Dia do Empreendedorismo Feminino celebra a força das mulheres em seus próprios negócios

Em Friburgo, cerca de 48% dos registros de empresas e MEIs são de mulheres
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Nesta quinta-feira, 19, celebra-se o Dia Nacional do Empreendedorismo Feminino. A data foi instituída pela lei 14.667/2023 e celebra a luta e a conquista de mulheres no empreendedorismo. De acordo com o Sebrae, Nova Friburgo tem um alto índice de mulheres empreendedoras, com 48% dos registros, sendo eles 15.471 registros de sócias em empresas e 10.616 registros de microempreendedores individuais (MEIs).  O Sebrae também é responsável por trazer a acessibilidade de capacitação entre as mulheres com cursos gratuitos para o desenvolvimento empreendedor de mulheres.

Outras instituições como o Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Nova Friburgo (Acianf), também exercem um papel fundamental. Promovendo encontros mensais e whorkshops sobre temas variados com foco no empreendedorismo da mulher.

Histórias locais

Em Nova Friburgo, histórias de mulheres que consolidaram suas marcas com criatividade e persistência se multiplicam. Entre essas histórias está a da estilista friburguense Luisa Pimenta, dona do ateliê Espaço Luisa Pimenta. A relação dela com a moda começou cedo e, inicialmente, por um caminho que parecia óbvio para quem nasceu em Friburgo: a moda íntima. “Quando eu fui para o Rio fazer faculdade de moda, tinha o objetivo de trabalhar com lingerie, por Friburgo ser a capital da moda íntima. Eu sempre quis voltar para cá e achei que seguir por esse caminho faria sentido”, lembra.

Mas, durante a faculdade, o rumo mudou completamente. Faltando o cumprimento do estágio obrigatório, Luisa se inscreveu em uma vaga em um dos ateliês de noiva mais renomados do Rio. Acabou sendo contratada e, ali, percebeu algo que despertou uma curiosidade imediata: muitas noivas de Nova Friburgo se deslocavam até o Rio para confeccionar seus vestidos. A dúvida virou pesquisa, e a pesquisa virou seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) na faculdade: um plano de negócios detalhado do que viria a ser, anos depois, o Espaço Luisa Pimenta. Ali ela estudou o mercado, o público e identificou a falta de um ateliê especializado em alta costura na cidade, com atendimento exclusivo e peças sob medida.

Depois da graduação, Luisa continuou se aprofundando na área. Trabalhou em um segundo ateliê ainda mais conhecido no Rio e fez pós-graduação em Gestão Empresarial e Marketing, novamente tendo seu plano de negócio como tema de seu TCC. O caminho parecia claro, mas o início do ateliê aconteceu quase por acaso. Uma amiga ia se casar e Luisa fez dois vestidos de madrinha, o dela e de uma outra amiga. As peças chamaram atenção e começaram a surgir pedidos em Friburgo. Mesmo morando no Rio, ela decidiu aproveitar a oportunidade e começou a aceitar algumas encomendas em Friburgo. “Começou a dar muito certo e senti que era a hora de voltar”, diz. Com apoio dos pais, abriu oficialmente o ateliê.

O início, porém, não foi simples. Luisa tinha apenas 22 anos quando começou. “Eu era uma menina vendendo um desenho. Eu faço vestidos sob medida, então as pessoas tinham que acreditar que aquilo ia dar certo. Sofri muito no início, até criar um bom portfólio, até consolidar o meu nome no mercado da cidade. Hoje eu me posiciono e sou uma mulher muito segura de mim, eu acredito muito no meu projeto de vida, que é o ateliê, realizando sonhos e contando histórias através de vestidos. Essa minha certeza e vontade de fazer o negócio dar certo nunca deixaram me abalar em relação a pessoas que queriam me diminuir, mas senti uma certa dificuldade por ser muito nova de passar essa credibilidade”, lembra. 

Até consolidar seu nome, Luisa enfrentou resistência por ser jovem, especialmente de fornecedores e costureiras. “Algumas não seguiam minhas orientações por acharem que eu não entendia. Isso foi muito difícil no início”, lembra. Hoje, o Espaço Luisa Pimenta está há sete anos no mercado, já passou por três endereços e vive um momento de renovação. A estilista prepara uma nova identidade visual para 2026, acompanhando o amadurecimento da marca e da própria criadora. 

“Finalmente consegui definir meu estilo. A pessoa entra no ateliê e sabe o tipo de vestido que eu faço, e isso é muito significativo, pois é difícil para um estilista ter um estilo bem definido em suas criações”, conta.

Luisa também descobriu que trabalhar com noivas é, acima de tudo, trabalhar com histórias. A mudança de rumo, de lingerie para a alta costura, se tornou um encontro pessoal. “Eu sou emocional. Participar de sonhos me encantou. Vi que fazer vestido de noiva era o que eu nasci para fazer”.

Além do ateliê, Luisa também é professora no Senai. Ela considera essa parte essencial de sua trajetória. “Amo ensinar e trocar. Tenho muito conhecimento técnico e acho importante passar isso adiante. Alguns dos meus funcionários hoje são meus ex-alunos”. Para ela, formar jovens com sensibilidade, cuidado e responsabilidade é tão importante quanto criar vestidos. “Moda é uma forma de expressão, de pertencimento. Sempre digo isso nas aulas”, observa Luisa. 

Neste Dia Nacional do Empreendedorismo Feminino, a cidade também celebra caminhos como o de Luisa, feitos de coragem, pesquisa, curiosidade e a certeza de que mulheres podem transformar qualquer sonho em negócio.

  • Reportagem da estagiária Isabella Rodrigues com supervisão de Henrique Amorim

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