Estudos apontam crescimento de carreiras ligadas à tecnologia, enquanto funções manuais estão perdendo espaço
quinta-feira, 30 de abril de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Magnific
O avanço acelerado da inteligência artificial, da automação e da digitalização tem redesenhado o mercado de trabalho em escala global, e o Brasil acompanha esse movimento. Mais do que uma tendência distante, as “profissões do futuro” já são uma realidade em diversos setores, ao mesmo tempo em que ocupações tradicionais começam a dar sinais claros de desgaste.
Cerca de 40 profissões apresentam alto risco de automação nas próximas décadas, principalmente as que têm a execução de tarefas repetitivas
Dados recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a indústria brasileira deve buscar, nos próximos anos, profissionais com habilidades cada vez mais específicas e voltadas à inovação. Um levantamento do Observatório Nacional da Indústria identificou, pelo menos, 16 profissões estratégicas para o futuro do setor, muitas delas diretamente ligadas à transformação digital. Entre os destaques estão especialistas em internet das coisas, analistas de big data, engenheiros de cibersegurança e técnicos em automação avançada.
Essa mudança também é percebida fora do ambiente industrial. Levantamentos de instituições de ensino e mercado apontam uma expansão significativa de carreiras ligadas à tecnologia da informação, sustentabilidade e experiência do usuário. Funções como cientista de dados, desenvolvedor de inteligência artificial, e designer de interfaces digitais aparecem com frequência nas listas de profissões em ascensão.
Serviços que incluem a sustentabilidade também estão sendo muito procurados. Pensando em um mundo onde muitos recursos são finitos, a população já está aplicando muitas medidas de reaproveitamento, reciclagem e transformação do produto. Profissões que aproveitem esse distintivo, como engenheiro de energias renováveis, podem crescer nos próximos anos.
Risco de automação
Um estudo divulgado recentemente pela Microsoft acende um alerta importante: cerca de 40 profissões apresentam alto risco de automação nas próximas décadas. Em comum, elas têm a execução de tarefas repetitivas, previsíveis ou baseadas em padrões, exatamente o tipo de atividade que sistemas inteligentes conseguem reproduzir facilmente.
Entre as ocupações mais propensas estão atendentes de telemarketing, digitadores, recepcionistas e funções administrativas básicas. Outras já praticamente não existem mais, como os sapateiros e os que consertam panelas.
Áreas consideradas tradicionalmente criativas, como produção de conteúdo e tradução, passam por transformação, já que ferramentas de inteligência artificial conseguem gerar textos, revisar documentos e traduzir idiomas em questão de segundos.
A substituição, no entanto, não acontecerá de forma imediata. Especialistas apontam que o processo tende a ser gradual e acompanhado por uma reconfiguração das funções. Em vez de desaparecer completamente, muitas profissões devem incorporar a tecnologia como aliada. O atendente, por exemplo, pode adquirir a função de mediador de soluções mais complexas.
Profissões que podem ser reduzidas
·Entregadores dos Correios;
·Operador de caixa;
·Serviços de impressão;
·Agentes de viagem;
·Assistentes estatísticos;
·Arquivistas;
·Revisores e editores de texto;
·Operadores de telefonia;
·Tradutores;
·Representantes de vendas;
·Matemáticos;
·Redatores técnicos;
·Locutores;
·Geógrafos;
·Assistentes administrativos;
·Caixa de banco;
·Bilheteiros;
·Digitador de dados;
·Secretários
Transformações
Profissões que exigem interação humana direta, empatia ou habilidades manuais específicas tendem a resistir mais à automação. Setores como saúde, educação, construção civil e serviços técnicos continuam dependendo, em grande medida, da presença humana.
Ainda assim, nem mesmo essas áreas ficam imunes às mudanças. Médicos, professores e técnicos já convivem com ferramentas digitais que ampliam suas capacidades e alteram a dinâmica do trabalho. O que muda, nesse caso, não é a existência da profissão, mas a forma como ela é exercida.
A estabilidade profissional passa a depender menos da profissão escolhida e mais da capacidade de adaptação do trabalhador. Aprender continuamente, desenvolver novas competências e acompanhar as transformações tecnológicas deixam de ser diferenciais e passam a ser condições básicas para permanecer no mercado.
(Com informações da CNN e Agência Brasil)
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