadora no Projeto Karanba, no Rio de Janeiro.

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