Um dia, um baita calor. No outro, um frio de congelar os ossos. Essa gangorra nos termômetros pode resultar em dores de cabeça bem chatas para algumas pessoas. Pois é, dor de cabeça e mudança na temperatura, ainda mais aquelas alterações mais bruscas no clima, quem diria, têm relação.
Dentre elas, as mudanças climáticas podem ser difíceis para muitas pessoas que sofrem de enxaqueca, tanto nas mudanças sazonais quanto no dia a dia, principalmente por serem impossíveis de controlar. Condições climáticas estáveis, mesmo com temperaturas extremas, podem ser mais bem toleradas do que um padrão climático variável.
As mudanças na temperatura e outros fatores relacionados ao clima podem ser gatilhos para as dores de cabeça, ou seja, serem os desencadeadores de uma crise de enxaqueca. O gatilho mais comum relacionado à dor de cabeça e mudança de temperatura são as mudanças rápidas na pressão barométrica (ou “peso do ar”). A pressão barométrica cai quando o clima está úmido e aumenta quando ele está seco - e essas oscilações podem piorar uma dor de cabeça ou enxaqueca já existente.
Gatilho
Estudos recentes apontam que entre 30% e 50% das pessoas com enxaqueca identificam mudanças no clima como gatilho para crises. A constatação foi reforçada por especialistas em neurologia nos Estados Unidos, que explicam que alterações na pressão atmosférica, temperatura, umidade ou até mesmo na qualidade do ar podem ativar vias cerebrais ligadas à dor. Essa sensibilidade, segundo os médicos, faz parte de um sistema nervoso mais reativo em pessoas predispostas, o que ajuda a entender por que o fenômeno é tão comum.
O impacto do clima na enxaqueca
As mudanças climáticas podem ter um impacto direto ou indireto. Por exemplo, a pressão do ar pode ser um gatilho direto, causando o ataque, enquanto o clima quente, causando suor e desidratação, pode ser um gatilho indireto.
Tipos de mudanças climáticas que podem desencadear crises de enxaqueca:
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Mudanças de temperatura – Em climas quentes, há uma maior perda de líquidos, o que pode causar desidratação e desencadear uma crise. Exercícios intensos também podem levar à perda de líquidos. Aumentar a ingestão de líquidos nesses períodos ajudará a minimizar esse potencial gatilho.
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Alterações na pressão barométrica/atmosférica – A pressão barométrica é a pressão atmosférica. Por exemplo, quando uma tempestade se aproxima, a pressão barométrica geralmente cai. Essa mudança é sentida por muitas pessoas com enxaqueca.
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Tempestades, alta umidade e tempo extremamente seco também podem ter impacto, principalmente quando há uma mudança brusca. O tempo seco (incluindo o frio no inverno) também pode aumentar a desidratação, que é outro gatilho. O tempo quente e úmido também pode perturbar os padrões de sono, o que pode ser um gatilho para a enxaqueca.
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Luzes brilhantes e brilho do sol – A luz solar intensa em dias de verão, por exemplo, pode ser outro gatilho para a dor. A enxaqueca causa aumento da sensibilidade à luz. O sono também pode ser afetado durante dias longos, quentes e ensolarados, e a sua interrupção pode aumentar a chance de uma crise.
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Alergias sazonais – alergias não causam crises de enxaqueca, mas a enxaqueca é comumente diagnosticada erroneamente como dor de cabeça sinusal, pois alguns sintomas podem se sobrepor. É comum que a enxaqueca esteja associada à pressão na testa e no rosto sobre os seios da face, bem como o nariz entupido ou escorrendo.
Estratégias de controle
Embora não seja possível alterar o clima, é viável se preparar para suas mudanças. Identificar gatilhos pessoais e desenvolver um plano de ação, preferencialmente com o auxílio de um profissional de saúde, pode ser eficaz no controle das crises. A enxaqueca relacionada ao clima é um dos desafios mais frustrantes, mas com informação e monitoramento, é possível recuperar parte da autonomia sobre a condição.
* Reportagem da estagiária Laís Lima com informações de O Globo e Metropoles. Supervisão de Henrique Amorim

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