A energia elétrica foi um dos itens com maior alta dentro da inflação em 2025 e deve continuar pesando no bolso do consumidor em 2026. Projeções de consultorias apontam que a tarifa residencial pode subir quase o dobro da inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impulsionada por fatores climáticos, redução de descontos e aumento de subsídios no setor elétrico.
Levantamento da consultoria PSR, elaborado a pedido do jornal O Globo, indica que a conta de luz pode avançar cerca de 7,95% neste ano, aproximadamente quatro pontos percentuais acima da estimativa de inflação, projetada em 3,95%. Em cenários mais adversos, a alta pode alcançar até 12%.
Dependência do regime de chuvas
O principal fator de pressão continua sendo o nível dos reservatórios das hidrelétricas, responsáveis por grande parte da geração de energia no país. Com a tendência de menor volume de água com o início do período de estiagem, no outono, costuma crescer a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que têm custo de produção mais elevado por dependerem de combustíveis.
O risco climático é acompanhado com atenção pelo setor. Atualmente, o país vive uma fase considerada neutra, sem a influência dos fenômenos El Niño ou La Niña. No entanto, a possibilidade de formação do El Niño, caracterizada pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e redução de chuvas em diversas regiões, pode agravar o cenário e aumentar a pressão sobre o sistema elétrico ao longo deste ano.
Bandeiras tarifárias elevam a cobrança
Quando a geração fica mais cara, entram em vigor as bandeiras tarifárias, que indicam custos adicionais na produção de energia. Na bandeira verde não há cobrança extra. Já a bandeira amarela acrescenta R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos.
Nos patamares 1 e 2 da bandeira vermelha, os acréscimos sobem para R$ 4,46 e R$ 7,87 a cada 100 kWh, respectivamente. Caso o período seco seja mais intenso, a adoção das bandeiras mais caras no fim do ano pode elevar significativamente a conta dos consumidores.
Fim de bônus e aumento de subsídios
Outro fator que contribui para o encarecimento da energia é a ausência de descontos extraordinários, como o bônus distribuído em 2025 com recursos da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Sem a repetição do benefício, a tendência é de menor alívio tarifário.
Além disso, a ampliação da tarifa social deve beneficiar famílias de baixa renda, mas gerar impacto médio estimado em 0,9% para os demais consumidores regulados. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o custo da medida será de aproximadamente R$ 4,45 bilhões.
Os subsídios do setor elétrico também pressionam as tarifas. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia descontos tarifários e programas setoriais, valor pago pelos consumidores por meio da conta de luz.
Energia pesa na inflação e no custo de vida
O impacto vai além do orçamento doméstico. A alta da energia influencia o preço de produtos e serviços em toda a economia, elevando custos de produção e pressionando a inflação.
Dados do IBGE mostram ainda que, em 2025, a energia elétrica residencial acumulou alta de 12,31%. No recorte de 15 anos, o aumento chega a 177%, patamar bem superior à inflação do período.
Apesar das chuvas acima da média nestes dois primeiros meses do ano que deixam os níveis dos reservatórios satisfatórios, especialistas destacam que o comportamento do período seco será decisivo para o custo da energia ao longo de 2026. Para o consumidor, a recomendação é redobrar a atenção ao consumo e acompanhar as sinalizações do sistema elétrico nos próximos meses.
(Fonte: O Globo e CNN Brasil)

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