O início da comunicação humana
faz parte de uma história que começou há muitos anos e, dentro dessa jornada, muitas evoluções foram acontecendo, chegando ao que temos hoje: infinitas possibilidades na palma da mão.
Quem lê, escreve, fala e entende melhor
Passamos pelos sons, gestos, pinturas rupestres às contribuições de diversos povos no desenvolvimento da escrita e dos tipos que a acompanham, ampliando a capacidade de registrar, guardar e passar a informação.
A invenção do papiro, o primeiro formato de papel desenvolvido, aconteceu pelos egípcios, por volta de 2.500 a.C. Facilitou o processo de comunicação escrita, onde esse papel leve, feito a partir da planta de papiro, tinha como ser levado em todas as distâncias, diferente das tábuas de argila, pedaços de cerâmica e outras ferramentas usadas na época. Um grande passo para compartilhar a informação, porém, ainda um processo demorado e bem artesanal, que demandava tempo para a sua fabricação.
A democratização da comunicação chegou com Johannes Gutenberg, que inventou a primeira prensa de tipos móveis, permitindo a impressão de folhetos com informações e livros. Este último deixa de ser escrito à mão por escribas em um processo caro, passando a ser produzido em larga escala, com um custo mais baixo e de forma mais rápida, ampliando a leitura, o acesso e a troca de conhecimento. Muito tempo depois, essa inovação que garantia uma impressão em massa foi base para que pudéssemos ter o jornal impresso como o temos nos dias atuais.
A circulação do jornal fez com que as informações chegassem com agilidade às pessoas, facilitando a propagação e acessibilidade, porém, elas passaram a ser disseminadas mais rápido ainda com o início da versão digital dos jornais, ampliando o acesso com o uso dos smartphones, trazendo uma bolha digital para a sociedade. Em contrapartida, também aumentou o número de informações inverídicas, trazendo as famosas
fake news de forma avassaladora, onde muitos, na hora de ler, não checam as fontes e buscam canais de leitura que não são confiáveis.
Temos uma geração que conhece o jornal impresso e outra que não imagina o que seja, pois nunca teve acesso a um.
Lembro-me com clareza da minha infância e adolescência em nossa Nova Friburgo. Morávamos em um apartamento no Paissandu e comprávamos o jornal na banca do Marinho. Para garantir o jornal, pedíamos à ele que “guardasse” o nosso exemplar. Acredito que muitos friburguenses tinham esse hábito, pois ler o A Voz da Serra fazia e continua fazendo parte da nossa rotina.
Ah, como era bom! Abríamos as folhas com calma, líamos com atenção, sem pressa e distrações. Voltávamos às páginas, guardávamos recortes de algumas reportagens e publicações, não tínhamos pressa em acabar de ler o texto ao qual ficávamos imersos. Era uma leitura profunda.
Um resultado bem diferente do que temos atualmente. Agora, possuímos inúmeras abas abertas no nosso computador ou telefone, lemos superficialmente e com pressa, para que possamos consumir o máximo de informação possível, além das distrações que as telas nos proporcionam durante a leitura, impactando como processamos a informação que está sendo consumida.
Na minha geração, jornais impressos, revistas e gibis faziam a alegria. Uma pena que nos dias atuais, muitas crianças e adolescentes perdem a oportunidade de experimentar isso, seja pela não apresentação ou pela falta de interesse. Assim como os adultos também estão trocando a oportunidade de boa leitura por horas de navegação inerte no celular, acessando vídeos sem fundamentos, diversas redes sociais, muitos conteúdos irrelevantes e de baixa qualidade.
O conteúdo consumido está cada vez mais raso e superficial e, para sairmos desse cenário, há a necessidade de buscarmos outros mais aprofundados em variadas fontes, para que possamos combater a bolha informacional a qual estamos inseridos sem nem perceber.
Mais jovem, sempre ouvia uma frase que uso até na minha fase adulta: “Quem lê, escreve, fala e entende melhor”. E é exatamente isso que acontece!
Quem lê desenvolve a compreensão, aprimora a sua escrita e amplia sua visão de mundo, e todo esse conjunto impacta positivamente no seu repertório, aumentando seu vocabulário.
(Foto: Camila Fiorito / Arquivo Pessoal)
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