Na última quarta-feira, 11, o Ministério da Saúde, através do Diário Oficial da União, ampliou o uso do medicamento doxiciclina (DoxiPEP) 100mg para o tratamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) bacterianas como a clamídia e a sífilis. A Profilaxia Pós-Exposição com DoxiPEP será disponibilizada através do Sistema Único de Saúde (SUS), como medida preventiva dessas infecções.
A ampliação foi aprovada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde). As áreas técnicas terão o prazo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS. De acordo com o Ministério da Saúde, desde o final de 2025 casos de ISTs, como é o caso da sífilis e clamídia aumentaram em todo o país. E entre gestantes, o número preocupa ainda mais, entre 2005 e 2025 foram registrados 810.246 casos, sendo 47% deles na Região Sudeste.
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil não há registros epidemiológicos de clamídia pois aqui não é considerada uma doença de notificação obrigatória, porém, segundo os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC/2017) os casos acontecem, em sua maioria, na faixa etária entre jovens de 15 a 24 anos.
Em Nova Friburgo, de acordo com o SinanNet, o número de casos de sífilis notificados em 2026 chegou a 56, incluindo sífilis adquirida, em gestante e congênita, de 1º de janeiro à 16 de março. Na mesma época, em 2025, foram registrados 44, tendo um aumento de 27% este ano.
Sintomas
A clamídia e a sífilis são duas infecções bacterianas transmitidas pelo contato sexual desprotegido (anal, oral e vaginal) ou por forma congênita, de mãe para filho durante a gestação. A maior parte dos pacientes que são diagnosticados com clamídia não apresentam sintomas, mas quando apresentados, em mulheres corrimento amarelado ou claro, sangramento espontâneo ou durante as relações sexuais, dor ao urinar e no baixo ventre (pé da barriga). Em homens os sintomas mais comuns são ardência ao urinar, corrimento uretral com a presença de pus e dor nos testículos.
A Sífilis pode se apresentar de diversas formas, em sífilis primária, sífilis secundária, sífilis latente (fase assintomática) e sífilis terciária.
·Sífilis primária: Geralmente aparece uma ferida única que aparece no local de entrada da bactéria, normalmente entre dez e 90 dias após o contágio. Nesta fase há uma alta transmissibilidade da infecção. Em geral, essa lesão (cancro duro) não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. Após alguns dias, o cancro duro desaparece sozinho, independentemente de tratamento. Isso não significa que houve cura da sífilis.
·Sífilis secundária: Manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Surgem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e da cicatrização da ferida inicial. Essas lesões possuem grande quantidade de bactérias e, portanto, possuem alta transmissibilidade ao contato.
Nessa fase pode ocorrer febre e mal-estar, além de dor de cabeça e ínguas pelo corpo. Assim como o cancro duro, essas lesões desaparecem em algumas semanas, independentemente de tratamento, causando a falsa impressão de cura.
·Sífilis latente: Latente recente (até um ano de infecção). Latente tardia (mais de um ano de infecção). Sua duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
·Sífilis terciária: Surge entre um e 40 anos após o início da infecção, podendo levar à morte. Entre os sintomas estão lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas.
Prevenção e tratamento
A melhor forma de prevenção é a camisinha, mas além disso, o SUS disponibiliza atendimento e testes rápidos nos postos de saúde. Em Friburgo, o teste pode ser feito no Posto de Saúde Silvio Henrique Braune, no Suspiro.
Os testes rápidos são realizados em até 30 minutos, é tão confiável quanto o teste feito em laboratório.
Caso o exame seja reagente (positivo), o paciente pode iniciar o tratamento imediatamente. Pacientes que já tiveram a infecção, mesmo que tratada e eliminada, permanecem com o teste dando positivo, pois os anticorpos da infecção permanecem em seu corpo.
Ambas as infecções têm cura, e podem ser tratadas pelo SUS. Para a sífilis, o tratamento mais eficaz até o momento é a penicilina benzatina, aplicada em todos os postos de saúde e os parceiros sexuais também devem ser tratados. A aplicação de doses e tempo de tratamento varia, dependendo da gravidade da infecção. É importante que pacientes com alergia à penicilina avisem aos médicos sobre sua condição, para que o tratamento alternativo seja iniciado.
Já a clamídia, pode ser tratada com antibióticos receitados pelo médico, e no tempo adequado para a infecção sumir completamente, avaliando a gravidade do quadro. A clamídia se não tratada adequadamente pode facilitar a transmissão e contração de HIV/AIDS. (Com informações do Ministério da Saúde)
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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