Crise

Wanderson Nogueira

Wanderson Nogueira

Observatório

Jornalista, cronista, comentarista esportivo, já foi vereador e deputado. Ufa! Com um currículo louvável, o vascaíno Wanderson Nogueira atua com garra no time de A VOZ DA SERRA em Observatório, sua coluna às terças e quintas.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Crise
Uma das maiores e mais sólidas confecções de Nova Friburgo está passando por um momento de turbulência. Desde o início do ano, a Jescri que conta com mais de 200 funcionários, tem evitado demissões. A empresa friburguense tomou um tombo da gigante  da Leader Magazine que, inclusive, está em recuperação judicial. 

Plano de ação
O calote da Leader quebrou várias empresas Brasil a fora. Apesar do impacto financeiro, a Jescri traçou um plano de médio e longo prazo para assegurar sua continuidade e a maioria dos empregos. Mas agora, meses depois, se viu novamente em dificuldades. Magazines, principal destino de suas produções, começaram, já na semana passada, a cancelar pedidos que estavam prontos para serem entregues.

Efeito dominó
Com as mercadorias no galpão e a certeza de não receber por elas, as demissões que estavam sendo evitadas não mais poderão ser prorrogadas. A empresa continuará em funcionamento, mas com capacidade bastante reduzida. Segundo o proprietário, Wanderson Barroso Nogueira, o esforço é demitir o mínimo possível, o que já configura um impacto na economia local. 

Volta por cima
O trabalho agora é atuar para pagar os direitos trabalhistas. A empresa acredita que se houver uma recuperação econômica mais a frente, poderá novamente contratar os profissionais demitidos, mas que por hora se vê sem saídas. Para quem conhece a história da empresa que também enfrentou em 2011 a tragédia climática, torce para que a volta por cima venha o mais rápido possível. Não apenas pela idoneidade e espírito coletivo de seus idealizadores, mas pela própria cidade - capital da moda íntima.   

Não há escolha de Sofia
O momento é delicado e, claro, todo o foco tem que ser a saúde. Se compartilha a máxima de que a economia deve servir à vida e não o contrário. Os desafios serão grandes, por isso, desde já governos das diferentes esferas, associações e federações devem traçar planos de injetar recursos na economia pós-pandemia.

Ação do Estado
Salvar empregos, pequenos e médios negócios e microempreendedores deve ser a prioridade. Sabendo-se que 95% dessa tarefa fica com o Governo Federal que é quem tem a maior parcela dos impostos e, consequentemente, recursos e poder. O Estado ficaria com aproximadamente 4% dessa parcela, enquanto municípios com 1% ou menos. 

Novas cidades
No entanto, mesmo com pouco poder, o cenário aponta a necessidade de reinvenção e criatividade por parte dos municípios: antever e planejar. Nessa pandemia, há exemplos de municípios que estão atuando de maneira muito mais eficiente do que outros. Enquanto há cidades cujas atuações beiram o patético de uma incompetência que não surpreende. 

Espelho
Citemos o bom exemplo de Niterói. O município arrendou um hospital privado para, exclusivamente, atender pacientes com sintomas do coronavírus, ampliando o número de respiradores. Além disso, suspendeu a cobrança de estacionamento rotativo, proibiu o corte de água por inadimplência, mesmo o serviço lá ser privatizado. Ainda anunciou ajuda de R$ 500 mensais pelo período de três meses aos MEIs (microempreendedores individuais).         

Dia após dia
Quando a vida voltará ao normal, ninguém ainda sabe. Com a previsão de situação mais crítica para as duas próximas semanas, há quem já projete o fim da quarentena total para a partir de 7 de abril. Mas isso dependerá do resultado do isolamento dessa semana que finda. Ou seja, o resultado de nossas atitudes refletirá se as atividades voltam antes ou depois. 

Palavreando
“Minha cidade diz no seu bom dia: já podemos recomeçar! Não sou ruína, nem escuridão. Sou um lugar em transformação. Ou nasce um novo povo ou não nasce uma nova cidade”.

 

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