Uma trajetória vitoriosa, com títulos, liderança e reconhecimento de grandes torcidas do país. Uma das boas revelações do Friburguense nos últimos anos, o volante Lucas Siqueira confirmou a aposentadoria dos gramados, aos 37 anos de idade. O último clube que defendeu foi o Santa Cruz, de Pernambuco, pelo qual resolveu se despedir dos gramados após a disputa do Campeonato Brasileiro da Série D de 2025.
“É difícil escolher apenas um momento marcante na minha carreira. No Friburguense, por exemplo, 2011 me marcou muito por todo contexto que vivemos em meio a tragédia climática na cidade. Naquele ano, mesmo diante de todo cenário de tristeza e destruição, conquistamos o acesso para primeira divisão do Campeonato Carioca. O Friburguense é o clube que me formou. Carrego um carinho enorme pelo clube e por Nova Friburgo. Em 2014, fui campeão brasileiro da Série C com o Macaé, e logo após fui contratado pelo Vasco. Realizei outro grande sonho de jogar em um dos principais clubes do país. Fomos campeões do Carioca em 2015 diante do Botafogo e até hoje os torcedores lembram da assistência que dei para o gol do Gilberto. Também fui campeão e conquistei acessos importantes pelo Paysandu, Ceará, Clube do Remo e Santa Cruz. Não posso deixar de destacar outro momento que marcou muito, quando anunciei a minha aposentadoria e o Santa Cruz fez uma homenagem na Arena Pernambuco diante de mais de 65 mil torcedores, com a presença dos meus pais, minha esposa e meus filhos”, avalia o atleta.
Lucas nasceu no município vizinho de Bom Jardim, mas logo cedo foi morar com os pais em Vitória-ES. Com 15 anos de idade, decidiu sair de casa para iniciar a realização de um sonho: ser jogador de futebol. O destino foi exatamente o Friburguense, onde passou a morar no alojamento do clube. De acordo com estatísticas do site O Gol, o volante atuou por 135 partidas com a camisa do Tricolor da Serra entre 2009 e 2013, marcando 19 gols nesse período. Um dos mais bonitos foi justamente contra o Vasco, em São Januário, em 2013.
“Cheguei ao Friburguense em 2004 quando tinha apenas 15 anos. Foram mais de dez anos de vínculo. Levo no coração boas recordações e uma gratidão imensa por tudo que vivi no clube. Foi no Friburguense que tudo começou de forma mais profissional. Posso até citar boas lembranças como a de 2009, quando fomos campeões da Taça João Ellis Filho, no Maracanã. Lembro que bati um pênalti naquela decisão e comemoramos muito o título. Em 2011, formamos um grande time, tivemos o acesso para a primeira divisão do estadual e fomos vice-campeões da Copa Rio. Nessa temporada, eu marquei 11 gols, número expressivo para um volante. Já em 2012, mantivemos a base da equipe e lamentamos até hoje o jogo contra o Crac-GO, onde batemos na trave o acesso para a série C do Brasileiro. Em 2013 e 2014, fizemos bons campeonatos estaduais e consegui manter boa regularidade até ser contratado pelo Vasco em 2015. Sou eternamente grato a tudo e todas as oportunidades que o Friburguense me proporcionou”, celebra.
Após inúmeros momentos marcantes e destaque pelo Frizão, passou a gerar interesse de outros clubes. Em 2014, ele foi emprestado ao Macaé e participou da campanha do título da Série C do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, ainda vinculado ao Friburguense, Lucas chegou a um grande clube do futebol nacional: foi emprestado ao Vasco da Gama, onde foi campeão carioca pelo cruz-maltino, com direito a assistência para Gilberto definir o triunfo de 2 a 1 sobre o Botafogo.
Lucas Siqueira estava no Santa Cruz desde 2024, quando foi contratado para reforçar o plantel para a disputa do Estadual. Naquele ano o time estava sem série nacional para disputar. Após o fim da campanha no Campeonato Pernambucano, o meio-campo se transferiu por empréstimo para o Botafogo, mas atuou pouco e voltou ao Arruda ao término do contrato. Em 2024 fez 13 jogos e dois gols.
Durante o ano passado fez menos partidas, era titular da equipe no início da temporada, mas perdeu espaço com a chegada do técnico Marcelo Cabo, que reformulou o elenco. Com 36 anos de idade, Lucas Siqueira sempre se notabilizou pela boa leitura de jogo e perfil de liderança, característica que lhe rendeu a faixa de capitão em diversos clubes por onde passou. Além de Friburguense, Vasco e Santa Cruz, também vestiu as camisas de Macaé, Paysandu, Ceará, Novorizontino, CRB, Portuguesa, Remo e Ituano.
“Para quem me acompanha há mais tempo, sabe que eu também atuo na área da educação financeira. Faço esse trabalho com os atletas desde 2019, com palestras, mentorias, construí curso, escrevi livro de finanças e recentemente me tornei sócio de uma empresa que leva educação financeira com inteligência emocional para as escolas. Quando eu conheci esse projeto, logo quis fazer parte, pois eu sei o quanto a educação financeira faz diferença na vida das pessoas. Ter a oportunidade de levar esse conhecimento para as crianças e adolescentes nas escolas é algo que considero incrível e virou uma grande missão. Em 2025 eu completei 37 anos, e naturalmente o futebol vai afunilando por conta da idade. Comecei abrir portas em municípios de Pernambuco e já não dava mais para conciliar o futebol com os compromissos da empresa. Por isso, eu tomei a decisão de encerrar a minha carreira como jogador de futebol profissional para me dedicar a esse projeto incrível”, explica.
Na prateleira de títulos estão as conquistas da Série C de 2014, do Campeonato Carioca de 2015, da Copa Verde e do Campeonato Paraense em 2016, do Campeonato Cearense em 2017 e da Copa Verde em 2021. Com um passado vitorioso, Lucas e a família olham para o futuro e enxergam um retorno à Nova Friburgo.
“Em 2026, eu e minha família vamos continuar morando em Recife-PE. Também vou continuar com o programa @atletaqueinveste, que é o meu projeto de educação financeira com atletas e a forma que irei continuar no futebol. Em um futuro próximo, quero voltar a morar em Nova Friburgo. Aqui tenho parentes e a família da minha esposa também é daqui. Desde que casamos, há dez anos, sempre deixamos isso bem claro. Quando o futebol nos parasse, voltaríamos. Nova Friburgo e o Friburguense fazem parte de quem eu sou.”



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