21 de novembro - Dia da Filosofia

A abrangência da data na visão de um professor friburguense
sexta-feira, 21 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freepik
Foto: Freepik

O Dia da Filosofia foi criado pela Unesco em 21 de novembro de 2005 tem o objetivo de valorizar a filosofia como ferramenta para o pensamento crítico, a tolerância, a paz e a compreensão dos desafios contemporâneos, incentivando o diálogo e a reflexão sobre questões importantes para a humanidade.   

Ao instituir a celebração do Dia da Filosofia que também costuma ser comemorado na terceira quinta-feira de novembro reconhece o papel essencial da filosofia no desenvolvimento do pensamento humano em cada cultura e em cada indívíduo. O exercício filosófico fortalece a reflexão crítica e nos ajuda a compreender melhor a vida e as ações no contexto geral. 

 

A contraefetuação filosófica

Por Cesar Lapa (*)

 Falar de filosofia na “Semana da Consciência Negra” faz lembrar que a “Filosofia” tem raízes na cultura antiga do norte da África. Gostamos de afirmar essa origem “preta”, marcante de um pensamento que quer se “descolonializar”.

Mas também é oportunidade de trazer à consciência, que a filosofia é exercício da diferença, porém, em muitas situações, não é libertadora de modo algum. Ser libertadora não é um pressuposto da filosofia que, em seus regimes semióticos, se torna crítica ao poder, que recalca nossas potências.

Michel Foucault conceituou bem os regimes de signos e os regimes de corpos. Fala-se muito de ideologia nas escolas, mas essa abordagem é equivocada em certo sentido. 

O que ocorre de fato, é o estabelecimento de um duplo uso dos discursos e dos corpos. Primeiro, um regime discursivo que estabelece palavras de ordem: domínio da “norma culta” das línguas, como é estabelecido no ensino de português ou de inglês, por exemplo. Competência semelhante no ensino das ciências e das regras matemáticas. Algo semelhante ocorre na formação antropológica nas ciências do homem, etc.

Há também, o regime de visibilidade dos corpos no espaço escolar: o lugar do docente e do discente, em que se estendem gestos, suas punições e premiações, e tantos outros encontros corpóreos.

Entretanto, da filosofia, em tese, poder-se-ia esperar uma contra efetuação transversal desses regimes: fazer emergir experimentações sobre os conceitos que circulam.

Trabalhando no Ceja - Centro de Educação de Jovens e Adultos, da Fundação Cecierje (Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro), modalidade voltada aos estudos semipresenciais para jovens e adultos, temos a oportunidade de provocar o pensamento para alçar movimentos audaciosos.

Neste momento, um aluno como Caio Felipe Pereira oferece testemunho do que pode ser filosófico nas escolas. Ele nos diz, por exemplo, que “a modernidade nos dá algumas formas de agir, ou até mesmo de pensar, a forma ainda mais usada. E o poder da palavra modernidade como canal de pensamento nos oferece uma posição melhor no campo social, apesar de muitas pessoas não terem seu lugar de fala, ou são pouco ouvidas, ou até mesmo passam despercebidas aos olhos da sociedade.” 

Caio Felipe, de sua maneira, conseguiu pensar os regimes discursivos e os regimes de visibilidade que atravessam sua vida. E até foi além: pôs em cena o “invisível” despercebido à sociedade.

Assim, a filosofia no ensino não é para professar nenhuma doutrinação, ou reforçar a cultura vigente. Filosofia deve ser instrumento de problematização, até mesmo do próprio esgotamento sentido pelas pessoas neste mundo.


(*) César Lapa é formado em Filosofia pela Uerj desde 1990, atuando no Ensino Médio na Rede Pública de Ensino desde 1998, atualmente no Ceja Nova Friburgo. É mestre em Ciências da Literatura/Psicanálise, formado no Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica e professor do Seminário Diocesano Imaculada Conceição em Nova Friburgo. É também esquizoanalista da Escola Nômade de Filosofia.

 

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 81 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra

TAGS: