Inverno impulsiona turismo, mas exige cuidados com a saúde

Com temperaturas inferiores a 14 graus, aumentam os riscos de AVC
segunda-feira, 20 de julho de 2026
por Laís Lima*
Foto: Magnific
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As baixas temperaturas que vem marcando o período de férias escolares transformam a Região Serrana em um dos destinos mais procurados do estado. Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis atraem visitantes em busca do clima típico da estação, da boa gastronomia e das inúmeras belezas naturais da serra fluminense. Mas, enquanto o frio aquece o turismo, especialistas alertam para os riscos que ele representa à saúde, especialmente em relação às doenças cardiovasculares e urinárias.

Pouca ingestão de líquidos favorece infecções urinárias e cálculos renais
A expectativa do setor hoteleiro é repetir o bom desempenho registrado nos últimos anos. Um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) mostrou que, durante as férias de julho de 2025, os meios de hospedagem dos principais municípios turísticos do interior fluminense alcançaram ocupação média superior a 70%, cenário que deve se repetir nesta temporada.

Frio favorece infartos e AVC

Apesar do movimento positivo para a economia, o inverno exige cuidados. Segundo especialistas, a queda da temperatura provoca alterações no organismo que aumentam o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), principalmente entre pessoas com doenças cardiovasculares ou fatores de risco.

Com o frio, os vasos sanguíneos tendem a se contrair para preservar o calor corporal, elevando a pressão arterial e aumentando o esforço do coração. Além disso, o sangue pode ficar mais viscoso, favorecendo a formação de coágulos.

Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) indicam que os casos de infarto podem crescer até 30% durante o inverno. Já os registros de AVC podem aumentar cerca de 20%, especialmente nos dias em que os termômetros registram mínimas abaixo de 14 graus.

Lei amplia informação sobre sinais de AVC

Diante desse cenário, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, no mês passado, a lei 11.239/26, que determina a instalação de placas e cartazes informativos sobre os principais sintomas do AVC em locais de grande circulação.

A medida prevê a afixação dos materiais em estações e terminais de transporte coletivo, hospitais, clínicas, escolas, academias, centros comerciais, bares, restaurantes, órgãos públicos e outros estabelecimentos com grande fluxo de pessoas, com o objetivo de estimular o reconhecimento precoce dos sinais da doença e agilizar o atendimento médico.

Mudanças de hábitos também elevam os riscos

O inverno não altera apenas o funcionamento do organismo. As mudanças de comportamento típicas da estação também contribuem para o aumento das doenças cardiovasculares.

É comum que as pessoas reduzam a prática de atividades físicas, bebam menos água e consumam alimentos mais calóricos e gordurosos. O sedentarismo e a menor hidratação acabam potencializando os efeitos do frio sobre o sistema cardiovascular.

Os grupos que merecem atenção especial são idosos, hipertensos, diabéticos, pessoas com colesterol elevado, obesidade, tabagistas e pacientes que já apresentaram doenças cardíacas.

Reconhecer os sinais salva vidas

No caso do AVC, o atendimento rápido faz toda a diferença. Os sintomas costumam surgir de forma repentina e incluem fraqueza ou dormência em um lado do corpo, rosto torto, dificuldade para falar, confusão mental, alterações na visão, perda de equilíbrio, tontura e dor de cabeça intensa sem causa aparente. Ao perceber qualquer um desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.

Hidratação também protege rins e bexiga

Outro problema frequente durante o inverno é a redução do consumo de água. Como a sensação de sede diminui, muitas pessoas passam o dia ingerindo menos líquidos, aumentando o risco de infecções urinárias e formação de cálculos renais.

A Secretaria estadual de Saúde (SES-RJ) orienta a população a procurar uma unidade de saúde caso surjam sintomas como dor lombar, dificuldade para urinar, sangue na urina, infecções urinárias recorrentes, perda involuntária de urina ou alterações no fluxo urinário.

Cuidados simples fazem a diferença

Especialistas reforçam que algumas medidas podem reduzir significativamente os riscos durante os dias mais frios. Manter o corpo aquecido, beber água regularmente, continuar praticando atividades físicas em horários mais quentes do dia, seguir corretamente os tratamentos médicos, evitar o excesso de álcool, cigarro e manter a vacinação em dia, especialmente contra influenza, Covid-19 e pneumococo, são atitudes que ajudam a preservar a saúde.

Assim, quem aproveita o inverno na Região Serrana pode desfrutar das baixas temperaturas com mais segurança, conciliando lazer, turismo e prevenção.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim
 

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