Diretor da Unimed emite alerta para riscos e Fiocruz divulga reflexos no estado

"É uma doença que conhecemos pouco, que traz uma série de situações novas, são desafios diários", adverte médico Armando Lemos
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Rua Monte Líbano lotada em plena pandemia (Arquivo AVS)
Rua Monte Líbano lotada em plena pandemia (Arquivo AVS)

Na última semana, Nova Friburgo registrou aumento no total de infecções pelo coronavírus: foram 312 novos casos da doença de segunda a sexta. Diante do aumento no número de casos e internações, a cooperativa de serviços médicos Unimed divulgou nota alertando para o aumento de casos em seu hospital na Chácara do Paraíso. Na última quinta-feira, 26, o diretor da unidade, Armando Lemos, emitiu novo alerta, ao gravar um vídeo que teve grande acesso nas redes sociais enfatizando a grande circulação do vírus no município.

“Estamos em novembro com mais casos que os registrados em agosto, que foi nosso pior mês. Nesse momento estamos vivendo o período mais crítico, desde o início da pandemia. Um aumento do número de casos e de internações. É um ledo engano achar que sendo jovem, não tendo comorbidades, não tendo doenças, se está livre do coronavírus. O cuidado é para toda a população. É natural, com o tempo, observarmos um relaxamento nestas medidas de afastamento social, mas isso é um perigo porque estamos observando que esse relaxamento trouxe um aumento do número de casos”, alertou o médico.

O diretor da Unimed também ressaltou que pacientes curados não podem relaxar as medidas e que não descarta uma possibilidade de reincidência. “Na prática, a pessoa que já pegou Covid-19 deve manter as mesmas medidas de isolamento. É uma doença que conhecemos pouco, que traz uma série de situações novas, são desafios diários. Hoje a gente sabe tratar essa doença de maneira muito mais eficiente do que no começo, porque obviamente adquirimos experiência, mas não é o suficiente para assegurar ao paciente que já teve Covid-19 de que ele não vá contrair novamente”, completou.

Fiocruz alerta para aumentos de casos e mortes

O novo Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra aumento no número de casos e de óbitos por Covid-19 em alguns estados e municípios. A taxa de incidência, que já se encontrava em níveis altos por todo o país, voltou a subir em vários estados e capitais. Esse cenário refletiu na elevação da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivos para pacientes com a doença. No entanto, os pesquisadores da Fiocruz sugerem cautela quanto a afirmar que o Brasil vive uma “segunda onda” da pandemia, sendo que o cenário epidemiológico deve ser monitorado.

Taxas de ocupação

Em relação às taxas de ocupação de leitos de UTI para a Covid-19, a tendência é de piora do cenário geral, com Amazonas (86%) e Espírito Santo (85,1%) permanecendo na zona de alerta crítica, e Bahia (61,1%), Minas Gerais (64,5%), Rio de Janeiro (70%) e Santa Catarina (78,6%) retornando à zona crítica intermediária, após ter estado fora da zona de alerta. 

As capitais que estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos superiores a 80% são Manaus (86%), Macapá (92,2%), Vitória (91,5%), Rio de Janeiro (87%), Curitiba (90%), Florianópolis (83%) e Porto Alegre (88,7%). Além dessas, também aparecem com taxas preocupantes, mas ainda abaixo da zona de alerta crítica, Fortaleza (78,7%), Belém (78,3%) e Campo Grande (76,1%). 

Casos/incidência

Os dados nacionais apontam para um aumento no número de óbitos por Covid-19. As taxas de mortalidade foram mais elevadas nos estados do Amapá, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. Nas últimas duas semanas foram observadas tendências de alta no número de casos no Amapá, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, enquanto o número de óbitos sofreu aumento expressivo em Roraima, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás. Devido ao agravamento de alguns quadros clínicos, há uma defasagem de duas ou três semanas entre “picos” de casos e de óbitos.

A Fiocruz informou também que somada à elevação dos indicadores de casos e óbitos, o Estado do Rio de Janeiro apresentou uma piora expressiva da taxa de letalidade (6,4%), dada pela proporção de casos que resultaram em óbitos por Covid-19. Esse valor é considerado alto em relação a outros estados (cerca de 2%) e aos padrões mundiais, à medida que se aperfeiçoam as capacidades de diagnóstico e de tratamento oportuno da doença, o que revela graves falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde.

Diante do atual cenário, os pesquisadores da Fiocruz ressaltam a importância de uma estratégia de enfrentamento da pandemia que articule a vigilância em saúde, com testes e identificação ativa de casos e contatos com isolamento dos casos. Tais medidas, destacam os pesquisadores, devem ser combinadas a outras, como distanciamento social e de redução da exposição da população a situações de risco de transmissão do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19.

 

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