Em uma sessão marcada por reviravoltas, embates políticos e protestos, a Câmara dos Deputados decidiu, na madrugada desta quinta-feira,11, suspender o mandato do deputado federal friburguense, Glauber Braga (PSol-RJ) por seis meses, afastando a possibilidade de cassação. A mudança de rumo ocorreu após a aprovação de uma emenda do próprio PSol, que substituiu a pena mais severa pela suspensão temporária. O texto recebeu 318 votos favoráveis, com apoio de deputados de sustentação ao governo e de partidos do Centrão.
O parecer do Conselho de Ética da Câmara, aprovado ainda em abril, recomendava a cassação e tornava o parlamentar inelegível por oito anos. A expectativa entre líderes partidários era de que o plenário confirmasse o entendimento do colegiado, mas a costura política de última hora modificou o cenário.
Logo após o resultado, Glauber comemorou com aliados no plenário. O deputado manteve o discurso de que o processo contra ele foi uma “perseguição política” articulada pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), a quem acusa de desviar emendas parlamentares, acusações já negadas por Lira.
Entenda o caso
O processo disciplinar contra Glauber Braga teve início após um episódio ocorrido em abril de 2024, quando o deputado expulsou do plenário da Câmara, a chutes, o militante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro, no interior da Câmara. O parlamentar alegou que reagiu após o militante supostamente ofender sua mãe, a ex-prefeita de Nova Friburgo Saudade Braga, entre 2000 e 2008, já falecida.
A situação gerou repercussão negativa e motivou a abertura de representação por quebra de decoro parlamentar. Em protesto contra o andamento do processo, Glauber realizou uma greve de fome de oito dias naquele mesmo mês, dentro de uma das comissões da Casa.
Tumulto e transmissões suspensas
A tramitação do caso ficou parada por sete meses, até que, na última terça-feira, 9, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a votação ocorreria no dia seguinte. A decisão motivou nova reação de Glauber, que declarou que ocuparia a mesa da presidência da casa em protesto.
Horas depois, já na noite de terça, o deputado foi retirado à força pela Polícia Legislativa Federal, em um episódio que gerou tumulto e críticas de parlamentares e entidades representativas da imprensa. Durante a confusão, as transmissões oficiais da Câmara foram tiradas do ar, e jornalistas e servidores foram impedidos de acessar o plenário. Profissionais de imprensa relataram ter sido empurrados e agredidos pela segurança da casa, enquanto Motta se tornou alvo de críticas nas redes sociais.
Caso Carla Zambelli também movimenta a noite
Na mesma sessão da Câmara foi analisado, o processo de cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP). O parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que recomenda a perda do mandato, foi aprovado horas antes.
Zambelli está presa na Itália, onde aguarda decisão sobre extradição ao Brasil. Mesmo antes da análise da Câmara, ela já está impedida de disputar eleições, pois acumula duas condenações que somam 15 anos e três meses de prisão.
A parlamentar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por participação intelectual na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ação realizada em parceria com o hacker Walter Delgatti. O episódio envolveu a inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão fabricado contra o ministro Alexandre de Moraes.
A segunda condenação refere-se ao porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, no caso ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu um eleitor do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com arma em punho.
O processo de cassação, entretanto, foi arquivado na madrugada desta quinta,11, após o parecer desfavorável não alcançar os 257 votos necessários para retirar o mandato da deputada.
(Com informações da Agência Brasil, G1 e Metropoles)

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