O avanço do feminicídio no Brasil

Em média, uma mulher foi assassinada a cada cinco horas e 25 minutos
quarta-feira, 13 de maio de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

Os casos de feminicídio no Brasil aumentaram gravemente entre 2025 e 2026. Neste primeiro trimestre, entre janeiro e março, foram registrados 399 casos: em média uma mulher foi morta a cada cinco horas e 25 minutos, neste período em todo o país. O número, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é o mais letal desde a criação do sistema em 2015.

O Estado de São Paulo lidera o ranking com 86 casos, seguido com Minas Gerais (42 casos), Paraná (33), e em sétimo lugar o Rio de Janeiro, com 20 casos. No Brasil, a taxa estimada de feminicídios é de 7,5 por 100 mil habitantes.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP), a Região Serrana registrou 1,1 caso por 100 mil habitantes e de 5,2 por 100 mil habitantes em tentativas de feminicídio. No estado, a média foi de 1,0 feminicídio e 4,0 tentativas por 100 mil habitantes. Em Nova Friburgo, entre 2016 e 2025, foram registrados 12 feminicídios e 43 tentativas. Em 2026, até março, foi registrada uma tentativa, em janeiro.

Alerta

O Brasil atingiu, em 2025, o maior índice de feminicídios registrado nos últimos dez anos. Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em março de 2026, apontam que 1.568 mulheres foram mortas em crimes motivados por violência de gênero, um crescimento de 4,7% em comparação com 2024, quando foram contabilizados 1.492 casos.

O levantamento foi publicado às vésperas do Dia Internacional da Mulher e reforça o avanço contínuo desse tipo de crime no país desde que o feminicídio passou a ser tipificado no Código Penal, em 2015.

No primeiro ano da legislação, foram registrados 449 feminicídios no Brasil. Em 2016, o número saltou para 929 vítimas e seguiu em crescimento nos anos seguintes: 1.075 casos em 2017; 1.229 em 2018; 1.330 em 2019 e 1.354 em 2020.

Embora tenha ocorrido uma pequena redução em 2021, com 1.347 ocorrências, os índices voltaram a subir nos anos posteriores. Foram 1.455 casos em 2022, 1.475 em 2023, 1.492 em 2024, até atingir o recorde histórico em 2025.

Os dados evidenciam a persistência da violência contra a mulher no país e acendem um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção e combate ao feminicídio.

Mais proteção  

O programa Antes que Aconteça, começou a valer no último dia 4 e foi criado para ampliar a rede nacional de prevenção e apoio a mulheres vítimas de violência. O texto publicado no Diário Oficial da União, previu a instalação de salas Lilás, um espaço humanizado em órgãos públicos e instituições de segurança, como delegacias, destinados ao acolhimento de mulheres e meninas em situação de violência. As casas abrigo também serão ampliadas, para acolher mais mulheres em situação de risco iminente.

Além disso, outra iniciativa prevista no projeto é a prestação de serviços itinerantes em unidades móveis e vans, com oferta de atendimento psicológico, jurídico e social gratuito em locais de difícil acesso, escolas e comunidades.

O objetivo é reduzir os índices de feminicídio e violência doméstica e familiar, fortalecer a rede de atendimento, promover a autonomia econômica e o empreendedorismo feminino, e conscientizar a sociedade sobre a igualdade entre homens e mulheres, com foco no ambiente escolar.

O Programa Antes que Aconteça é resultado da atuação da Bancada Feminina do Congresso Nacional, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e dos Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público.

(Com informações da Agência Brasil e G1)

 

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