Nova Friburgo intensifica ações de prevenção ao HIV durante o Dezembro Vermelho

Durante a 16ª Parada Municipal LGBTIAP+ neste sábado, unidades de saúde distribuirão folders e preservativos
sexta-feira, 05 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freepik
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Pela primeira vez em 30 anos, o número de óbitos ficou abaixo de dez mil e eliminou a doença passada da mãe para o bebê
As unidades de saúde de Nova Friburgo estão empenhadas em participar da campanha nacional dedicada à conscientização, prevenção e tratamento do HIV, reforçando, ao longo deste mês, o Dezembro Vermelho, com oferta de testagem rápida e a distribuição de preservativos masculinos. As ações visam ampliar o cuidado com a população friburguense e fortalecer as estratégias de prevenção no município.

Atualmente, o Programa Municipal IST/AIDS/Hepatites Virais acompanha mais de 1.100 pessoas vivendo com HIV, mantém 225 usuários em PrEP (Profilaxia Pré-exposição) e segue como referência no estado, com histórico de eliminação da transmissão vertical do HIV desde 2009.

De acordo com a coordenação do serviço, 95% dos usuários acompanhados apresentam carga viral suprimida, índice que alcança a meta preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando a carga viral está indetectável, não há transmissão do HIV e o paciente não desenvolve a Aids, evidenciando a efetividade do tratamento oferecido pela rede municipal.

Os resultados refletem o trabalho contínuo das equipes de saúde e o acompanhamento regular dos pacientes, fatores que têm contribuído para a melhoria da qualidade de vida dos usuários e para o controle do HIV no território.

Durante todo o mês, as unidades de saúde intensificam a oferta de testes rápidos e a distribuição de preservativos, incentivando a população a buscar o diagnóstico precoce e informações sobre medidas de prevenção combinada, como PEP (Profilaxia Pós-exposição) e PrEP.

Programação

A programação municipal do Dezembro Vermelho 2025 continua neste sábado, 6, das 10h às 22h, com a participação na 16ª Parada Municipal LGBTIAP+, na Praça do Suspiro, com distribuição de folders, preservativos masculinos e femininos e gel lubrificante.

Na próxima terça-feira, 9, das 9h às 12h, será realizada uma ação de testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, além de atendimento de PrEP, no Centro de Cidadania LGBTI Serrana I – Hanna Suzart. Já na próxima quarta-feira, 10, às 9h, acontecerá uma roda de conversa sobre Prevenção Combinada na Estratégia de Saúde da Família (ESF) do distrito de Mury, voltada para profissionais de saúde e comunidade.

A sede do Programa Municipal IST/AIDS/Hepatites Virais funciona no posto de saúde do Suspiro, sala 5. A população também pode buscar atendimento em qualquer unidade de saúde do município para obter informações, realizar testes e ter acesso a métodos de prevenção.

No Brasil

O Brasil apresentou queda de 13% no número de óbitos por aids entre 2023 e 2024, registrando 9,1 mil mortes no último ano. Pela primeira vez em três décadas, o número ficou abaixo de dez mil óbitos. Os dados são do novo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde e refletem os avanços em prevenção, diagnóstico e terapias capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível. Essa combinação também levou à eliminação da transmissão vertical da doença, quando ocorre da mãe para o bebê.

“Hoje [02-12] é um dia de luta, mas também de conquista histórica: alcançamos o menor número de mortes por aids em 32 anos. Esse resultado só foi possível porque o SUS oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento. Os avanços também permitiram ao país alcançar as metas de eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Os casos de aids também apresentaram redução no período, com queda de 1,5%, passando de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil no último ano.
 Materno-infantil — No componente materno-infantil, o país registrou queda de 7,9% nos casos de gestantes com HIV (7,5 mil) e de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus (6,8 mil). O início tardio da profilaxia neonatal caiu 54%, o que demonstra melhora significativa na atenção ofertada no pré-natal e nas maternidades.
 Transmissão vertical — A eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública ocorreu devido à taxa abaixo de 2%. A incidência da infecção em crianças ficou abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos. O Brasil também atingiu mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento às gestantes que vivem com o vírus.
 Isso significa que o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, atingindo integralmente as metas internacionais. Os resultados estão em linha com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS).
 Prevenção — Diferentes métodos são adotados pelo governo brasileiro para reduzir o risco de infecção pelo HIV. A estratégia que recebeu o nome de Prevenção Combinada reúne desde a distribuição de preservativos até ferramentas como a PrEP e a PEP, que reduzem o risco de infecção antes e depois da exposição ao vírus.
 O país também ampliou o acesso à Profilaxia Pré-Exposição. Desde 2023, o número de usuários da PrEP cresceu mais de 150%, resultado que fortaleceu a testagem, aumentou a detecção de casos e contribuiu para a redução de novas infecções. Atualmente, 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente.
 Diagnóstico — No diagnóstico, houve expansão na oferta de exames com a aquisição de 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis, 65% a mais do que no ano anterior, além da distribuição de 780 mil autotestes, que facilitam a detecção precoce e o início oportuno do tratamento.
 Tratamento — A terapia antirretroviral é ofertada de forma gratuita pelo SUS, com acompanhamento a todas as pessoas diagnosticadas com HIV. Mais de 225 mil utilizam o comprimido único de Lamivudina mais Dolutegravir, combinação de alta eficácia, melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos adversos a longo prazo. Por concentrar o tratamento em uma única dose diária, o esquema favorece a adesão e melhora a qualidade de vida.
 Esses avanços aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95, que preveem que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam o diagnóstico, 95% delas estejam em tratamento e 95% das tratadas alcancem supressão viral. Duas das três metas já foram cumpridas pelo país.
 

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