Por ocasião da data celebrada no último domingo,31,especialistas destacam riscos à saúde respiratória
segunda-feira, 01 de junho de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Arquivo AVS
Celebrado no último domingo, 31 de maio, o Dia Mundial sem Tabaco foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre os danos causados pelo tabagismo. A data também chama atenção para um desafio cada vez mais presente entre os jovens, o aumento do consumo de cigarros eletrônicos, conhecidos popularmente como vapes.
Dispositivos não são uma alternativa segura ao cigarro tradicional
Segundo a OMS, o tabaco é responsável por cerca de oito milhões de mortes por ano em todo o mundo. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 160 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças relacionadas ao consumo de derivados do tabaco.
Enquanto o número de fumantes de cigarros convencionais vem diminuindo ao longo dos anos, impulsionado por campanhas de conscientização, os cigarros eletrônicos ganham espaço principalmente entre adolescentes e jovens adultos. A popularidade dos dispositivos está ligada à variedade de sabores, ao formato moderno e à percepção de que seriam menos prejudiciais à saúde.
Porém, especialistas alertam que essa ideia não corresponde à realidade. De acordo com a fisioterapeuta e professora da Universidade Estácio de Sá, Ariana Lopes Portela, especialista em Fisioterapia Intensiva pela Assobrafir, já existem evidências científicas que associam o uso dos vapes a diversos problemas respiratórios.
“Muitas pessoas começaram a usar o cigarro eletrônico acreditando que ele seria uma opção mais segura, mas hoje já existem evidências importantes mostrando os danos respiratórios causados pelo vape, inclusive em pacientes jovens”, afirma.
Embora não produzam alcatrão como os cigarros tradicionais, os dispositivos utilizam líquidos que contêm nicotina, aromatizantes e outras substâncias químicas. Quando inalados, estes compostos podem causar irritação das vias respiratórias, inflamações pulmonares e redução da capacidade respiratória.
Entre os casos que mais preocupam os profissionais de saúde está a Evali, uma lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos. A condição pode provocar sintomas como falta de ar, dor no peito, tosse persistente e, em situações mais graves, insuficiência respiratória.
Além disso, o uso frequente dos dispositivos pode agravar doenças como asma e bronquite. Pesquisas também investigam possíveis efeitos a longo prazo, incluindo processos inflamatórios associados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
Outro fator de preocupação é a nicotina presente na maioria dos produtos. A substância tem alto potencial de dependência e pode levar usuários, especialmente os mais jovens, a desenvolverem vício rapidamente. Apesar da comercialização, importação e propaganda dos cigarros eletrônicos serem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, os dispositivos continuam sendo vendidos de forma irregular em diferentes regiões do país.
Para especialistas, a informação continua sendo a principal ferramenta de prevenção. Campanhas educativas e ações de conscientização são consideradas fundamentais para alertar a população sobre os riscos do uso dos cigarros eletrônicos e evitar que novos usuários sejam atraídos pela falsa sensação de segurança associada aos dispositivos.
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