Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
A VOZ DA SERRA tem sempre o que precisamos para uma vida melhor

Elizabeth Souza Cruz
Surpresas de Viagem
A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.
“Morre o escritor e educador Álvaro Ottoni”. A notícia veio impactar a nossa sede de ano novo, de alegrias e esperanças. A vida tem desses extremos, das antíteses, quando alegria e tristeza se esbarram na mesma calçada onde circulam nossos sonhos. Ele agora é “A árvore que fugiu do quintal” para dar flores e frutos no quintal dos iluminados. Nesse quintal supremo, vive, então, o seu espírito para escrever a mais nova edição de “Quem mora aqui, quem mora lá”, e mandar para nós mais “um livro voador”! Muito céu, amigo!
A charge de Silvério, nosso veículo de embarcação literária, nos levou para 2011, quando a tragédia climática marcou de modo profundo, a memória friburguense. São 15 anos de um janeiro tenebroso, de “feridas que não cicatrizam”. Isabela Rodrigues, com supervisão de Henrique Amorim, marcou nas páginas de A VOZ DA SERRA, o que tem sido a vida friburguense no pós- tragédia da madrugada de 12 de janeiro. Nosso município tem hoje 36 sirenes de alerta-alarme e ainda vai receber mais 18. Muito tem sido feito para a segurança da população, embora ainda haja uma demanda maior de providências que possam garantir melhores condições de tranquilidade para os moradores de determinadas regiões. A expectativa agora está voltada para a construção da “Barreira Sabo”. O investimento faz parte de um acordo de cooperação técnica entre o Brasil e o Japão.
O “desastre natural” como foi nomeada a tragédia em Nova Friburgo, ganhou repercussão internacional. A moradora do bairro Córrego Dantas, Solange, em seus lamentos, destaca que os períodos de chuva são os mais difíceis, mas que, felizmente, “as sirenes da Defesa Civil nunca foram acionadas”. Cada morador da cidade, mesmo que não tenha sido afetado fisicamente pelo desastre natural, tem suas recordações do trágico acontecimento.
Emocionalmente, a população foi atingida e creio até que cada um de nós conheceu alguém ou famílias que partiram para o plano superior em decorrência da tragédia. Lembro-me de que em minha casa ficamos sem energia elétrica por quatro dias. Fomos aconselhados a dormir fora de casa, por conta de uma pedra com risco de rolar na redondeza. Só que íamos dormir numa casa onde já estava uma família desabrigada. Éramos, ao todo, 22 pessoas numa casa onde nem água tinha para beber. E a gente podia reclamar? Não, de forma alguma! Em vista dos acontecimentos trágicos, a nossa compreensão era o mínimo que deveríamos render aos diretamente afetados.
Ainda sobre as consequências da tragédia, intitulei o ano de 2011 como “O ano das coisas impossíveis”. Eu cursava o segundo ano do curso de Comunicação Social, na Universidade Candido Mendes e foi no turbilhão de incertezas que surgiu a possibilidade de editar meu primeiro livro. Era meu sonho lançar o “Vamos caçar cometas”, que a própria Candido me apoiou no projeto. Entretanto, eu tinha que, entre as crônicas, escrever sobre a tragédia, pois não poderia “arrancar” essa página da minha história.
Assim, transcrevo aqui, um trecho dos meus relatos: “Com todas essas experiências de um início de 2011 conturbado, certamente, modificamos nossa visão de mundo. Não somos mais os mesmos! Somos sobreviventes de uma tormenta que aflorou a nossa sensibilidade! Não podemos mais passar indiferentes às emoções, quer sejam elas alegres ou tristes. Tem um algo mais de Amor na atmosfera serrana que nos impele às reflexões e às ações altruísticas. Quem não estiver agindo assim, sofreu em vão”. Mesmo depois de 15 anos, esse trecho do livro ainda me emociona e eu continuo pensando - se não mudamos, sofremos em vão! O tempo é sempre precioso para reflexões e solidariedade.

Elizabeth Souza Cruz
Surpresas de Viagem
A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.
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