O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Branco, iniciativa nacional que chama atenção para a importância da saúde mental e emocional. A campanha aproveita o início do ano, período tradicionalmente ligado a recomeços e planejamento, para estimular reflexões sobre sentimentos, comportamentos e hábitos que impactam diretamente o bem-estar psicológico.
A campanha surge em um contexto em que os problemas relacionados à saúde mental têm se tornado cada vez mais frequentes. Ansiedade, estresse, depressão e esgotamento emocional estão entre os principais sintomas registrados nos serviços de saúde, muitos deles associados às mudanças na rotina, às pressões sociais e ao uso excessivo de telas e internet.
O uso excessivo das redes sociais é apontado como um dos fatores que contribuem para o adoecimento emocional. A exposição constante a conteúdos idealizados, a comparação com padrões irreais de sucesso e aparência, além da busca por aprovação virtual, podem gerar frustração, baixa autoestima e sensação de inadequação. Especialistas alertam que o excesso de tempo conectado também interfere na qualidade do sono, na concentração e nas relações interpessoais, impactando diretamente a saúde mental.
Outro ponto destacado pela campanha é a dificuldade que muitas pessoas ainda enfrentam para falar sobre emoções e buscar ajuda. O estigma em torno dos transtornos mentais faz com que o sofrimento emocional seja, muitas vezes, silenciado ou minimizado. O Janeiro Branco reforça que cuidar da saúde mental deve ser encarado como uma necessidade básica, assim como o acompanhamento da saúde física, e que procurar apoio profissional é um passo importante para a prevenção de quadros mais graves.
De acordo com a psicóloga e professora universitária em Nova Friburgo, Lillian Black, o uso excessivo das redes sociais acaba isolando a pessoa dos contatos presenciais, ocasionando relações mais superficiais. “O algoritmo acaba nos levando a consumir apenas conteúdos que já estão dentro das nossas crenças e opiniões, radicalizando pontos de vista. As pessoas também se sentem mais livres para comentar com agressividade. Tudo isso cria um cenário que atrapalha o desenvolvimento da inteligência emocional e das habilidades sociais. Esse debate é urgente, não apenas pelas questões psicológicas, mas pelos impactos visíveis na maneira em que a sociedade como um todo se comporta atualmente”, explicou.
Apesar das redes sociais ampliarem o contato com outras pessoas e proporcionar encontros que não seriam possíveis fora dela, é necessário perceber quando as tecnologias estão atrapalhando o desenvolvimento pessoal e resultando em sentimentos como a tristeza, depressão e isolamento. “Consumimos uma quantidade muito grande de informações em vídeos curtos e rápidos, sem tempo de elaboração, o que gera esgotamento”, observa a professora.
Lillian também explica que para crianças e adolescentes, o impacto é ainda mais visível, existindo uma dificuldade de desenvolver conversas e comunicar o que se pensa e sente. “Elas estão em fase de desenvolvimento ainda, não têm muitos recursos emocionais e nem a maturidade suficiente para traçar alguns limites entre a vida virtual e a real. Muitas famílias se queixam que o adolescente passa horas trancado no quarto e não interage com os demais familiares”, disse.
Entre os principais sinais de alerta, quando as redes estão afetando a saúde mental, é a diminuição ou a quase inexistência de relações e atividades fora do meio. “Sobre o esgotamento mental, é fundamental que não deixemos de praticar algum tipo de atividade física e se possível, ter momentos de lazer fora das telas”, sugere Lillian.
Ainda segundo a psicóloga, é importante lembrar que o cuidado com a saúde física e mental deve existir em todos os meses do ano. “Temos pontos positivos e negativos no uso das redes sociais; Tudo que é excessivo acaba se tornando prejudicial para nossa vida. Temos que ter momentos de lazer, descanso, trabalho de maneira equilibrada, dentro do que nossa rotina nos permite. Outra coisa é que não existe uma fórmula ou receita para o cuidado em saúde mental: o autoconhecimento é a chave para a pessoa viver uma vida mais autêntica e congruente consigo mesmo”, finalizou.
Atividades locais
Em Nova Friburgo, na última quarta-feira, 21, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Rede de Atenção Psicossocial, realizou um encontro aberto à população na Estação Livre, a antiga rodoviária urbana na Praça Getúlio Vargas, com atividades voltadas ao cuidado emocional, acolhimento e orientação em saúde mental.
O evento contou com a participação das equipes do Centro de Atenção Psicossocial (Caps AD - Álcool e Drogas), Caps 3 e Caps 1, reunindo usuários dos serviços e profissionais da rede. Ao longo da manhã, foram desenvolvidas atividades como aulas abertas, apresentações musicais e rodas de conversa, criando um espaço de escuta e troca de experiências entre os participantes.
A iniciativa teve como objetivo aproximar a população dos serviços de saúde mental disponíveis no município, além de reforçar a importância do diálogo e do fortalecimento das redes de apoio. O contato direto com as equipes do Caps permitiu esclarecer dúvidas, compartilhar vivências e ampliar o entendimento sobre o funcionamento dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Já na quinta-feira, 22, o Corredor Cultural da Arp também realizou um evento voltado à conscientização da saúde mental. Durante a tarde, os interessados participaram de uma roda de conversa com a psicóloga clínica e hospitalar Karla Magalhães e a neuropsicóloga clínica, especializada em hipnoterapia, Priscila Frazão.

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