Vem frio por aí

Wanderson Nogueira

Wanderson Nogueira

Observatório

Jornalista, cronista, comentarista esportivo, já foi vereador e deputado. Ufa! Com um currículo louvável, o vascaíno Wanderson Nogueira atua com garra no time de A VOZ DA SERRA em Observatório, sua coluna às terças e quintas.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Outono e inverno serão mais frios do que do último ano. Estarão na toada do verão que acaba hoje, 20. Verão que se vai sem parecer que sequer tenha chegado. Foi um verão mais ameno que o normal, o mais ameno desde 2013. Segundo os climatologistas, a razão do verão ter sido ameno está no fenômeno La Niña que favorece a entrada de ar mais frio.

Mais frio do que o ano passado

As previsões indicam que o mesmo fenômeno La Niña provocará um outono e inverno com mais dias de frio bastante rigoroso. O frio chegará antes. Há previsão de ondas fortes de frio já em abril e com temperaturas mais baixas do que nos anos anteriores.

Prevenção redobrada

Mais um fator preocupante para a pandemia do Covid-19. Com as temperaturas mais baixas, aumenta a incidência de doenças respiratórias, o que deve elevar ainda mais os riscos de contaminação. Sem criar pânico, o fato é que a pandemia no Brasil apenas começou.

Turistas friburguenses presos no Peru

Há friburguenses presos no Peru por conta do cercamento sanitário feito pelo país vizinho e que agora o Brasil também adotou com oito fronteiras. São turistas que foram pegos pela decisão de fechar o comércio, hotéis e implantar o recolhimento social como mostrou A VOZ DA SERRA esta semana. Após muitos apelos e negociações, foi liberada a volta para casa escalonada em dois aviões.

Desespero

Os dois primeiros voos partem nesta sexta-feira, 20. Mas entre os friburguenses, há mais de 1.700 brasileiros na mesma situação. A maioria dividida entre a capital Lima e Cuzco. Sem onde dormir e com a tentativa de voltar ao Brasil impedida. Até o fechamento desta edição, não tive a confirmação de que pelo menos uma família friburguense estaria nesses dois primeiros voos. Certo é que quem está em Cuzco continua sem previsão de voltar.

Incertezas

A ansiedade natural é de que venham apenas esses dois primeiros aviões e que a gravidade da situação aqui e lá impeça que o trabalho de resgate continue. Tudo muito incerto e com mudanças muito rápidas. O temor maior é que nesse fim de semana, como previsto, o número de casos deu um salto no Brasil, principalmente no Rio e em São Paulo. Justamente os locais de aterrissagem desses aviões.

Capital fantasma

Eu que estive na capital nesta semana, posso dar meu testemunho de que a situação tende a se tornar gravíssima. Na capital, tem sido levado muito à sério o que está acontecendo. Ruas e empresas vazias. As medidas adotadas mudaram o cenário carioca mais do que por aqui.

Não há outra saída

Como dizem que o que acontece na capital chega depois no interior, o cenário de cidade fantasma deve se confirmar por aqui nos próximos dias. O fato é que nenhum lugar do mundo tem estrutura para atender uma demanda gigante de pessoas buscando atendimento.

Uns cuidando dos outros

Assim, ainda que as previsões de muitos casos e mortes não se confirmem, é melhor não pagar para ver. Respeitar o isolamento social é a única arma que se tem, por enquanto contra o vírus. Quanto menos se espalhar, melhor será. Há um nível de consciência de muitos. Mas os poucos que não tem, agravam a situação.

Prioridade

O esforço comunitário tem que ser maior do que as asneiras políticas. Tem que ser também mais apressado que a morosidade de algumas autoridades públicas. Estamos todos no mesmo barco e se deve acima de tudo assegurar a saúde dos mais vulneráveis à fatalidade que a doença pode provocar. Ainda que a preocupação com a economia seja legítima, agora é hora de preservar vidas. O capital tem que ficar em segundo plano.

Urgência de mudança

Nesse tempo de reflexões profundas, que possamos aprender mais do que com o que aprendemos em 2011. Que a solidariedade nos mova e que aqueles que praticam a mesquinharia possam rever seus atos. Posteriormente, cabe uma correção de rumo de nossas cidades. Cuidar do planeta é cuidar de nós e está cada vez mais urgente essa mudança de hábito, sob pena desse momento se repetir cada vez com mais frequência.             

Palavreando

“O nosso corpo é uma máquina que o tempo faz se desgastar até quebrar. Uma história de cansaço árduo, possivelmente pesará, tornando o final ainda mais complicado do que já é. Mas o tempo ou o desgaste do corpo não tiram de nós as nossas maiores heranças: aquilo que ensinamos e nos desdobramos para cumprir”.

 

 

Foto da galeria
Excelente iniciativa de artistas friburguenses. Prepare a cerveja e os petiscos para curtir em casa e matar saudades da noite friburguense
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