29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo

Data alerta para os muitos riscos do tabaco e derivados
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
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No Brasil, 477 pessoas morrem diariamente em decorrência do consumo de tabaco e seus derivados, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Apesar disso, a crença de que “basta força de vontade para parar de fumar” ainda é comum em campanhas e conversas cotidianas. Essa ideia ignora a realidade da dependência da nicotina, substância que altera o sistema de recompensa do cérebro, criando uma relação de prazer e alívio imediato. 

Essa falsa sensação de bem-estar, entretanto, vem acompanhada de um pacote tóxico: mais de 4,7 mil substâncias prejudiciais, entre elas arsênio, chumbo e monóxido de carbono. A cada 29 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Fumo, instituído pela lei 7.488, de 1986. A data busca conscientizar a população sobre os impactos do tabagismo, não apenas para a saúde, mas também para a economia e o meio ambiente.

Epidemia silenciosa

O tabagismo é hoje reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica causada pela dependência química da nicotina. Em segundos, a substância chega ao cérebro e desencadeia efeitos que induzem o uso compulsivo. Não se trata, portanto, de simples hábito ou escolha pessoal, mas de uma condição que exige tratamento.

O consumo de tabaco está associado a doenças graves como hipertensão, infarto, derrame cerebral, bronquite crônica, enfisema pulmonar e vários tipos de câncer, incluindo pulmão, boca, estômago e bexiga. Também enfraquece o sistema imunológico, acelera o envelhecimento da pele, amarela os dentes e compromete a saúde cerebral, aumentando riscos de AVC (acidente vascular cerebral) e até acelerando quadros de Alzheimer.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o tabaco é responsável por mais de oito milhões de mortes por ano no mundo, sendo um milhão de fumantes passivos. No Brasil, o Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad III) apontou que 26 milhões de pessoas usam nicotina, o equivalente a 15% da população.

Das antigas ameaças ao vape

Engana-se quem pensa que os riscos se restringem ao cigarro tradicional. Produtos como narguilé, pods e cigarros eletrônicos (vapes) também representam ameaças. Apresentados muitas vezes como alternativas “menos nocivas”, esses dispositivos expõem usuários a altas concentrações de nicotina e outras substâncias tóxicas.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) chama atenção para os efeitos diretos dos cigarros eletrônicos na pele: envelhecimento precoce, perda da elasticidade e favorecimento de doenças dermatológicas. Já estudos clínicos revelam que o uso de vapes pode provocar doenças pulmonares, problemas cardiovasculares, depressão do sistema imunológico e, como o cigarro convencional, dependência química.

Efeitos mais relatados 

  • Doenças respiratórias, inclusive câncer de pulmão.
  • Aumento da pressão arterial e do ritmo cardíaco, elevando o risco de infarto.
  • Dependência intensa, dificultando o abandono do uso.

Substâncias letais

Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que a fumaça do cigarro contém cerca de 4.720 substâncias tóxicas. Entre elas estão nicotina, alcatrão, amônia, benzeno, metais pesados como chumbo e cádmio, além de substâncias radioativas, como o polônio 210. Muitas são reconhecidamente cancerígenas, o que explica a forte ligação do tabagismo com doenças fatais.

O impacto ambiental

Além da ameaça direta à saúde humana, o tabagismo agrava problemas ambientais. A chamada Poluição Tabagística Ambiental (PTA) afeta fumantes passivos e contribui para doenças respiratórias. O descarte incorreto de bitucas de cigarro também preocupa: apenas em São Paulo, estima-se que sejam jogadas no ambiente cerca de 14 milhões de pontas de cigarro todos os dias. Além de poluírem o solo e a água, elas contêm elementos tóxicos que prejudicam ecossistemas e ainda representam risco de incêndios.

Ações em Nova Friburgo

Em Nova Friburgo, a Secretaria Municipal de Saúde tem reforçado as ações de conscientização sobre os males do fumo ao longo deste mês. No último dia 12, a Coordenação Municipal do Programa de Controle do Tabagismo promoveu atividade em alusão à data, envolvendo adolescentes da unidade local do Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas).

O encontro abordou os riscos do tabagismo e dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), destacando impactos à saúde física e mental, à vida social e ao orçamento familiar. A atividade contou com a participação da odontóloga Alba Lamim, que atua em grupos de apoio ao tratamento do tabagismo na rede municipal.

Segundo a subsecretaria de Vigilância em Saúde, ações como palestras, rodas de conversa e campanhas educativas continuam acontecendo em escolas, praças públicas e unidades de saúde, com o objetivo de ampliar o alcance da mensagem de prevenção.

 

* Reportagem da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim

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