Curiosidades sobre o Hino de Nova Friburgo

Letra e partituras originais retornaram à cidade após 90 anos
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
por Jornal A Voz da Serra
Curiosidades sobre o Hino de Nova Friburgo

Na letra do Hino de Nova Friburgo, o autor Franklin Coutinho entrelaça em seus versos sentimentos de amor e de paz, em estrofes que enaltecem a Mata Atlântica. A música, do maestro Sérvio Túllio Pereira do Lago, soa como a melodia perfeita para compor o belo hino da cidade. 

Sobre os autores, uma matéria veiculada pelo A VOZ DA SERRA em 2008 relata que na época foi feita uma busca para encontrar os familiares dos autores (a família do letrista Franklin Coutinho não foi localizada). Na internet, o site Falando em Trova informa que Franklin Coutinho residiu em Niterói e foi funcionário dos Correios.

O próprio diretor do jornal, na época, Laercio Ventura, teve um papel fundamental para encontrar o maestro: foi através de informações suas que uma descendente da família Lago — Ângela Maria Zamith, assinante de AVS — foi localizada em São Paulo. Por seu intermédio, foram localizados os filhos de Lago, residentes em Niterói — e com eles, um documento precioso da história de Nova Friburgo. Evidentemente, em papéis amarelados pelo tempo, mas ainda intactos e bem conservados, que encantaram os friburguenses. 

A letra e partituras originais do hino, composto para o centenário da cidade, em 1918, retornaram à cidade após 90 anos, mas continuam em posse de sua família, que preserva o documento com o devido cuidado e carinho.

Quando o município comemorou 190 anos de fundação, esses documentos foram trazidos à cidade por familiares do maestro: dois filhos e um neto estiveram na cidade para conhecer o movimento Nova Friburgo 200 Anos. 

Biografia

Sérvio Túllio Pereira do Lago nasceu em Nova Friburgo em 27 de julho de 1884, um dos cinco filhos do tabelião e escrivão Américo Vespúcio Pereira do Lago e de dona Emília Carneiro Pereira do Lago. Seu pai levava a família com assiduidade ao Rio, onde frequentavam as melhores salas e teatros de concertos. Conta-se também que chegou a trazer à cidade concertistas internacionais que se apresentaram no extinto Theatro Dona Eugênia.

Os primeiros estudos de Sérvio foram com pessoas da própria família. Já no Rio, após concurso, ingressou no Instituto Nacional de Música, hoje Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde completou os cursos básico e superior, diplomando-se também em composição, regência e flauta, além de violino.

Teve uma longa amizade com um de seus colegas de turma, o compositor Heitor Villa-Lobos, com o qual se apresentou no concerto de sua estreia em Nova Friburgo, em janeiro de 1915.

Em 1918, a comissão organizadora da festa pelo primeiro centenário do município encomendou ao poeta Franklin Coutinho e a Sérvio Lago, respectivamente, a letra e a música para o hino.

Sérvio Lago já integrado ao meio musical do Rio, precisou retornar a Friburgo para cuidar do Cartório do 2° Ofício, de propriedade do pai, quando este, já viúvo, adoeceu gravemente. Com o falecimento do pai se viu forçado a retornar definitivamente para Nova Friburgo, abandonar a carreira artística para a qual havia se preparado com entusiasmo, e trabalhar somente no cartório, do qual se tornou titular.

Casado com Stella Magarão do Lago, teve quatro filhos: Américo Vespúcio, Sylvio, Mozart e Lúcia Stella. Faleceu em 19 de julho de 1948, aos 63 anos.

Hino de Nova Friburgo

Friburguense, cantemos o dia / Que surgindo hoje vem / Nesta plaga onde o amor e a poesia / São como as flores nativas também / Escutando os rumores da brisa / Refletindo esse céu todo azul / O Bengalas sereno desliza / Sob o olhar do Cruzeiro do Sul! 

Salve, brenhas do Morro Queimado / Que os suíços ousaram varar / Pois que um século agora é passado / Vale a pena esse tempo lembrar.

Do suspiro na fonte saudosa / Há três almas que gemem de dor / Repetindo esta prece maviosa / Da saudade, do ciúme e do amor / Estas serras de enorme estatura / Alcançando das nuvens o véu / São degraus colocados na altura / São escadas que vão para o céu!

Salve, brenhas do Morro Queimado / ………

Coroemos de versos e flores / A Princesa dos órgãos, gentil / Embalada em seus sonhos de amores / Das aragens ao canto sutil / Em teu seio de paz e bonança / Sono eterno queremos dormir / Doce anelo de nossa esperança / Esperança de nosso porvir!

Salve, brenhas do Morro Queimado….

A música como forma de arte

A música (do grego musiké téchne, a arte das musas) é uma forma de arte que se constitui na combinação de vários sons e ritmos, seguindo uma pré-organização ao longo do tempo, e considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana. 

Não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objetivo, a música pode ser apontada como uma forma de arte, avaliado por muitos como sua principal função.

A criação, a performance, o significado e até mesmo a definição de música variam de acordo com a cultura e o contexto social. A música vai desde composições fortemente organizadas (e a sua recriação na performance), à música improvisada, e até a formas aleatórias. 

Pode ser dividida em gêneros e subgêneros, no entanto, as linhas divisórias e as relações entre gêneros musicais são muitas vezes sutis, algumas vezes abertas à interpretação individual e ocasionalmente controversas. 

Dentro das ‘artes’, a música pode ser classificada como uma arte de representação, uma arte sublime, uma arte de espetáculo.

Para indivíduos de muitas culturas, a música está extremamente ligada à sua vida. A música expandiu-se ao longo dos anos, e atualmente se encontra em diversas utilidades não só como arte, mas também de cunho militar, educacional ou terapêutica (musicoterapia). Além disso, tem presença central em diversas atividades coletivas, como os rituais religiosos, festas e funerais.

Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história. Provavelmente a observação dos sons da natureza tenha despertado no homem, através do sentido auditivo, a necessidade ou vontade de uma atividade que se baseasse na organização de sons. 

Embora nenhum critério científico permita estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a história da música confunde-se com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humana.

Um fenômeno social

As práticas musicais não podem ser dissociadas do contexto cultural. Cada cultura possui seus próprios tipos de música totalmente diferentes em seus estilos, abordagens e concepções do que é a música e do papel que ela deve exercer na sociedade. Entre as diferenças estão: a maior propensão ao humano ou ao sagrado; a música funcional em oposição à música como arte; a concepção teatral do concerto contra a participação festiva da música folclórica e muitas outras.

Falar da música de um ou outro grupo social, de uma região do planeta ou de uma época, faz referência a um tipo específico de música que pode agrupar elementos totalmente diferentes (música tradicional, erudita, popular ou experimental). Esta diversidade estabelece um compromisso entre o músico (compositor ou intérprete) e o público que deve adaptar sua escuta a uma cultura que ele descobre ao mesmo tempo que percebe a obra musical.

Apesar de toda a discussão já apresentada, quando composta e executada deliberadamente, a música é arte. E como arte, é criação, representação e comunicação. Para obter essas finalidades, deve obedecer a um método de composição, que pode variar desde o mais simples (a pura sorte na música aleatória), até os mais complexos. Pode ser composta e escrita para permitir a execução idêntica em várias ocasiões, ou ser improvisada e ter uma existência efêmera. 

Seja a música dos pigmeus do Gabão, o rock’n roll, o jazz, a sinfônica, cada composição ou execução obedece a uma estética própria, mas todas cumprem os objetivos artísticos: criar o desconhecido a partir de elementos conhecidos; manipular e transformar a natureza; moldar o futuro a partir do presente.

 

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TAGS: Música