A Comissão de Relações Exteriores, do Senado, aprovou na última quarta-feira, 12, a indicação do diplomata Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto para chefiar a embaixada do Brasil na Grécia. Foram 13 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, a indicação do diplomata deve ser aprovada em plenário. A indicação da Presidência da República recebeu parecer do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), lido na reunião pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Durante sua sabatina, Aguiar destacou que o Brasil triplicou a venda de produtos e serviços ao país entre 2017 e 2024, “mas ainda esbarra em itens de pouco valor agregado, como insumos agrícolas e minerais”, ressaltando que “empresas brasileiras como a Embraer podem se beneficiar da demanda dos gregos por produtos aeronáuticos”.
Em relação à área de Defesa, disse que “temos várias oportunidades por conta da necessidade de países europeus de aumentarem o orçamento de defesa, por causa de sua participação na Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte, tratado militar de mútua cooperação].”
Aguiar destacou que as relações entre a Grécia — oficialmente chamada República Helênica — e a Turquia melhoraram nos últimos anos. Um ponto de tensão entre os países é a ilha do Chipre: enquanto os gregos defendem a manutenção de uma única república cipriota, os turcos desejam uma divisão do país.
Biografia
Desde 2023, Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto é secretário de promoção comercial, ciência e cultura no Ministério de Relações Exteriores (MRE). O indicado é ministro de primeira classe no Itamaraty, o patamar mais alto da carreira na diplomacia.
Nascido em Niterói, em 1960, passou boa parte de sua infância e adolescência em Nova Friburgo, estudando no antigo Externato Santa Ignês e no Colégio Anchieta. Aguiar ingressou no Instituto Rio Branco em 1982. No exterior, serviu nas embaixadas do Brasil na Rússia, Espanha, Uruguai e Inglaterra e foi embaixador do Brasil no Suriname (2017–2021) e no Irã (2021–2023).
Sobre a República Helênica
A República Helênica está localizada no extremo sul dos Bálcãs e possui posição geopolítica estratégica, entre a Europa, Ásia, Oriente Médio e África. Tem população estimada em 10,4 milhões de habitantes. Com PIB de US$ 257 bilhões em 2024, é a maior economia dos Bálcãs.
Os principais setores econômicos são o turismo, produtos agrícolas e farmacêuticos, além da indústria de refino de petróleo. Aguiar ressaltou que cerca de 75 mil brasileiros visitaram a Grécia em 2024, enquanto apenas 9 mil gregos vieram ao Brasil.
A Grécia tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) maior que o do Brasil, compilado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). E possui um IDH que o coloca na posição 34 do PNUD. Sua expectativa de vida é elevada, cerca de 81 anos, e praticamente 99% da população é alfabetizada.

Deixe o seu comentário