Polícia investiga caso de humilhação e agressões a adolescente em Friburgo

O caso ocorreu durante uma festa na localidade rural de Salinas, onde o menor teria sido trancado em um armário
quarta-feira, 22 de abril de 2026
por Isabella Rodrigues (*)
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro
A Polícia Civil de Nova Friburgo, por meio da 151ª DP, instaurou um inquérito, nesta quarta-feira, 22, para investigar um grave episódio de agressão e humilhação contra um adolescente de 17 anos. O caso, que ocorreu recentemente durante uma festa na localidade rural de Salinas, no distrito de Campo do Coelho, veio à tona após vídeos gravados pelos próprios autores circularem em aplicativos de mensagens no feriado de Tiradentes (última terça, 21). 

Vídeos com imagens das humilhações viralizaram nas redes sociais
As imagens mostram a vítima sendo submetida a atos de agressão física e psicológica por um grupo de aproximadamente nove jovens. Segundo as investigações, o adolescente de 17 anos estaria incapacitado de resistir às agressões. Ele chegou a ser trancado em um armário, e depois, deitado em uma cama, teve pedras de gelo colocadas sobre suas nádegas. 

O delegado titular da 151ª DP, Heberth Tavares, informou que o caso está sendo tratado com prioridade. Os agressores já foram identificados. Como o episódio envolve um menor de idade, o processo corre sob sigilo, seguindo as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e está sendo acompanhado também pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. 

“A investigação busca agora enquadrar as condutas, que podem configurar crimes de lesão corporal, injúria real ou constrangimento ilegal”, informou o delegado.

Repercussão e revolta 

A polícia esclareceu ainda, nesta quarta-feira, que, diferentemente do que foi inicialmente veiculado em redes sociais e aplicativos de mensagens, a vítima não tem diagnóstico de autismo. Também foi descartada a informação de estupro coletivo de vulnerável. As investigações e informações atualizadas confirmam que se trata de um jovem de 17 anos. Além disso, a família esclareceu que o adolescente possui suspeita de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade).

A mãe atípica Isabella Stutz, relatou à redação de A VOZ DA SERRA, que o caso é lamentável. “Como cidadã, não posso tolerar que jovens tenham atitudes de violência contra outros jovens. É uma violência que parece não ter inibição nenhuma, porque se grava, se posta, se compartilha, se expõe, e a violência só aumenta quando a gente compartilha um vídeo como esse ou envia para outras pessoas. A gente só expõe ainda mais essa violência.

Sendo uma família típica ou com uma pessoa com autismo, a gente acaba expondo ainda mais a família a essa violência.
A minha esperança, como cidadã e como mãe, como pessoa que pensa e sonha por um futuro mais inclusivo, é que não se possa conceber que a violência jamais seja permitida ou perpetuada. Que haja punição para todo e qualquer envolvido e que, na medida do possível, isso seja feito com rapidez, para que não deixe isso se perpetuar”, acentuou Isabella. 

Em nota enviada, nesta quarta-feira, 22, à redação de A VOZ DA SERRA, o delegado da 151ªDP, Heberth Tavares disse que “desafortunadamente, alguns perfis de Instagram sensacionalistas divulgaram imagens dos eventos informando até que teria havido estupro coletivo em face do menor e que ele seria autista, o que não condiz com realidade (segundo a mãe tem suspeita de TDAH mas sem diagnóstico).” 

“Infelizmente, a divulgação dos fatos sem o devido filtro, antes mesmo do registro trouxe grande transtorno à vítima, que teve sua intimidade violada, além de prejudicar o andamento da investigação”, destacou o delegado.

“Assim que os fatos chegaram a esta DP, trazidos por parentes da vítima, as diligências iniciais foram tomadas, tais como: entrevista do menor, oitiva de testemunhas e identificação e oitiva de alguns autores (sendo nove os autores no total). Surge, ainda, um décimo nome que teria chegado após a gravação dos vídeos, não se tendo certeza de sua participação ou não no evento. A destacar que, quando fato nos foi informado, os autores não estavam mais em flagrante delito, pelo que inviável sua prisão naquele momento.

O menor foi levado a exame de corpo de delito, não sendo encontrada lesão corporal compatível com o evento (há escoriação, mas pelo aspecto, anterior ao fato investigado), do mesmo modo, não há lesão em região íntima do menor , o que afasta, em primeiro momento crime de estupro. Para evitar precipitação, foi colhido material da área íntima do autor, ânus e região genital, para pesquisas. A análise é de laboratório e demanda certo tempo”, completou o delegado, em nota.
 
*Matéria atualizada às 17h15

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