Nova Friburgo entre as 20 cidades com mais poder de influência no estado

Mapa Rio Soft Power, da Firjan, é baseado em estratégias de desenvolvimento socioeconômico destacando identidade, cultura e inovação
quarta-feira, 03 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

Um estado que vai muito além da beleza natural: o Rio de Janeiro é um território onde identidade, reputação, cultura e inovação se transformam em diferencial competitivo. E ainda há muito mais a ser desenvolvido e valorizado. É o que revela o estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), denominado Mapa Rio Soft Power, ferramenta inédita no país, que mede o poder de influência e reputação de 20 municípios fluminenses a partir de dados econômicos, culturais, acadêmicos e simbólicos.  

“É um mapa do Rio, que mostra onde estão forças tangíveis e intangíveis do estado. Entender o Soft Power é entender como reputação e identidade também geram desenvolvimento socioeconômico”, explica Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan. 

Um Rio possível 

O Estado do Rio de Janeiro, assim como o Brasil, reúne uma abundância de recursos imateriais e intangíveis que contribuem para uma imagem globalmente reconhecida. Mesmo diante de desafios estruturais relacionados à segurança, saúde, educação, infraestrutura e ambiente de negócios, o estado preserva ativos simbólicos que inspiram admiração e despertam interesse internacional. 

“O estado do Rio possível é aquele que encara suas limitações com realismo e suas vocações com estratégia. Isso significa apostar em um modelo de desenvolvimento que una eficiência na gestão pública, diversificação econômica e valorização dos ativos intangíveis para gerar resultados concretos. Trata-se de construir um futuro viável, baseado em parcerias entre governo, empresas e sociedade, capaz de transformar o que o Rio tem de melhor em base sólida de crescimento e influência”, sugere o presidente da Firjan. 

 O Mapa pretende ser um guia estratégico para políticas públicas, negócios e projetos territoriais. Ele mostra por onde passam os caminhos da nova economia fluminense, ao transformar cultura, história e inovação em autossustentabilidade. “Mais que medir PIB, estamos medindo potencial de futuro. Talvez seja isso que o Rio sempre soube fazer melhor: transformar o imaterial em valor, e o valor em influência”, afirma Julia Zardo, gerente de Ambientes de Inovação da Firjan e coordenadora da pesquisa. 

 Um GPS para a economia simbólica 

 O Mapa Rio Soft Power foi construído a partir de dez indicadores: Produto Interno Bruto (PIB); PIB per capita; Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); densidade empresarial; densidade acadêmica; presença de indústrias criativas; histórico do município com a incorporação do Soft Power em seus produtos e serviços; ativos tangíveis; ativos intangíveis; atores e articulações locais; cruzados com fatores culturais, históricos e identitários. 

As análises combinaram dados quantitativos de bases oficiais, como IBGE, e se inspira em referências internacionais como o Global Soft Power Index e o Nation Brands Index. “Essas fontes trouxeram para a pesquisa a metodologia e a inspiração de índices mundiais, permitindo adaptar para a realidade fluminense parâmetros usados na medição do poder de influência de países e cidades no cenário global”, aponta Oswaldo Neto, analista de Projetos Especiais da Firjan e um dos responsáveis pelo estudo. 

Segundo o levantamento, sete cidades entre as 20 pesquisadas já atingiram um bom nível de influência, o “Soft Power influente”, e têm potencial para levar valores do Rio para o mundo: Niterói (100 pontos), Rio de Janeiro (92), Nova Friburgo (88), Petrópolis (84), Teresópolis (84), Angra dos Reis (80) e Campos dos Goytacazes (80). Os municípios se destacam por combinar inovação e desempenho econômico sólido com densidade criativa e capacidade de atrair investimentos e talentos. 

Nova Friburgo e Teresópolis tem como principal vocação ‘História e Patrimônio’, com poder de transformar a herança em um ativo de futuro, fazendo do patrimônio uma memória viva que conecta pessoas e gera valor simbólico, social e econômico. 

Enquanto Petrópolis, com todo o centro histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reforça o valor patrimonial da cidade. Mas o ativo que prevalece é ‘conhecimento’, devido à sua economia diversificada, com destaque para manutenção aeronáutica, tecnologia, construção civil, confecção, têxtil e mobiliário. Sede do Parque Tecnológico da Serra (Serratec) e capital estadual da tecnologia, a cidade imperial alia infraestrutura e qualidade de vida, com vocação para receber multinacionais.

 Em seguida, está o grupo “Soft Power consolidado”, reunindo Paraty (76), Vassouras (72), Três Rios (72), Itaguaí (72), Duque de Caxias (72), Paraíba do Sul (64), São João da Barra (60) e Itaperuna (56), cidades cuja reputação já se tornou ativo de valor.  

Para fortalecer seu Soft Power, as cidades poderiam buscar posicionar-se como referência em sustentabilidade e cultura viva, valorizando a narrativa caiçara como ativo simbólico e econômico e expandindo parcerias e eventos que a posicionem como um hub do conhecimento do mar, unindo cultura, natureza e inovação. 

No nível “Soft Power em desenvolvimento” estão municípios ainda em processo de consolidar a própria imagem e ampliar visibilidade, como Nova Iguaçu (48), Santo Antônio de Pádua (48), São Gonçalo (44), Guapimirim (44) e Carmo (40). Mesmo em se tratando da última colocada do ranking do Mapa, Carmo tem o tempo como aliado: a história não é passado, é patrimônio vivo. 

“O fortalecimento de Carmo, no estudo, passa por transformar seu patrimônio histórico em ativo econômico e cultural, estimulando e economia criativa e o turismo de memória com produtos como a Cachaça da Quinta e eventos como a Lavagem da Ladeira — para reforçar identidade, pertencimento e novas oportunidades para o município”, exemplifica Neto.  

Lições do mundo 

Além do nível de maturidade de Soft Power das cidades, outros quatro grandes eixos expressam as vocações simbólicas e econômicas fluminenses: Urbano, Meio Ambiente, História e Patrimônio, e Conhecimento. O Eixo Urbano reúne cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São Gonçalo. 

No Eixo Meio Ambiente, municípios como Guapimirim, Paraty, Itaguaí, Três Rios e Santo Antônio de Pádua transformam biodiversidade e turismo sustentável em estratégia de desenvolvimento, em sintonia com a lição da Amazônia, que projeta o Brasil pela força de sua natureza preservada.  

Já o Eixo História e Patrimônio valoriza cidades como Carmo, Paraíba do Sul, Vassouras, Teresópolis e Nova Friburgo, que convertem memória e arquitetura em ativos de identidade, a exemplo do México, que fez de seu patrimônio um motor econômico e cultural.  

 Acesse o mapa: https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/mapa-rio-soft-power 

 
  • Foto: Henrique Pinheiro

    Foto: Henrique Pinheiro

  • Foto: Henrique Pinheiro

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