A redação de A VOZ DA SERRA vem recebendo nos últimos dias uma série de reclamações de leitores através do nosso WhatsApp - (22) 9 9213 9995 - sobre a falta de fiscalização por parte da Prefeitura de Nova Friburgo, o que vem facilitando inúmeras irregularidades em várias localidades do município. Basta caminhar pelas ruas do centro da cidade e até mesmo por alguns bairros ou distritos para nos depararmos com uma verdadeira desordem urbana.
Uma das reclamações recebidas é a de um morador do distrito de Conselheiro Paulino que costuma fazer caminhadas pela bucólica Estrada do Córrego Fundo, no Prado. Trata-se de um verdadeiro santuário ecológico com inúmeras espécies nativas da Mata Atlântica e procurado por amantes da natureza, trilheiros, ciclistas e caminhantes. A região, segundo ele mesmo flagrou, vem sofrendo agressões ambientais com o descarte irregular de restos de tecidos, recortes em geral e sobras de confecções. O material tem sido espalhado pelas margens da estrada e, na última semana, despejado junto a um lago.
“Desde criança, era levado por meu pai para caminhar nesta estrada. Hábito que cultivo até hoje. É uma experiência relaxante e imersiva na natureza devido ao seu ambiente extremamente arborizado com eucaliptos e árvores nativas. Este trecho também dá acesso à Pedra do Prado, um ponto turístico com cerca de 1.059 metros de altitude, e ao Parque dos Lagos. É também uma região que serve de refúgio para alguns animais selvagens, como guaxinins e jaguatiricas (Leopardus wiedii), mais popularmente conhecido como gato do mato, entre outros que dependem da preservação local. Vale lembrar que a jaguatirica é uma espécie ameaçada de extinção. Também não é descartada a possibilidade da presença de onças pardas, devido a conexão florestal com a região do distrito de Amparo. Se continuarem despejando lixo neste local, em breve, não poderemos mais desfrutar da natureza aqui”, lamenta o morador.
Conforme a lei 12.305/2010 o descarte incorreto de resíduos têxteis é considerado crime ambiental. Isso porque, ao executar o descarte incorretamente, provoca-se danos que contribuem para prejuízos ao meio ambiente, como: mudanças climáticas; poluição química e efeitos prejudiciais à saúde humana (em caso de incineração), devido às tinturas e outras substâncias químicas adicionados aos tecidos. Como esse tipo de lixo não é recolhido pelos caminhões da coleta doméstica, empresas especializadas devem ser contratadas pelas confecções para providenciarem a destinação correta deste material.
No Brasil, produz-se cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis anualmente. Deste número, quase 40% das empresas fazem o descarte de forma correta, enquanto os outros 60% descartam as sobras de forma irregular. De acordo com o Sebrae, nos últimos dez anos, pelo menos 80% dos resíduos têxteis do Brasil pararam nos lixões ou foram incinerados, enquanto apenas 20% foram reciclados, segundo pesquisa feita em 2023.
Cerca de quatro milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartadas a cada ano pelos domicílios brasileiros. Só no ano passado, cada residência do país descartou em torno de 44 quilos de roupas e calçados. O dado foi divulgado pela consultoria internacional S2F Partners, um hub de inteligência especializada em gestão de resíduos e economia circular.
Na área urbana, mais infrações
Em pleno centro da cidade, leitores também denunciam várias irregularidades nas calçadas e sugerem que os fiscais do setor de Posturas da Secretaria Municipal de Ordem Urbana circulem mais pelo local e façam cumprir a lei que proíbe a ocupação das calçadas.
Na semana passada, uma moradora da Praça Getúlio Vargas procurou o jornal para reclamar da colocação de caixotes de legumes e frutas na calçada da Rua Francisco Miele, em frente à Estação Livre, a antiga rodoviária urbana. Segundo ela, na maioria das vezes que é feita a descarga de itens para um hortifruti das imediações, os caixotes permanecem empilhados na calçada até serem novamente recolhidos. “Enquanto isso, a calçada é parcialmente ocupada dificultando a passagem de pedestres, sem contar o mau aspecto no local”, denunciou a moradora.
Já na Praça Dermeval Barbosa Moreira, outro leitor denuncia a presença cada vez maior de ambulantes nas proximidades da agência do banco Bradesco. “Esses camelôs colocam caixotes com mercadorias nas calçadas e aproveitam, principalmente o período de pagamento de benefícios do INSS, quando há filas no banco, para venderem seus produtos, desrespeitando a lei que proíbe o comércio ambulante. Fazem isso, porque sabem que os fiscais de Posturas nunca aparecem por lá”, denunciou o leitor.






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