“Divórcio do sono” ganha espaço e muda rotina de casais

Prática de dormir em quartos separados cresce como alternativa para melhorar a qualidade do sono e reduzir conflitos no relacionamento
sexta-feira, 20 de março de 2026
por (*) Isabella Rodrigues
Foto: Freepik
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Dividir a cama sempre foi visto como um dos símbolos mais tradicionais da vida a dois. No entanto, esse costume tem sido repensado por muitos casais, que passaram a priorizar algo essencial para o bem-estar: dormir bem. Nesse contexto, cresce o número de pessoas que optam por manter o relacionamento, mas dormindo em espaços separados.

Conhecida como “divórcio do sono”, a prática vem sendo adotada por quem enfrenta dificuldades para descansar ao lado do parceiro. Situações como ronco intenso, insônia, horários incompatíveis e hábitos noturnos distintos têm levado casais a buscar soluções fora do padrão convencional.

Dados da Pesquisa Global do Sono mostram que diversos casais já aderiram a prática de dormir em quartos separados devido a problemas relacionados ao descanso. De acordo com a pesquisa, 18% dos entrevistados adotaram o “divórcio do sono”. 

Mais do que uma escolha de conforto, a decisão costuma estar ligada ao desgaste acumulado ao longo do tempo. A falta de sono adequado impacta diretamente o humor, a disposição e até a forma como os parceiros se relacionam no dia a dia.

Reflexo na convivência do casal

Dentro de um relacionamento, esses efeitos podem se intensificar. Discussões por motivos pequenos tornam-se mais frequentes, e o desgaste emocional passa a fazer parte da rotina. Muitas vezes, o casal não associa esses conflitos ao cansaço acumulado.

Ao recuperar a qualidade do sono, é comum que haja melhora na convivência. Com mais disposição e equilíbrio emocional, o diálogo flui melhor e os atritos tendem a diminuir, mostrando que o descanso adequado pode ter impacto direto na relação.

Juliana Vilela e Ricardo Santos vivenciaram essa realidade. Após anos dividindo a mesma cama, perceberam que o cansaço constante estava interferindo na convivência. “Eu acordava várias vezes durante a noite por causa do ronco dele. De manhã, já levantava irritada, sem paciência”, relata Juliana.

Ricardo também sentia os efeitos: “A gente começou a discutir por coisas pequenas. Quando fomos ver, o problema não era exatamente a relação, era o cansaço”, conta.

A mudança veio de forma gradual. Primeiro, tentativas de adaptação. Depois, a decisão definitiva de dormir em quartos separados. “Hoje a gente descansa de verdade. E isso melhorou muito o nosso dia a dia”, completa ele.

Dormir separado é afastamento?

A ideia de dormir em quartos separados ainda carrega um estigma para parte da população, sendo associada, muitas vezes, a problemas no relacionamento. No entanto, especialistas indicam que essa interpretação nem sempre corresponde à realidade.

Quando a decisão é tomada em comum acordo, o “divórcio do sono” pode representar uma adaptação saudável às necessidades individuais. Em vez de afastamento, a prática pode evitar desgastes e preservar a harmonia do casal.

Por outro lado, é importante que o distanciamento físico durante a noite não se transforme em distanciamento emocional. Manter momentos de convivência, diálogo e intimidade continua sendo essencial para o equilíbrio da relação.

Qualidade do sono

Especialistas apontam que um bom sono é fundamental para a saúde física e emocional. Dormir mal pode desencadear estresse, irritabilidade e dificuldade de concentração, fatores que acabam refletindo diretamente na convivência.

Apesar disso, o tema ainda gera resistência. Para muitos, dormir separado pode parecer um sinal de distanciamento. Por isso, a recomendação é que a decisão seja tomada com diálogo e entendimento mútuo, respeitando as necessidades de cada um.

Dormir deveria ser um momento de recuperação do corpo e da mente, mas nem sempre isso acontece. Com o passar do tempo, essas interferências deixam de ser pontuais e passam a comprometer o descanso de forma contínua. Pequenas situações, que inicialmente parecem toleráveis, podem se tornar fonte de incômodo diário, prejudicando a qualidade do sono e o bem-estar geral.

Quando esse cenário se prolonga, o impacto vai além do cansaço. A privação de sono pode afetar o funcionamento do organismo e interferir diretamente na rotina, tornando as atividades simples mais difíceis e aumentando a sensação de esgotamento. Pessoas que dormem mal tendem a apresentar maior irritabilidade, dificuldade de concentração e menor tolerância a frustrações.

(Com informações da Agência Brasil

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim 

 

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