Combate ao analfabetismo: Brasil ainda enfrenta desafios persistentes

Brasil tem 9,1 mi de analfabetos, queda de 15% desde 2016, mas desafio segue grande.
terça-feira, 09 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

Na segunda-feira, 8, o Brasil celebrou o Dia Nacional da Luta contra o Analfabetismo, data que reforça a alfabetização como uma das principais ferramentas de inclusão social e exercício da cidadania. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024 o país registrou 5,3% de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais.

O índice equivale a cerca de 9,1 milhões de brasileiros que não sabem ler ou escrever um bilhete simples. Apesar de representar uma queda de 15% em relação a 2016, quando havia 10,7 milhões de analfabetos, o desafio continua expressivo.

A concentração regional do problema expõe desigualdades históricas. No Nordeste, por exemplo, vivem mais de cinco milhões de pessoas não alfabetizadas, quase 60% do total nacional. A situação é ainda mais crítica entre idosos: 14,9% dos brasileiros com 60 anos ou mais não sabem ler nem escrever. Já entre adultos de 25 anos ou mais, a taxa chega a 6,3%.

O desafio do analfabetismo funcional

Além do analfabetismo absoluto, o país convive com uma realidade silenciosa: o analfabetismo funcional. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado este ano, aponta que 29% da população de 15 a 64 anos consegue identificar palavras ou números, mas não compreende plenamente textos ou informações do cotidiano. A taxa é mais alta entre pessoas com mais de 40 anos (41%) e menor entre jovens de 15 a 29 anos (17%).

Esse quadro revela que, mesmo com avanços no acesso à escola, milhões de brasileiros ainda encontram barreiras para exercer plenamente a cidadania, já que a compreensão da leitura é essencial para atividades básicas do dia a dia, como interpretar bulas de remédio, entender contratos ou participar de processos políticos.

Panorama mundial

A luta contra o analfabetismo não é apenas brasileira. O Dia Mundial da Alfabetização, também celebrado em 8 de setembro, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Unesco em 1967 com o objetivo de chamar atenção para esse desafio global. Dados da ONU indicam que 85% da população mundial é alfabetizada, mas ainda há cerca de 800 milhões de adultos que não sabem ler, escrever ou contar.

Além disso, aproximadamente 250 milhões de crianças frequentam a escola, mas permanecem em condição de analfabetismo funcional. A situação é ainda mais grave em países como o Sudão do Sul, onde 73% da população é analfabeta. Afeganistão, Níger, Mali, Chade, Etiópia e Haiti também registram índices superiores a 50%.

Desigualdades no Brasil

O censo demográfico de 2022 revelou que 11,4 milhões de brasileiros com mais de 15 anos não estão alfabetizados. Entre eles, as desigualdades raciais são evidentes: 10,1% dos analfabetos são pretos, 8,8% são pardos e 4,3% são brancos.

A exclusão educacional também se reflete na Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade voltada para quem não concluiu os estudos na idade regular. O Censo Escolar 2023 mostra que, embora mais de 72 milhões de brasileiros sejam potenciais estudantes da EJA, 57 milhões na zona urbana e 15 milhões na zona rural, ainda existem 1.008 municípios sem oferta dessa modalidade.

Mais do que ler e escrever

Especialistas ressaltam que alfabetizar não é apenas ensinar letras e números, mas possibilitar que a população desenvolva interpretação crítica, autonomia e prazer pela leitura. Quanto menores os índices de alfabetização, mais restritas são as oportunidades de desenvolvimento econômico e social de uma nação.

No Brasil, além do marco internacional de 8 de setembro, existe também o Dia Nacional da Alfabetização, celebrado em 14 de novembro. A data, criada em 1930, reforça o compromisso do país em enfrentar um desafio que permanece atual: garantir que todos tenham acesso à leitura plena, à escrita e à cidadania.

(Fonte: G1, Agência Brasil e CNN)

 

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