As ondas de calor registradas neste início de ano têm ultrapassado o desconforto térmico e se tornado motivo de atenção para os profissionais de a área da saúde. Especialistas apontam que a exposição prolongada a altas temperaturas pode sobrecarregar o organismo e elevar o risco de problemas cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Durante períodos de calor intenso, o corpo precisa trabalhar mais para manter a temperatura interna equilibrada. Esse esforço provoca alterações importantes no funcionamento do sistema circulatório, como a dilatação dos vasos sanguíneos e o aumento da frequência cardíaca. Ao mesmo tempo, a perda excessiva de líquidos pelo suor pode levar à desidratação, tornando o sangue mais espesso e dificultando a circulação.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) explica que essas mudanças fisiológicas podem favorecer a formação de coágulos e aumentar a pressão sobre o coração e o cérebro. Em pessoas com histórico de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes ou idade avançada, os riscos tendem a ser ainda maiores, exigindo atenção redobrada durante os dias mais quentes.
Outro fator de preocupação é a queda da pressão arterial causada pela vasodilatação, que pode provocar tonturas, fraqueza e desmaios. Em situações mais graves, a combinação entre desidratação e esforço excessivo do coração pode desencadear eventos cardíacos ou neurológicos súbitos.
Diante desse cenário, profissionais de saúde reforçam a importância de medidas preventivas simples, mas eficazes. Manter a hidratação ao longo do dia, evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes, reduzir atividades físicas intensas e buscar ambientes ventilados ou climatizados são cuidados essenciais para minimizar os impactos do calor sobre o organismo.
Além disso, sinais como dor no peito, falta de ar, confusão mental, dormência em um lado do corpo ou dificuldade para falar devem ser encarados como alerta e exigem atendimento médico imediato. Com a tendência de temperaturas cada vez mais elevadas, o calor extremo passa a ser visto não apenas como um fenômeno climático, mas também como um desafio crescente para a saúde pública, exigindo conscientização da população e preparo dos serviços de atendimento médico.
Dicas da cardiologista Renata Couto
Sobre o tema, A VOZ DA SERRA procurou a cardiologista Renata Couto que observa o favorecimento da desidratação com o forte calor que causa o espessamento do sangue e a sobrecarga do coração, aumentando o risco de infarto e AVC, especialmente em idosos, pessoas com hipertensão e diabetes.
“Além disso, o calor intenso pode provocar quedas de pressão, arritmias, desmaios. Isto é especialmente relevante nos pacientes que tomam diuréticos como forma de tratamento para o coração, pois estas medicações podem aumentar a desidratação. Porém, não são todos os pacientes que podem se hidratar "a vontade". Portanto, o ideal é sempre seguir as recomendações do médico que conhece o seu histórico”, orienta a médica.

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