Alternativas: o futuro do futebol em pauta

Retorno dos jogos deve ser com portões fechados
quarta-feira, 15 de abril de 2020
por Vinicius Gastin
Presidente da Ferj, Rubens Lopes comanda reuniões com clubes por vídeo conferência
Presidente da Ferj, Rubens Lopes comanda reuniões com clubes por vídeo conferência

São inúmeros os debates a respeito do futuro do futebol brasileiro em 2020, assim como do esporte de uma forma geral. Dirigentes, médicos, sindicatos e especialistas têm feito inúmeras vídeo conferências, em busca de soluções para retomar as atividades, sem desrespeitar os protocolos de segurança em saúde. Em meio ao difícil desafio de encontrar esse equilíbrio, algumas propostas e definições começam a aparecer, mas ainda sem a possibilidade de estipular prazos e definir datas.

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e os clubes que disputam a Série A do Campeonato Carioca, por exemplo, ratificaram recentemente a decisão de terminar o Estadual em campo, tão logo seja permitido o retorno das atividades.

Novas diretrizes também foram debatidas, sendo a principal delas a criação de um rigoroso protocolo de biossegurança, individual e coletiva, a ser seguido por todos os clubes em uma volta gradativa e escalonada dos treinamentos, a ser apresentado às autoridades sanitárias. O Friburguense, através do gerente de futebol José Siqueira, participa ativamente das reuniões virtuais.

No debate os representantes dos clubes atualizaram seus cenários esportivos, médicos e econômicos. Em nova vídeo conferência, no início desta semana, uma reunião técnica com os médicos dos clubes debateu especificamente essa elaboração do protocolo de prevenção do novo coronavírus no futebol carioca. A Ferj já deu início a algumas ações para o retorno aos campos, tais como a compra de equipamentos de análise e kits de teste para dosagens de imunoglobulinas, descontaminação de ambientes, metodologia e cronograma de treinamentos.

A ideia é uniformizar os procedimentos, uma iniciativa considerada pioneira dentre as entidades de administração do futebol. A Ferj também já determinou que os treinos de clubes com até quatro jogos em disputa só poderão contar com a presença de até 40 pessoas. Este número será ampliado para os grandes, que possuem estrutura maior e mais preparada do que os pequenos.

Na CBF...

Enquanto os debates prosseguem a nível estadual, a Confederação Brasileira de Futebol também estuda alternativas. Coordenada pelo presidente da Comissão Nacional de Médicos da CBF, Jorge Pagura, um grupo de trabalho com médicos de clubes e um infectologista redigiu uma série de orientações para o retorno dos clubes às atividades. Não há ainda data definida para a volta do futebol nem aos treinos, mas os médicos se reuniram algumas vezes para definir parâmetros básicos que possam servir para clubes das Séries A a D. Mudanças no formato das competições, em especial do Brasileirão, também estão em pauta.

Além de Pagura e do médico Rodrigo Lasmar, do Atlético-MG e da Seleção, o infectologista Sérgio Wey, do Hospital Albert Einstein, mais os chefes dos departamento médicos do Flamengo, Márcio Tannure, do Avaí, Luís Fernando Funchal, e da Ponte Preta, Roberto Nishimura, participaram da elaboração dos principais pontos do documento. O protocolo médico geral vai ser submetido à aprovação na CBF antes de ser replicado a clubes pelo país.

Os médicos consultaram protocolos que já estão sendo utilizados nas federações da Espanha, de Portugal e em alguns clubes do Japão e da Alemanha, como o Bayern de Munique e o Bayer Leverkusen. Uma das ideias é separar jogadores por turno de trabalho e até por campos, se houver estrutura para isso.

Seria como se o treino de goleiros, sempre separado, seja replicado em treino para laterais, zagueiros, meias e atacantes. Outro item que depende muito da estrutura do clube segue duas ordens: cozinhas e rouparias fechadas, para evitar exposição de mais pessoas a possível contaminação, e vestiários fechados ou boxes exclusivos para atletas.

O protocolo proposto também prevê procedimentos, como fisioterapia, sendo realizados com máscaras e luvas apropriadas no contato com os jogadores. Sem conversa e contato físico. Ao fim da sessão de tratamento, higienização do local de trabalho. A mesma organização de treinos e uso de academia também vale para o trabalho de recuperação e tratamento.

Quando retornar?

As propostas aparecem, os modelos de protocolos começam a ser definidos, mas ainda há divergência quanto a data do retorno do futebol brasileiro, paralisado por tempo indeterminado. A maioria dos clubes deu férias a jogadores e funcionários até o final do mês de abril, entendendo que pode haver um retorno das atividades em maio. No entanto, o tema ainda gera divergências.

O secretário-geral da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Walter Feldman, por exemplo, não acredita que as atividades serão retomadas em sua totalidade em maio. Em entrevista a um canal de televisão, Feldman explicou que a entidade prefere, a partir de uma autorização do Ministério da Saúde, o retorno progressivo, sem descartar a retomada do futebol com portões fechados – o que é bastante provável.

“Eu diria que o pico (da doença) no eixo Rio-São Paulo provavelmente se dará ao longo deste mês e na primeira quinzena de maio. Nós temos a elaboração de um protocolo que permita que, quando a autoridade pública de saúde diga que pode ter a chamada mini aglomeração, é possível nós retomarmos progressivamente, mas claro que de maneira parcial. Eu acredito que a volta integral, que seria com as equipes treinando, já realizando seus jogos de portões abertos, me parece muito precoce dizer, mas muito improvável que isso aconteça”, avalia Feldman.

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