Dia do Adulto: Por que os jovens estão demorando mais a sair da casa dos pais?

Pesquisas afirmam que os jovens só chegam na fase adulta cerebral após os 32 anos
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
por Estagiária Isabella Rodrigues com supervisão de Henrique Amorim
Foto: Freepik
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Celebrado em 15 de janeiro, o Dia do Adulto provoca uma reflexão cada vez mais presente na sociedade: “O que define a vida adulta nos dias de hoje?” Se antes crescer estava diretamente associado a sair da casa dos pais, conquistar autonomia financeira e formar uma nova família ainda na juventude, isso deixou de ser regra.     

A fase associada à “adolescência cerebral” é mais longa e se estende por grande parte da juventude adulta
Para muitas famílias brasileiras, a convivência prolongada entre pais e filhos se tornou parte da rotina, com jovens permanecendo no lar familiar mesmo após os 25 ou 30 anos.

No Brasil e em outros países, a transição para a vida adulta tem acontecido de forma mais lenta e gradual. Hoje, a independência depende de uma combinação de fatores sociais, econômicos e até biológicos, que vão além da vontade individual.

Para Jéssyka Azevedo, 28 anos, “os jovens estão saindo de casa cada vez mais tarde, principalmente por fatores econômicos, como o alto custo de vida, a dificuldade de acesso à moradia e a instabilidade no mercado de trabalho. Além disso, há uma mudança cultural: sair cedo deixou de ser uma obrigação e passou a ser uma decisão mais planejada. Permanecer com a família, hoje, muitas vezes é uma estratégia de apoio mútuo, não falta de maturidade”, acredita.

Entre os principais motivos está a dificuldade de se manter financeiramente sozinho. O custo de vida elevado, especialmente com aluguel, contas básicas, transporte e alimentação, pesa no orçamento de quem está começando a carreira. Em muitas cidades, o valor de um aluguel compromete grande parte da renda mensal, tornando inviável a vida independente sem abrir mão de conforto ou segurança. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho está mais competitivo e exige maior qualificação, o que faz com que muitos jovens permaneçam por mais tempo estudando, investindo em cursos, especializações e formação profissional.

Aos 20 anos, o estudante de jornalismo, Marcus Raymundo, diz que não sente essa cobrança para sair de casa. Para ele, outras oportunidades são mais importantes e vão garantir um futuro melhor. “Como sou estudante, sempre busco oportunidades de estágio, que não me dão um retorno monetário suficiente para me manter sozinho. Então não vejo essa necessidade de sair de casa agora, tenho uma relação boa com a minha mãe e conseguimos nos dar bem juntos. Penso em sair de casa, mas não agora, e sim quando eu estiver financeiramente bem estabilizado”, explicou.

Adolescência cada vez mais longa 

Além das questões econômicas, pesquisas recentes indicam que o próprio processo de amadurecimento humano ocorre de forma diferente do que se acreditava até pouco tempo atrás. Um estudo da Universidade de Cambridge revelou que o cérebro humano continua em desenvolvimento até cerca dos 32 anos, principalmente nas áreas responsáveis pelo controle emocional, planejamento, organização e tomada de decisões.

De acordo com os pesquisadores, a fase associada à “adolescência cerebral” é mais longa e se estende por grande parte da juventude adulta. Isso significa que, embora jovens adultos sejam plenamente capazes de trabalhar, estudar e assumir responsabilidades, o cérebro ainda passa por ajustes importantes. A fase considerada de maior estabilidade neurológica tende a se consolidar apenas após os 30 anos.

A pesquisa identificou cinco fases principais do desenvolvimento cerebral e aponta que a chamada fase adulta plena se estende dos 30 aos 60 anos. Antes disso, o cérebro ainda está em processo de adaptação, o que reforça a ideia de que amadurecer não é um evento pontual, mas um processo contínuo. Esse dado ajuda a explicar por que escolhas importantes estão sendo feitas com mais cautela e em um ritmo diferente do observado em gerações anteriores.

Nesse contexto, a permanência na casa dos pais ganha novos significados. Para muitas famílias, a convivência se transforma em uma relação mais equilibrada, baseada em diálogo, divisão de responsabilidades e apoio mútuo. Para os jovens, representa a oportunidade de se preparar melhor para a independência, tanto do ponto de vista financeiro quanto emocional.

 

 

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